Entre fragas antigas e o verde cerrado da tapada, ergue-se esta construção singela, hoje coberta de telhas, mas outrora apenas uma sócha de pedra, giesta e silêncio.
Foi casa de um casal de camponeses, gente de passos firmes, de vida dura e honrada, que encontrou entre estas rochas o abrigo possível e a dignidade necessária.
Ao lado, uma outra sócha, mais pequena, guardava a muar que era força e companhia. Com ela se lavrava a terra, se abria o rego para o pão, se cuidava da horta que sustentava o ano inteiro.
Era ali, nesse pequeno espaço de sombra e palha, que repousava o animal que ajudava a transformar esforço em sustento.
Mais atrás, escondida entre fragas como as que a imagem revela, ficava a pocilga dos suínos, o tesouro vivo que garantia carne para todas as estações.
Cada canto desta tapada tinha um propósito, cada pedra guardava um gesto, cada metro de terra contava uma história de sobrevivência serena.
São memórias de gente boa, de vidas simples e inteiras, que merecem permanecer acesas. Porque lugares assim não são apenas paisagem, são testemunhos de quem fomos.
Texto e foto.
