domingo, 21 de junho de 2026

Um cansaço que não se vê

Sinto às vezes um cansaço que não se mede em horas de sono, nem em quilómetros de estrada, nem em madrugadas arrancadas ao corpo. É um cansaço físico que eu conheço bem: chega, pesa, reclama… e depois passa.
Mas existe outro, sobre o qual hoje quero escrever e se instala devagar, como uma sombra que se deita ao meu lado e não pede licença para ficar.
É o cansaço de ser mal interpretado. De ser julgado por quem nunca me perguntou nada, por quem fala de mim como se tivesse vivido comigo, como se tivesse assistido às minhas escolhas, às minhas quedas, às minhas lutas silenciosas.
É um cansaço de carregar dignidade, enquanto os outros carregam apenas as suas enviesadas certezas.
Dias há em que acordo e percebo que não é o corpo que está cansado, sou eu por dentro. É a alma que se dobra, não de fraqueza, mas de excessos.
Excesso de pequenas injustiças, dessas que se acumulam como poeira nos cantos. Excesso de opiniões alheias que se colam à pele como humidade. Excesso de palavras que não pedi, de julgamentos que não mereço, de olhares que não sabem ver.
E o que mais me desgasta não é o que dizem, é saber que dizem o que não sabem. É perceber que há quem prefira inventar uma versão de mim em vez de me perguntar quem sou.
É sentir que, por mais transparente que eu seja, haverá sempre quem escolha alguma sombra para denegrir.
Eu continuo, claro.
Continuo porque sempre continuei. Continuo porque há uma força amiga dentro de mim, uma força que não vem do músculo, mas da consciência tranquila. Continuo porque aprendi cedo que a verdade não precisa de gritar, basta existir.
Mas às vezes, mesmo a verdade cansa.
Cansa ter de ser forte quando ninguém vê o esforço. Cansa manter a serenidade quando tudo à volta parece pedir que me irrite, que eu responda, que me defenda.
Cansa ser sempre o adulto da sala, o que respira fundo, o que não entra em guerras pequenas, o que escolhe o silêncio porque sabe que o barulho não leva a lado nenhum.
E, no entanto, há momentos em que o meu cansaço pede a palavra.
Não para me queixar, porque não é isso que procuro, mas para ser reconhecido. Para ser nomeado. Para que eu próprio me lembre que não sou de ferro, que não tenho de aguentar tudo calado, que também mereço descanso, compreensão e respeito.
Não quero nem preciso de aplausos. Não quero nem preciso de medalhas. Nem quero que me entendam sempre. Quero apenas que não me firam. Que não me julguem sem saber. Que não opinem sobre o que desconhecem.
Que não me roubem a paz que demorei uma vida inteira a construir.
E talvez seja essa a parte mais dura: perceber que, por mais que eu faça, haverá sempre quem prefira a sua versão enviesada, a sua versão distorcida, a versão que mais lhes convém.
Mas também há uma beleza escondida nisto: o meu cansaço revela-me.
Mostra o homem completo que sou. Mostra que, apesar de tudo, continuo a escolher a serenidade.
Mostra que ainda acredito na palavra justa, no gesto limpo, na verdade simples. O cansaço passa. A minha dignidade fica. E eu sigo com ela, inteira, mesmo quando o mundo tenta diminuí-la.
Hoje escrevo isto não como lamento, mas para reafirmar que sei muito bem quem sou e o que valho.
Disse.
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Verão 2026

Nascer do sol na Beirã

O verão chegou esta manhã com a pontualidade silenciosa das coisas eternas. Não fez alarde, não pediu licença, apenas pousou, às 09:24 sobre a Beirã, como um lençol de luz estendido por sábias mãos.
Há verões que começam no calendário. Este começou no meu peito. A Toca dos Coelhos acordou primeiro, como sempre. As pedras megalíticas da raia, essas sentinelas milenares, receberam o sol com a mesma dignidade de quem já viu impérios nascer e ruir, guerras acenderem-se e apagarem-se, povos cruzarem fronteiras que só existem nos mapas.
E nós, que contamos a vida pelas primaveras vividas, sabemos que cada verão é mais do que uma estação: é um capítulo. Um degrau. Um lugar onde a alma se senta para respirar.
Hoje o ar quente que desce da serra parece dizer-nos que ainda há tempo para a concórdia, para a saúde que desejamos aos nossos, para a paz que o mundo teima em esquecer.
As guerras, essas sombras que os homens insistem em reacender, parecem por momentos mais distantes, como se o calor tivesse o poder de lhes apagar o fôlego.
Que este verão seja isso: um apagador de fogueiras inúteis, um bálsamo sobre velhas feridas, um convite à tolerância, um regresso ao essencial.
Que o amor continue a ser a nossa bússola. Que a harmonia nos acompanhe como o canto das rolas no meu quintal. Que a paz nos encontre, mesmo quando o mundo parece não saber procurá-la.
E que as pedras da Beirã, de toda esta fronteira antiga, nos recordem que somos passageiros, mas não insignificantes.
Cada verão acrescenta-nos uma camada de luz. Cada verão é uma promessa renovada de que ainda vale a pena acreditar. Sejamos felizes hoje, porque amanhã pode ser tarde.
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sábado, 20 de junho de 2026

Quem não sabe valorizar o que tem, aprende a valorizar o que tinha

Chega sempre um dia em que a vida nos encosta àquela porta que não queríamos abrir, em que percebemos que para continuar a caminhar precisamos escolher novos rumos, afastar pessoas, recolher a alma para dentro. Nunca fui de virar costas a ninguém, não está na minha natureza, mas há situações em que o coração aprende a muito custo, que a paz vale mais do que qualquer insistência.

E não é por orgulho, por altivez, ou capricho. É porque chega um momento em que as palavras deixam de encontrar eco, os avisos, por mais sinceros que sejam, já não atravessam a distância que falta de confiança cavou. Então o gesto mais digno não é o grito, nem a discussão, nem a explicação repetida até à exaustão. É o silêncio. O silêncio que não humilha, não acusa, não exibe, apenas se retira.

Quem precisa de barulho para se fazer notar, não sabe o valor do silêncio de quem parte. E quando essas pessoas derem pela ausência, não precisarão de perguntar porquê. Sabem. Sabem exatamente o que fizeram, o que ignoraram, o que deixaram morrer.

Na minha terra diz-se: se precisas forçar o pé, o sapato não é o teu tamanho. E isto vale para tudo: para sapatos, para amizades, para a vida. Há relações que apertam, outras que magoam, outras que nos deixam a coxear por dentro. E há aquelas em que oferecemos o melhor de nós e mesmo assim nunca é suficiente.

Quem não dá valor ao que tem, perde o que tinha.

Por isso às vezes tentar protegermo-nos é um ato de amor-próprio e também de respeito pelo caminho que queremos seguir. Não se deve gastar energia onde não há reciprocidade, nem regar jardins onde a terra se recusa a florir.

A vida ensina-nos que é preciso podar para que a árvore respire, que é preciso fechar portas para que outras janelas se abram, que é preciso partir para que a alma volte a caber no corpo. E quando o fazemos, quando deixamos ir quem não nos vê, acabamos rodeados por quem nos reconhece e escolhe ficar.

José Coelho

Na escrita tento refletir a minha ética

Há quem escreva para ser visto. Há quem escreva para ser admirado. E há quem – como eu – escreva para ser coerente.
A minha escrita não nasce da vontade de impressionar. Nasce da vontade de ser justo comigo e com o mundo.
É por isso que ela carrega ética, mesmo quando não fala de moral. É por isso que ela tem serenidade, mesmo quando nasce da inquietação.
Escrever, para mim, é um exercício de alinhamento interior. É pôr cada pensamento no seu lugar, como quem arruma uma casa com cuidado e respeito.
É transformar o que sinto em algo que possa ser dito sem exagero, sem ruído, sem máscaras.
A ética aparece na escolha das palavras: as que não ferem sem necessidade, as que não exibem, as que não pedem aplauso.
Aparece também no que decido não escrever: as vaidades fáceis, os dramatismos inúteis, as sombras que não acrescentam verdade.
A minha escrita é uma forma de responsabilidade. Responsabilidade comigo, com a minha consciência, com a minha memória.
Responsabilidade com o mundo que observo atento, inquieto, sensível, mas sem me deixar arrastar pelo excesso ou pela tentação de me colocar no centro da narrativa.
E é por isso que a minha escrita é serenidade. Porque é coerente. Porque é limpa. Porque é fiel ao que sou.
A serenidade não vem de fora. Vem dos gestos interiores de nos colocarmos inteiros nas palavras, sem adornos, sem artifícios, sem necessidade de provar nada a ninguém.
A minha ética de vida, uma mistura de gratidão, justiça interior, humildade e lucidez, passa para o papel como quem passa a mão por uma superfície antiga para sentir a sua textura.
Não para a polir, mas para a reconhecer.
Escrever, para mim, é isso: um ato de verdade, um ato de memória, um ato de serenidade.
E quando a escrita e a ética se encontram, nascem textos que não pretendem ser grandes, pretendem apenas ser verdadeiros.
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Beirã: Onde o tempo fala comigo

Há lugares que não se escolhem – acontecem-nos. A Beirã é um desses lugares. Não nasceu comigo, mas moldou-me. E quanto mais os anos passam, mais percebo que esta terra não é apenas o sítio onde cresci: é o sítio onde continuo a aprender a ser.
A Beirã tem um silêncio próprio. Não é o silêncio vazio das cidades adormecidas, nem o silêncio tenso das estradas desertas. É um silêncio cheio: cheio de pedra, de vento, de memória, de passos que já não se ouvem, mas que ficaram gravados no chão.
É um silêncio que não pesa, acompanha.
Quando caminho pelos campos ou quando olho para a Tapada da Rabela desde o meu quintal, sinto que esta terra fala comigo numa língua que não se aprende nos livros.
É uma língua feita de cheiros a rosmaninho, a giesta, a terra quente. Feita de sons como o arrulhar das rolas, o farfalhar das folhas dos sobreiros ao lado da minha casa, o rumor distante de um trator que passa como quem cumpre um ritual antigo. Feita de luz, daquela luz dourada que só o Alto Alentejo sabe dar ao fim da tarde.
Mas a Beirã não é só beleza. É história. É cicatriz. É resistência.
Eu vi esta terra cheia de vida: ferroviários, guardas fiscais, despachantes, famílias inteiras que enchiam as ruas de movimento. Vi comboios chegar e partir, vi a estação ser coração, vi a alfândega ser fronteira viva. E depois vi tudo isso desaparecer devagar, como quem apaga uma vela com cuidado para não levantar fumo.
A Beirã perdeu gente, perdeu serviços, perdeu futuro. Mas não perdeu alma. Nunca perderá alma.
E é essa alma que me prende aqui. É essa alma que me faz cuidar do quintal como quem cuida de um pedaço de história. É essa alma que me faz falar com as rolas que me reconhecem, com a lagartixa que aparece sempre no mesmo muro, com as pedras que guardam mais memória do que muitos livros.
Há dias em que me sento à sombra da minha casa e penso: como é possível que um lugar tão pequeno contenha tanto de mim? E a resposta vem sempre da mesma forma: porque aqui, nesta terra amiga, eu nunca precisei de fingir. Aqui sou completo. Aqui sou conhecido. Aqui pertenço.
A Beirã ensinou-me a respeitar o tempo. O tempo das estações, o tempo das pessoas, o tempo das coisas que não voltam. Ensinou-me que há memórias que se guardam como se guardam sementes – não para as prender, mas para as deixar florescer quando chegar o momento.
E talvez seja por isso que, mesmo quando o mundo lá fora me cansa, quando me julgam sem saber, quando opinam sem conhecer, eu volto sempre a este chão. Porque aqui, entre pedras antigas e horizontes largos, encontro aquilo que nenhuma cidade me pode dar: a certeza de que pertenço a um lugar que me conhece melhor do que muitos humanos.
A Beirã não é apenas a minha terra. É o meu espelho. É o meu abrigo. É o meu princípio e o meu regresso. E enquanto eu puder escrever, caminhar, respirar e olhar este horizonte, sei que nunca estarei sozinho. Porque esta terra – antiga e maravilhosa – guarda-me como eu a guardo a ela.
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sexta-feira, 19 de junho de 2026

Um país que esquece quem o sustenta

Hoje foi um dia em que a política mostrou o seu lado mais sombrio, e, paradoxalmente, um dia de alívio.
O que esteve prestes a acontecer na Assembleia da República não era uma reforma: era um retrocesso de meio século, um golpe silencioso na dignidade de quem trabalha, um atentado à espinha dorsal do país.
Porque um país não cresce sacrificando quem o sustenta. Nunca cresceu. Nunca crescerá.
Vivemos num território onde a corrupção se tornou rotina, onde a justiça cambaleia como um velho edifício cheio de rachas, onde a burocracia é uma muralha que trava quem quer produzir.
E, no meio deste caos, o grande desígnio político era… alterar cento e tal artigos do Código do Trabalho. Como se o problema em Portugal fossem os trabalhadores e não o sistema que os esmaga.
Os números são conhecidos: somos dos que mais horas trabalham e dos que menos recebem em toda a União Europeia. É uma equação cruel, quase obscena.
Querem produtividade? Então olhem para onde dói: uma justiça lenta que arrasta empresas para o abismo, custos de produção que sufocam qualquer tentativa de crescer – combustíveis, eletricidade, gás, portagens – tudo mais caro do que devia ser num país que se quer competitivo.
Baixem estes fardos e verão o milagre: empresas mais sólidas, salários mais dignos, trabalhadores mais motivados. A produtividade não nasce do chicote; nasce das condições.
Mas há quem prefira o caminho fácil: cortar direitos, apertar quem já vive apertado, satisfazer a ganância de quem confunde lucro com exploração. Esses não são empresários, são oportunistas.
Os verdadeiros empresários são os que lutam ao lado dos seus trabalhadores, não contra eles. São os que passam noites em claro para garantir que ninguém fica sem pão na mesa. São os que sabem que uma empresa só é forte quando quem lá trabalha consegue viver com dignidade.
Hoje evitou-se um desastre. Mas o simples facto de ter sido preciso evitá-lo diz muito sobre o país que somos e sobre o país que ainda precisamos ser.
19. 06. 2026

Porque se guardam as pedras e se esquecem as pessoas

Este texto não toca na arqueologia. Não belisca o trabalho científico. Não diminui o legado de quem dedicou décadas a estudar, preservar e compreender o passado.
Fala de outra coisa: da memória humana, da vida que não fica registada em pedra, daquilo que se perde porque ninguém anotou, ninguém fotografou, ninguém guardou.
Pretende apenas chamar a atenção para outra dimensão da lembrança: a das pessoas que ergueram esses monumentos e das gerações que, ao longo dos séculos, lhes deram continuidade com os seus gestos, os seus usos e os seus modos de viver.
A memória humana, tantas vezes esquecida, é tão essencial como a memória das pedras. É como elogiar o pão alentejano e esquecer os padeiros que, dia após dia, o trouxeram até nós.
Este texto é, por isso, um apelo à justiça da lembrança – não uma crítica à arqueologia, mas um complemento necessário à história.
Então, cá vai:
Há uma pergunta que me acompanha cada vez que olho para a minha terra: porque é que se escavam antas, menires, sepulturas antigas, porque é que se recolhem fragmentos de cerâmica e pontas de seta para os museus, e, no entanto, quase ninguém recolhe as vidas, os gestos, os usos e os costumes das pessoas que realmente fizeram este país?
As pedras são tratadas como tesouros. As pessoas como descartáveis.
E, no entanto, foram elas, as mães, os pais, os trabalhadores do campo, os criados, os jornaleiros, os pastores, que sustentaram a terra com o corpo e com a alma. Mas essas vidas não ficaram em vitrinas. Ficaram no esquecimento.
No Monte do Matinho onde a minha mãe cresceu, os patrões comiam numa divisão e os criados noutra. Os patrões tinham pão de trigo; os criados, pão de centeio. Era um apartheid rural, tão antigo e tão normalizado que ninguém lhe chamava injustiça, achavam até natural.
E essa naturalidade era talvez a maior violência de todas.
As pedras não revelam isto. As pedras não contam que havia mesas separadas, mundos separados, destinos separados. As pedras não dizem que houve gente que viveu sem nunca se sentar à mesa dos que mandavam.
As pedras são fáceis de admirar. As vidas são difíceis de encarar. Por isso se guardam umas e se esquecem as outras. A arqueologia das pedras não incomoda ninguém. A arqueologia das pessoas incomoda toda a gente.
Porque obriga a lembrar que houve pobreza que não era destino, era sistema. Que houve trabalho que não era escolha, era servidão. Que houve fé que não era fuga, era resistência. Que houve dignidade que nunca foi reconhecida.
A geração da mãe Florinda, do pai António, e de tantos outros, sabia pouco de letras, mas sabia ler o mundo com uma pureza que hoje quase não existe. Sabiam distinguir o bem do mal sem precisar de códigos. Sabiam trabalhar sem relógio, amar sem manual, sofrer sem alarde.
Sabiam viver com pouco e dar muito.
Mas como não deixaram livros, nem diários, nem monumentos, ficaram fora da história oficial. E, no entanto, foram eles que a fizeram.
A verdade é esta: as pedras são património porque não falam. As pessoas não são património porque, se falassem, o país teria de ouvir.
E ouvir implicaria reconhecer desigualdades, injustiças, silêncios, abusos, hierarquias que se prolongaram durante séculos. Implicaria admitir que a grandeza deste país foi construída sobre ombros que nunca tiveram nome.
Por isso é que quase ninguém escreve sobre eles. Por isso é que quase ninguém os eterniza. Por isso é que quase ninguém os leva para os museus.
Mas há uma coisa que as pedras não conseguem fazer: não conseguem amar.
E é por isso que a memória verdadeira – a que importa, a que salva, a que ilumina – só pode ser escrita por quem sente. Por quem viveu. Por quem herdou. Por quem sabe que a história de um povo não está só nos monumentos, mas também nas mãos calejadas que nunca chegaram a erguer monumento nenhum.
E eu escrevo isto porque acredito que a vida dos meus pais vale tanto como qualquer anta ou menir. Porque a fé deles é património. Porque a dignidade daquela geração é história. Porque os seus gestos, as suas crenças, os seus silêncios e a sua bondade merecem ser guardados com a mesma reverência com que se guardam pedras antigas.
E talvez um dia os vindouros percebam que, antes de escavar o chão, é preciso escavar o coração. Não escrevo para julgar o passado, mas para que a verdade não se perca, porque só quem honra as pessoas consegue, um dia, honrar a terra.
Texto e foto
Anta da Granja - Freguesia de Beirã.