Vivemos num tempo em que os valores parecem ter sido empurrados para o canto mais escuro da sala. As máscaras deixaram de ser exceção e tornaram se parte da indumentária diária de muita gente. E quem ainda acredita na transparência do coração acaba, demasiadas vezes, por se magoar não por ingenuidade, mas por medir os outros pela sua própria medida.
A bondade quando é verdadeira, não é fraqueza. Mas pode ser perigosa.
Hoje há quem se mova apenas pelos seus interesses, disposto a subir degraus custe o que custar, mesmo que para isso tenha de usar atalhos duvidosos ou vantagens indevidas. Nesse cenário, a lealdade é vista como obstáculo, e as relações humanas tornam se frágeis, descartáveis, quase utilitárias.
Apesar disso, ainda existe quem insista em acreditar no ser humano: na amizade que não se vende, no amor que não se disfarça, na afetividade que não calcula. Ainda há quem continue a viver com o propósito simples – e tão raro – de ser feliz sem ferir ninguém, de ajudar sem esperar retorno, de se colocar no lugar do outro antes de julgar.
Mas essa generosidade, quando confundida com obrigação, abre espaço para abusos. E quando o abuso se repete, o coração cansa.
Pessoas positivas perdoam com facilidade, porque acreditam na capacidade de mudança. Reconstroem, recomeçam, renovam a esperança. Mas há quem receba o perdão como se fosse direito adquirido, como se todos fossem obrigados a perdoar sempre, sem limites, sem reflexão, sem mudança.
Isso não é verdade.
Ninguém pode abusar da bondade alheia indefinidamente. Há um momento silencioso, mas definitivo em que a paciência se esgota, mesmo que ainda exista amor. Pessoas boas perdoam muitas vezes, mas quando desistem… desistem por completo.
E quando esse ponto chega, não há volta, nem remendo, nem nova oportunidade. Há apenas o fim, não por falta de carinho, mas por respeito próprio.
Este é o aviso: a bondade é um dom, não uma obrigação. E quem a recebe deve saber cuidar dela.
Bom fim-de-semana, cuidem-se, sejam felizes.



