domingo, 21 de junho de 2026

Verão 2026

Nascer do sol na Beirã

O verão chegou esta manhã com a pontualidade silenciosa das coisas eternas. Não fez alarde, não pediu licença, apenas pousou, às 09:24 sobre a Beirã, como um lençol de luz estendido por sábias mãos.
Há verões que começam no calendário. Este começou no meu peito. A Toca dos Coelhos acordou primeiro, como sempre. As pedras megalíticas da raia, essas sentinelas milenares, receberam o sol com a mesma dignidade de quem já viu impérios nascer e ruir, guerras acenderem-se e apagarem-se, povos cruzarem fronteiras que só existem nos mapas.
E nós, que contamos a vida pelas primaveras vividas, sabemos que cada verão é mais do que uma estação: é um capítulo. Um degrau. Um lugar onde a alma se senta para respirar.
Hoje o ar quente que desce da serra parece dizer-nos que ainda há tempo para a concórdia, para a saúde que desejamos aos nossos, para a paz que o mundo teima em esquecer.
As guerras, essas sombras que os homens insistem em reacender, parecem por momentos mais distantes, como se o calor tivesse o poder de lhes apagar o fôlego.
Que este verão seja isso: um apagador de fogueiras inúteis, um bálsamo sobre velhas feridas, um convite à tolerância, um regresso ao essencial.
Que o amor continue a ser a nossa bússola. Que a harmonia nos acompanhe como o canto das rolas no meu quintal. Que a paz nos encontre, mesmo quando o mundo parece não saber procurá-la.
E que as pedras da Beirã, de toda esta fronteira antiga, nos recordem que somos passageiros, mas não insignificantes.
Cada verão acrescenta-nos uma camada de luz. Cada verão é uma promessa renovada de que ainda vale a pena acreditar. Sejamos felizes hoje, porque amanhã pode ser tarde.
Texto e foto