segunda-feira, 30 de março de 2026

Sou, fui e serei, sempre assim


Falar sempre a verdade mesmo quando ela não nos favorece, não é para qualquer um. É preciso ter-se estaleca. Ou em português arcaico, tê-los no sítio. Ou ainda em português mais formal, ser possuidor de invioláveis valores e princípios.
Mas qual quê?
É tão mais fácil sacudir a água do capote, varrer a verdade para debaixo do tapete para ficar oculta, achar que aqueles a quem se mente são todos parvos, trouxas ou ingénuos. Ficar feliz e na mó de cima a julgar-se muito mais inteligente, mais desenrascado, mais...
Xico-esperto.
Que orgulho sinto de ter sido ensinado pelos meus humildes pais a não mentir, a assumir sempre as minhas responsabilidades, a não fazer a ninguém o que não quisesse que me fizessem a mim.
Que orgulho sinto agora em duplicado porque foram exatamente esses valores e princípios que ensinei aos meus dois filhos e ambos me concedem a suprema felicidade de serem dois seres humanos íntegros e leais como todos deveriam ser.
Não é porque a mentira, a falsidade, a conveniência e falta de vergonha na cara que nos rodeiam são praticadas de cima para baixo pelas hierarquias do poder, das instituições públicas ou particulares e noticiadas diária e profusamente nos Órgãos de Comunicação Social, que as faz estarem corretas.
Porque o certo é sempre certo mesmo que ninguém o pratique e o errado será sempre errado, mesmo quando todos o façam. Não há outra volta a dar. Por isso mesmo não há nada que mais me incomode e desagrade nesta vida, do que perceber que me estão a mentir.
Descaradamente e sem o menor pudor, algumas vezes. Se for um amigo, provavelmente perde a minha confiança e amizade definitivamente. Se for um familiar porque nunca deixará de o ser faça ele o que fizer, perderá a minha consideração e estima.
Afirmo-o tranquilamente porque nunca, jamais ou em tempo algum, usei de mentiras com a intenção de não assumir as minhas responsabilidades ou para ficar mais bem visto seja para quem for.
Nunca, jamais ou em tempo algum, o farei.
Sou assim. Fui sempre assim. Serei sempre assim. Quem gostar de retidão e honradez, seja bem-vindo. Quem não gostar, siga o seu caminho e vá em paz, que com ela eu fico também...

José Coelho 

domingo, 29 de março de 2026

Semana Santa 2026


 Igreja Paroquial de S. Tiago em Marvão. Aqui se irão concentrar as solenes celebrações da Semana Santa 2026, entre 29 de março a 5 de Abril. Ver o programa próprio, publicado na pág. Igrejas Abertas - Marvão do Facebook.

Com o passo certo

Ponte Pedonal Sobre o Rio Tâmega - Chaves

Foi em meados do verão de 71 que esta já longa caminhada teve início, quando, estando eu a prestar serviço militar em Elvas, ficámos noivos. Seguiu-se um longo período de ausência com a mobilização para a guerra em outubro desse mesmo ano e consequente embarque para Angola em março de 72, até ao regresso em junho de 74.

Aqui teve início outra complicada odisseia. A de encontrar um emprego estável para constituirmos a nossa família. Orfã de mãe desde julho de 71, vivia a noiva "de favor" em casa de uma irmã, tendo o noivo de imigrar para longe em busca do pão de cada dia. E foi nessas precárias condições - uma a viver em casa alheia, o outro a centenas de quilómetros de casa - que em 76 decidimos casar. 

Porque sim. 

E mais não digo.

Inconformada com a minha situação profissional tão longínqua e algo perigosa, não descansou a já então minha esposa e logo depois mãe do nosso primeiro filho enquanto não me convenceu a mudar de rumo. Teve, para essa sua vitória, a cumplicidade da sogra e senhora minha mãe que também não se conformava que "o seu Zéi "andesse" lá debaixo do chão como as toupeiras". 

- Nã morreste na guerra, vais morrer algum dia nesse malçoado buraco! 

Sentenciava prudentemente, cada vez que eu cá vinha. 

Conseguiram. Saí de um buraco escuro e lamacento para ingressar numa profissão nunca antes imaginada e cujas mentalidades na altura (1974/1979) eram mais bafientas e cheias de mofo que as galerias das minas onde labutara durante cinco felizes anos. Aguardava-me um sem fim de dificuldades, armadilhas, humilhações tendenciosas para me desmotivarem e fazerem desistir.

Não foram capazes. Ou melhor dizendo. Não tiveram tomates para isso. Pelas boas, sou capaz de dar a camisa. Pelas tortas, não admito que ninguém seja mais torto que eu. Em vez de desanimar e de desistir como eles queriam, agarrei-me às matérias com unhas e dentes e arranquei as melhores notas do curso do primeiro ao último teste. 

A seguir concorri ao curso de cabos e depois ao de sargentos.

Foi a resposta que me propus e empenhei dar, a quantos acharam que eu seria um alvo fácil de abater. 

E cheguei lá. Por mérito próprio.

A duras penas, mas cheguei. 

Na noite em que o Lusitânia-Comboio-Hotel me trouxe de Santa Apolónia para casa já com o Diploma de Encarte de Sargento da Guarda Nacional Republicana na pasta, chorei até o dia nascer abraçado à minha aflita companheira que não estava nada à espera de me ver assim e só sussurrava para me acalmar: 

- Pronto, pronto, não chores mais! 

Não tive ajudas nem favores de ninguém, a não ser a impagável ternura e paciência desta admirável mulher e mãe que ficou sozinha em casa a cuidar de dois meninos pequenos durante três longos e consecutivos anos - um do curso de cabos e dois do curso de sargentos - longe da nossa família e também sem ajudas nenhumas, porque eu chegava nas sextas-feiras à uma e meia da madrugada para voltar a partir nos domingos às seis e meia da tarde.

No fundo, terá sido também uma conquista sua, por ter sido ela que me meteu naquelas "alhadas" quando me convenceu a sair das Minas para entrar na GNR. Caminhamos por isso mesmo juntos, cúmplices e amigos, há já cinquenta e cinco anos. Nem tudo terão sido rosas, mas nem tudo foram também espinhos.

Como em todos os caminhos de todas e quaisquer vidas. 

Das nossas e das vossas.

Caminhar juntos é isso mesmo. Dias muito bons, dias assim-assim, e dias menos bons. Mas nesse caminho não se deve nunca parar. Nem desistir. Há que seguir caminhando, tentando vencer um a um, todos os obstáculos. 

Sempre!

Prestem agora um bocadinho mais de atenção à foto que ilustra este "escrito". Vamos, eu e a minha companheira a caminhar juntos, de costas para quem nos fotografou casualmente, por sua iniciativa e sem nós nos apercebermos, completamente descontraídos, tranquilos, em paz com a vida e com o mundo inteiro, sobre uma das pontes que une as duas margens do Rio Tâmega na Cidade de Chaves. 

A harmonia que nos acompanhava era de tal modo perfeita que... reparem bem... caminhávamos ao lado um do outro... com o passo certo! 

Pura casualidade? 

Talvez! 

Mas também há quem diga que... 

... nada acontece por acaso.

Será?

José Coelho

sábado, 28 de março de 2026

Uma pedra só, não faz parede

16 de julho - o único dia do ano em que a igreja se enche de fiéis
Sabendo que a meia dúzia de pessoas que costuma vir à missa só chega perto da hora, fui um bocadinho mais cedo para a igreja. Pude assim estar alguns minutos a sós com a Senhora do Carmo, com o Santíssimo no Sacrário e com as imagens que os acompanham na nave: a Rainha Santa Isabel, a Senhora de Fátima, São José com o Menino, o Menino Jesus de Praga, a Senhora da Conceição e, no baptistério, o velho São João Baptista que preside a todos os batizados nesta igreja desde 16 de julho de 1943 - e ao meu também há 74 anos - depois ao das minhas irmãs mais novas, ao dos meus filhos e mais recentemente ao das minhas netas.
Neste santo templo casaram os meus pais, casámos eu e as minhas irmãs, casaram também os meus filhos e uma sobrinha. É impossível não me sentir bem aqui. Para além de Casa de Deus e da Senhora do Carmo, é o lugar onde guardo algumas das memórias mais queridas da minha vida – como sucede com tantos Beiranenses que vivem longe mas continuam espiritualmente ligados a este espaço.
A devoção à Senhora do Carmo mantém-se viva e prova disso é a sua festa anual que continua a trazer gente de todos os cantos do mundo para onde a vida os levou depois do encerramento do velho e querido Ramal de Cáceres que os deixou sem o seu ganha-pão por cá.
Com o passar do tempo fui percebendo que a Beirã se ia esvaziando e que a Paróquia acompanhava esse movimento. Sem pessoas não há comunidade e a falta de presbíteros, embora importante, nunca foi tão decisiva como a diminuição dos fiéis. Os que por cá ficámos temos procurado manter viva a vida paroquial apesar das dificuldades agravadas pela morte inesperada do Padre Luís Marques que alterou tudo de forma profunda.
Se já éramos poucos aos domingos, aos sábados ficámos ainda menos. Há muitas celebrações - a maior parte delas - em que somos apenas seis ou sete.
É a realidade.
Foi sobre tudo isto que em silêncio refleti este sábado, antes de abrir as portas da igreja e preparar o ambão para as leituras. Os paramentos já estavam prontos na sacristia e as alfaias no altar, colocadas pela minha Maria Coelho que semana após semana assegura tudo isso que antes era tarefa dos acólitos.
A verdade é simples: sacrificando a missa dominical que passou a ser vespertina aos sábados, o Senhor da messe providenciou, um pastor e a forma possível para que a celebração continuasse.
Não é pois, a falta de padres que deixa vazia a igreja.
É a falta de pessoas.
E como dizia o meu pai, uma pedra só não faz parede.

O dia que decidimos deixar de explicar-nos


Chega um dia na vida em que compreendemos que o silêncio consegue ser mais sábio do que muitas palavras. Não se trata apenas de cansaço diante das repetidas tentativas de nos explicarmos, mas de maturidade para reconhecermos que nem sempre os outros estão dispostos a ouvir ou a compreender o que dizemos.
Com o tempo percebemos que, quem realmente quer entender o que vai no nosso coração, sente-o, porque a empatia fala mais alto do que muitas explicações. Só quem se dispõe a ouvir-nos com o coração e não apenas com os ouvidos consegue perceber além das palavras. Para esses, basta um olhar, um gesto, uma presença silenciosa.
Pelo contrário, quem não está aberto a compreender-nos nunca nos ouvirá, por mais que nos expliquemos, detalhemos ou insistamos. As palavras tornam-se vãs diante de corações fechados. E é justamente nesse momento que aprendemos a deixar de lado a necessidade de nos justificarmos, de procurar aprovação ou entendimento onde manifestamente eles não existem.
A maturidade ensina-nos que devemos respeitar os nossos limites e cuidar da nossa paz. A escolhermos com sabedoria onde investir a nossa energia emocional. Por isso, sabermos parar de nos explicarmos não é uma desistência, mas sim um sinal de crescimento e de respeito por nós próprios.
Em vez de insistirmos em ser compreendidos por todos, aprendemos a valorizar apenas quem realmente se importa e consegue captar o que sentimos, mesmo no silêncio. Assim seguimos em frente mais leves e mais certos de que o entendimento verdadeiro nasce do sentir, não apenas do ouvir.

Texto e foto

É já hoje


Não se esqueçam que nesta noite de sábado, 28 de março, para domingo, 29 de março de 2026, à 1h da manhã, os relógios adiantam para as 2h. Menos uma hora de sono, mas em troca, teremos mais tempo de luz solar para desfrutar dos dias mais longos. Os smartphones e outros dispositivos electrónicos atualizam automaticamente a hora.

Bom fim de semana


 Por vezes temos de esquecer o que sentimos,
para lembrar o que merecemos.