segunda-feira, 1 de junho de 2026

Para as netas mai'lindas do Mundo


Feliz Dia Internacional da Criança - mesmo sendo vocês já quase mais altas que os avós - netinhas lindas. À Filipinha não podemos chamar criança, porque já é uma senhora! Beijinhos para as três...

Foto Pedro Coelho

Aos que esquecem quem nunca os esqueceu


Há uma geração inteira que está a desaparecer em silêncio. Homens e mulheres que deram tudo quanto tinham – e tantas vezes o que não tinham – para que os filhos e os netos pudessem ser mais, viver melhor, ir mais longe.
Gente que trabalhou até ao limite, que passou noites em claro, que fez contas impossíveis, que engoliu lágrimas para não assustar ninguém, que se levantou sempre, mesmo quando o corpo já pedia descanso. E agora, muitos deles jazem em lares, esquecidos como se fossem capítulos antigos de um livro que ninguém já quer ler.
Há quartos onde o relógio marca horas que ninguém visita. Há camas feitas com cuidado por mãos estranhas, porque as mãos que eles criaram já não aparecem. Há aniversários que passam sem telefonema. Há fotografias na mesa de cabeceira que já não recebem dedos a percorrer-lhes o rosto.
Há olhos que se iluminam quando alguém entra – e se apagam quando percebem que não é quem esperavam. E o mais cruel é isto: eles não pedem muito. Nunca pediram. Nunca foram de pedir.
Bastava-lhes uma tarde. Uma conversa. Um abraço. Um “estou aqui”. Um “não me esqueci de ti”. Mas para muitos, nem isso chega.
Os filhos e netos que um dia foram tudo, agora são sombras ocupadas, vidas apressadas, desculpas bem arrumadas. “Não tenho tempo.” “Um dia destes passo.” “Ele nem dá por isso.”
Mas dá. Eles dão sempre por isso.
Porque quem amou profundamente reconhece a ausência como uma ferida aberta. E há algo que custa admitir: o abandono não começa quando deixamos alguém num lar. Começa quando deixamos de aparecer.
Há velhos que passam meses sem ouvir o som da voz daqueles por quem deram a vida. Há pais que morrem sem que os filhos saibam que foi o seu último dia. Há avós que esperam até ao fim por uma visita que nunca chega.
E, no entanto, foram eles que seguraram o mundo quando éramos demasiado pequenos para o carregar.
Foram eles que nos ensinaram a andar, a falar, a ser. Foram eles que nos protegeram do frio, da fome, do medo.
Foram eles que ficaram acordados quando tínhamos febre, que trabalharam horas a mais para pagar livros, que mentiram ao estômago para que o nosso tivesse comida.
E agora, muitos morrem sozinhos.
Não porque não tenham família. Mas porque a família esqueceu-se de ser família.
Aos que ainda têm pais e avós vivos, digo sem rodeios: um dia será tarde demais. Um dia vão querer entrar naquele quarto e já não haverá ninguém para o reconhecer. Um dia vão querer pedir perdão e já não haverá memória para os ouvir. Um dia vão perceber que o tempo que não deram, não volta.
E quando esse dia chegar, não haverá desculpa que os salve da verdade.
Eles não precisam de presentes. Precisam de presença. Não precisam de discursos. Precisam de companhia. Não precisam de piedade. Precisam de amor – o mesmo amor que um dia deram sem pedir nada em troca.
Se ainda tens alguém à espera de ti, vai. Vai enquanto podes. Vai enquanto eles ainda sorriem ao ouvir o teu nome. Vai enquanto ainda há mãos que procuram as tuas. Vai enquanto ainda há tempo.
Porque o abandono é a morte antes da morte. E o amor, quando chega tarde, já não chega inteiro.
Texto e foto

Boa semana


Ao longo da nossa existência, enfrentamos inevitavelmente situações difíceis, perdas e desilusões. É impossível atravessar a vida sem que um trabalho saia mal feito, sem que uma amizade nos desiluda, sem padecer com alguma doença, sem que um amor nos abandone, sem que alguém da família parta, sem que nos enganemos em algum momento. Estes episódios fazem parte da experiência humana e representam o custo de viver.
Muitos tentam evitar o erro, o sofrimento ou a perda, mas a verdade é que são precisamente essas vivências que nos moldam. Cada falha, cada desilusão ou momento de dor traz consigo uma oportunidade de crescimento e autoconhecimento. É na adversidade que se revela a nossa força interior e aprendemos a valorizar os momentos de alegria e tranquilidade.
As amizades podem decepcionar, os amores podem acabar, mas também nos ensinam sobre o perdão, a resiliência e o verdadeiro significado da companhia. As perdas familiares, por mais dolorosas que sejam, recordam-nos a importância de cultivar os laços afetivos enquanto temos tempo. O engano, por sua vez, alerta-nos para a humildade e para a necessidade de rever as nossas atitudes e escolhas.
Aceitar que a vida é feita de altos e baixos, de êxitos e fracassos, é um passo fundamental para viver com mais leveza. Não existe vida sem desafios; o importante é enfrentar todas as situações com coragem, aprender com os erros e seguir em frente. O sofrimento faz parte da jornada, mas não define o destino.
O custo de viver está em aceitar todas as nuances da existência: as alegrias e tristezas, as conquistas e as perdas. Ao fazer as pazes com a imperfeição, permitimos que a vida seja vivida em plenitude, com gratidão pelos momentos bons e serenidade para superar os maus. É essa mistura de experiências que constrói quem somos.

José Coelho
Texto e foto