terça-feira, 30 de junho de 2026

Testemunha silenciosa

Na ampla sala de jantar da Toca dos Coelhos, a mesa repousa como um coração que continua a bater, mesmo quando já não há vozes à sua volta. A madeira, marcada por décadas de uso, guarda o brilho das tardes felizes e o peso doce das noites de festa. Sobre ela, cada prato, cada copo, cada toalha estendida parece carregar uma história, como se a família Lourenço Coelho tivesse deixado ali, sem saber, a impressão digital da sua alma.
Durante muitos anos, esta mesa foi mais do que um móvel: foi o eixo da vida familiar. À volta dela, os Lourenço pelo lado materno e os Coelho pelo paterno encontravam-se como dois rios que se juntam para formar um só. Aos fins de semana, nas festas anuais, nos aniversários, no São Martinho ou simplesmente porque sim, a casa enchia-se de gente e de calor humano.
A avó, os pais, os tios, os primos, e até aquele tio e primo solteiros que todos acarinhavam, chegavam com o mesmo à-vontade com que se entra num lugar sagrado.
E porque muitas vezes uma só mesa não bastava, juntavam-se outras, alinhadas como páginas de um livro aberto, para acolher mais de vinte comensais. Havia sempre qualquer coisa a celebrar: o vinho novo, o Natal, a vida que corria, a alegria de estarmos juntos.
As paredes, cúmplices silenciosas, guardaram o eco das gargalhadas, o rumor das conversas cruzadas, o tilintar dos copos, o cheiro do assado que vinha da cozinha. Guardaram também a integridade desta família – uma integridade rara feita de honestidade, trabalho, respeito e uma forma de bondade que não se aprende nos livros, mas no exemplo.
Com o tempo, a casa foi ficando mais quieta. A avó, os pais, os tios, os primos, e até a irmã mais velha, partiram um a um, como estrelas que se apagam no céu, mas continuam a brilhar na memória. Os filhos casaram, seguiram o seu caminho, e o casarão ficou entregue ao José Manuel e à Maria Manuela, guardiões de um património afetivo que não se mede em metros quadrados, mas em profundidade.
Hoje a mesa permanece. Já não como palco de grandes celebrações, mas como testemunha silenciosa de tudo o que foi. E talvez seja essa a sua maior beleza: mesmo sem vozes, continua cheia. Cheia de lembranças, de cheiros antigos, de rostos que já não se sentam, mas permanecem.
A Toca dos Coelhos tornou-se o cofre forte da história familiar, e, como todos os cofres, guarda tesouros que brilham mais na memória do que na luz. E nesta sala onde o tempo agora caminha devagar, a mesa continua a cumprir a sua missão: lembrar.
Lembrar a união, a integridade, a alegria simples, a força discreta de uma família que soube viver com verdade. Lembrar que o amor, quando é genuíno, não desaparece, transforma-se em silêncio bom, em nostalgia serena, em presença invisível que acompanha quem ficou.
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segunda-feira, 29 de junho de 2026

O fado da velhice

A velhice chega devagar, como quem não quer incomodar. Primeiro, muda o ritmo dos passos. Depois, altera a forma como o corpo acorda. Mais tarde, instala pequenos rituais: três comprimidos logo pela manhã antes do café com leite e duas torradas de pão de mistura, no cuidado silencioso de quem sabe que cada gesto destes é uma forma de continuar.
No entanto, a velhice não é só isto. A velhice é um fado, não no sentido triste e magoado, mas no sentido inevitável e profundo. É a canção que a vida canta quando já vivemos o suficiente para compreender que tudo o que parecia urgente afinal era secundário, e tudo o que parecia pequeno afinal era essencial.
O fado da velhice não se aprende: revela-se.
Revela-se quando o corpo pede calma.
Revela-se quando a memória se torna mais viva do que o presente.
Revela-se quando o amor – como o da minha Maria Manuela a chamar-me para o pequeno-almoço – se transforma na maior riqueza que alguém pode ter.
Revela-se quando a rotina deixa de ser obrigação e passa a ser abrigo.
Há uma dignidade profunda em tomar os comprimidos da manhã. Não é fraqueza, é sabedoria. É o reconhecimento humilde de que o corpo, depois de tantos anos de serviço, merece cuidado.
E há uma beleza silenciosa em continuar a viver com gratidão, mesmo quando o corpo já não acompanha a alma com a mesma velocidade.
A velhice é isto: um corpo que abranda, uma alma que amadurece, um coração que aprende a agradecer.
É verdade que há dores, limitações, cansaços. Mas há também uma luz que só aparece nesta fase da vida: a luz da consciência plena. A luz de quem olha para trás sem arrependimentos e para a frente sem ilusões, mas com serenidade.
O fado da velhice é o fado de quem já viu o suficiente para saber que a vida é breve, mas bela; dura, mas justa; exigente, mas generosa. É o fado de quem aprendeu que cada manhã é uma bênção, mesmo quando começa com comprimidos, mesmo quando o corpo protesta, mesmo quando o tempo corre mais depressa do que nós.
E, no meio de tudo isso, há algo que nunca envelhece: a capacidade de amar, a capacidade de recordar, a capacidade de agradecer, a capacidade de se comover.
O fado da velhice é renascer cada dia, é viver com lucidez, humildade e gratidão. A velhice não é o fim, é o capítulo mais sábio da nossa vida.
É o fado mais profundo e verdadeiro.
E eu tento cantá-lo com dignidade.
Tenham uma excelente semana de saúde, de trabalho, de velhice e de paz.
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domingo, 28 de junho de 2026

Um fim de tarde em que a Beirã voltou a ser menina

Ontem vivi um daqueles finais de dia que não se repetem, mesmo que a rotina tente imitá-los. Foram momentos em que a minha Beirã ficou suspensa num fio de luz antiga, como se o tempo desse um passo atrás para nos lembrar que ainda sabemos ser comunidade.
E foi assim inesperado, sereno, cheio de gente e de memórias.
Ao contrário da maior parte das eucaristias vespertinas semanais, desta vez a igreja estava quase cheia. Recebemos um pároco francês que veio ocasionalmente substituir o padre Marcelino. Pessoa simples, afável, ainda a aprender a música da nossa língua, mas logo encantado com a beleza da igreja e com o nosso acolhimento.
Vi nos seus olhos aquele brilho de quem descobre um lugar que o recebe como se fosse um filho regressado.
Fui o seu anfitrião, com serenidade, respeito e aquele cuidado que se tem quando se representa a comunidade onde se nasceu. Sem discursos, sem cerimónias. E porque o rev.º Marcelino me informou o seu nome, apenas pronunciei: “Seja muito bem vindo, senhor padre Ponciano e que esta seja a primeira de muitas vezes que nos visita.”
Às vezes, acolher é só isto.
A missa decorreu com a naturalidade das coisas que não precisam de ser perfeitas para serem belas. E quando terminou, ninguém teve pressa de ir embora. Ficámos no adro da igreja, palco antigo onde tantas vidas se cruzaram com as nossas, onde tantas conversas se acenderam ao longo das décadas. A luz do fim de tarde pousava nas paredes como quem se despede devagar, e nós ficámos… até quase às nove da noite.
A minha companheira de vida era a mais moça no homogéneo grupo. Falámos das nossas peripécias, da sã ingenuidade, da felicidade simples que nos acompanhou na juventude. E uma das amigas presentes agora muito perto dos 80, recordou como, com as amigas, juntavam as moedas de todas para uma Laranjina C que repartiam, e ainda sobrava qualquer coisa.
E também aquela dos sapatos que estavam a consertar na oficina do sapateiro, mas foram usados – às escondidas do mestre – para um traje de Carnaval? E não foi que os “mascarados” se cruzaram com a dona dos sapatos, que, ao vê los naqueles pés, comentou: “Olha! Se não soubesse que os tinha a consertar, dizia que eram os meus…”
Rimos à gargalhada com a lembrança desta e de outras peripécias que, de tão insignificantes, afinal foram enormes, porque quase oitenta anos depois continuam vivas na memória de quem as protagonizou. Naquele tempo, a felicidade cabia numa minúscula laranjada partilhada, nuns sapatos indevidamente usados sem qualquer maldade. E bastava.
Essa querida amiga é exatamente a mesma que, num outro final de missa, se aproximou de mim para elogiar as escritas que lê muitas vezes — disse — porque a transportam à sua, à nossa juventude, devolvendo lhe o cheiro das tardes antigas, ao sabor da Laranjina, ao riso das amigas, ao tempo em que tudo era tão pouco mas suficiente.
Escrevi, nessa altura, um texto sobre esse diálogo que anda por aqui publicado, porque, ouvir aquilo, foi para mim mais do que um elogio: foi uma responsabilidade acrescida.
Percebi que o que escrevo não são apenas textos. São memórias. São pontes entre o passado e o presente. São casa. E que na comunidade há quem se reconheça nas minhas palavras, porque são feitas da mesma matéria que nos fez a todos: verdade, simplicidade e saudade da boa.
No adro da igreja, a noite, entretanto, já se debruçava sobre nós, quando a minha irmã Joaquina surgiu na sua carrinha, para cumprir o seu gesto diário de generosidade: levar o jantar a quem dele necessita e de quem ela cuidaa como filha dedicada. Já depois da missa tinha ido a casa preparar o jantar e voltava agora, com passos tranquilos, para entregar ao “seu” velhinho o que, para ele, é muito mais do que comida: é companhia, é cuidado, é vida.
Quando chegou ainda nos encontrou ali reunidos, como se o adro fosse sala de estar e o tempo tivesse decidido não avançar. E as “moças” do grupo, com aquela graça antiga que só a idade sabe aperfeiçoar, disseram lhe: “Vai lá Joaquina, dá o jantar ao tio João e depois vem aqui também trazer o nosso…”
Rimo-nos todos. Rimo-nos com aquela alegria que não precisa de explicação, porque nasce da cumplicidade de décadas. E naquele instante percebi que a Beirã não é apenas o lugar onde vivemos, é também o lugar onde nos cuidamos.
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A dignidade não se negocia

Na vida, tudo acontece no tempo que lhe pertence. Nem antes, nem depois. E por mais que tentemos antecipar o que aí vem, há sempre um instante que nos escapa, aquele em que o imprevisível decide entrar pela porta sem pedir licença.

Fui educado a acreditar que as pessoas são, como nós, bem‑intencionadas. A confiar primeiro, a duvidar só quando a vida obriga. É natural: quem cresce rodeado de exemplos firmes aprende a ver o mundo com olhos limpos. A minha família não tinha pergaminhos, mas tinha algo maior: princípios que se transmitiam sem discursos, apenas pelo modo de estar.

Bondade, honestidade, educação, respeito. Valores simples, mas tão exigentes que, quando vividos a sério, iluminam tudo à volta.

Ao longo do caminho encontrei de tudo. Do melhor, que felizmente foi muito; e do pior, que apesar de menos frequente, deixou marcas profundas. Não guardo rancores, só memórias arrumadas no sótão da alma, com pequenos marcadores para quando preciso reaprender a superar a dor.

Porque ela volta, sempre volta, com novos rostos e novas palavras, mas com o mesmo amargor antigo.

Há almas onde nada floresce. Não por culpa das sementes, mas pela aridez do terreno. Diplomas, títulos, erudição, nada disso corrige o que nasce torto no coração. E por mais que nos custe aceitar, há pessoas que não se deixam tocar pela bondade, nem pela educação, nem pelo respeito que para nós são invioláveis.

Ainda assim, não desisto. Acredito num mundo mais justo, mesmo sabendo que não o mudarei sozinho. As minhas capacidades podem não ser vastas, mas são verdadeiras. E são herança daqueles a quem devo tudo: os que me ensinaram que a dignidade humana não se negocia, vive‑se.

É isso que procuro fazer, todos os dias.

José Coelho

sábado, 27 de junho de 2026

Quando percebi que não caminhava sozinho

Na nossa vida surgem momentos em que o mundo parece tão grande que quase nos engole. E, no entanto, mesmo nesses instantes, eu nunca me senti totalmente sozinho. Não porque Deus me tirasse do perigo, mas porque sempre O senti ao meu lado, silencioso, presente, sem trocar destinos nem escrever tragédias para uns e milagres para outros.
Um desses momentos foi no Maiombe.
Era um dia como tantos outros, com a selva a respirar aquele calor pesado que nos fazia sentir pequenos. A escala de serviço tinha-me nomeado para acompanhar uma coluna auto do Belize até à praia de Lândana como operador rádio, para garantir comunicações enquanto se trazia areia para as obras de conservação do aquartelamento.
Preparava-me para partir quando o camarada Borges, da Afurada - homem de mar, filho de pescadores - me pediu, quase suplicou, para ir no meu lugar. Queria ver o “seu” mar. Aquele mar que lhe corria no sangue e que a guerra lhe tinha roubado.
Fui falar com o oficial de transmissões e nosso comandante. Ele autorizou. E lá foi o Borges, feliz como um miúdo que volta à casa da infância.
Eu fiquei. E ele não voltou.
Perto do Dinge, a Berliet onde seguia despistou-se. O Borges foi ferido com gravidade, evacuado para Luanda e depois para Lisboa. Durante anos carreguei um peso que não era meu, a culpa de lhe ter cedido o lugar. Mas a verdade é simples: eu não tinha mar dentro de mim. Ele tinha. E eu apenas quis ser generoso.
A minha fé nunca me permitiu acreditar num Deus que tira um filho para salvar outro. Tenho dois filhos e daria a vida por ambos. Não consigo imaginar um Pai que fizesse diferente. Por isso, nunca vi o Borges como alguém que “foi no meu lugar”.
Vi-o como alguém que seguiu o seu caminho, duro e injusto, mas seu. Soube depois, já em casa, que recuperou e voltou à Afurada, à mulher, aos filhos. Nunca mais o vi. Mas nunca o esqueci.
Mas houve outras vezes.
As Minas da Panasqueira, por exemplo. O Zé Maria, meu mestre marteleiro, homem que ria do perigo e fazia troça dos meus medos. Eu era novo, ele era experiente. Ele brincava com a morte como quem brinca com uma ferramenta.
Três meses depois de eu ter ingressado na GNR, um liso cedeu. A mina fechou-se sobre ele. E o Zé Maria ficou lá.
Quando soube, senti o chão fugir. Não por estar vivo, mas por não ter estado ao lado dele naquele dia. O medo não desapareceu, mas a gratidão também não.
E é aqui que entra aquilo que eu chamo Deus.
Não o Deus que escolhe quem vive e quem morre. Não o Deus que troca destinos como quem troca cartas. Mas o Deus que nos acompanha. Que respira connosco. Que nos dá força para carregar o que não entendemos. Que nos ensina a aceitar sem nos resignarmos. Que nos permite chorar sem perdermos a fé. Que nos mostra que a vida é feita de caminhos que não controlamos, mas que podemos honrar.
Por isso digo, com a serenidade que só os anos dão: Eu nunca estive sozinho. Nem no Maiombe. Nem no Dinge. Nem na Panasqueira. Nem na vida.
A fé, as dúvidas e a gratidão que carrego, não são sinais de fraqueza. São sinais de que, mesmo quando o mundo me assustou, eu senti sempre uma presença ao meu lado discreta, silenciosa, firme, que sempre me ajudou a continuar.
A presença que me acompanha até hoje.
Texto e foto.
27. 06. 2026

sexta-feira, 26 de junho de 2026

Uma solidão que ilumina

Existe uma solidão que não fere – ilumina. E há momentos em que o silêncio não é falta, é força. E é nessa força tranquila que percebemos que estarmos sós, nunca foi sinónimo de estarmos abandonados.
Quantas vezes a vida nos empurrou para caminhos longos, bolsos vazios e tardes inteiras de campo aberto. Quantas vezes a noite nos encontrou ainda longe de casa.
E mesmo assim, nesses passos solitários, aprendemos a ouvir aquilo que o ruído do mundo nos rouba: a nossa própria verdade.
A solidão boa é um lugar onde o coração respira, onde a alma se ajeita, onde o passado deixa de doer e passa a ensinar. É o regresso ao que somos, ao que fomos, ao que ainda podemos ser.
Neste fim de semana, desejo que cada um de vós encontre um bocadinho dessa solidão luminosa, daquela que não pesa, que não assusta, que não fecha portas.
Daquela que nos lembra que nunca estamos realmente sós quando estamos em paz conosco.
Que seja um tempo de harmonia, de silêncio fértil, de reencontro. Porque o silêncio, quando é casa, sabe sempre acolher.
Bom fim de semana Família & Amigos.
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A luz que permanece em mim

Às vezes dou por mim a esquecer coisas que sempre estiveram comigo. Pequenos detalhes, nomes que antes vinham sem esforço, palavras que sempre me acompanharam e que agora, de vez em quando, parecem esconder-se atrás de uma porta que não sei abrir.
E quando isso me acontece no ambão, com o microfone à frente, com a assembleia a olhar, com o salmo que cantei a vida inteira… a verdade é que o coração dispara. Sinto-o bater como se quisesse avisar-me que o tempo está a mudar de forma, em mim.
Mas mesmo assim, eu subo. Subo sempre. Porque há qualquer coisa que ainda sabe o caminho, mesmo quando a memória tropeça.
E, quando volto para o meu lugar, com o relógio no pulso a acender o alarme vermelho, e vejo aqueles números a subirem acima das 145 pulsações por minuto, sorrio por dentro. Não porque não tenha medo, porque tenho. Mas porque, apesar do medo, continuo a ser eu.
Continuo a ser luz para alguém. Continuo a ser presença. Continuo a ser voz.
A caminhar para os 75 sinto as capacidades a descerem devagar, como o sol que se põe sem pressa. Mas também sinto o aumentar de uma claridade que não depende da memória. Uma certeza que não se explica, mas que se reconhece.
Eu sei que deixei rasto. Sei que toquei vidas. Sei que fui abrigo, que fui companhia, que fui riso, que fui mão estendida. E isso ninguém me tira.
Mesmo quando me esqueço, há quem se lembre de mim. Não pelos factos, mas pelo que lhes despertei. Pelo que lhes dei sem perceber. Pelo que ficou gravado neles como uma marca suave, mas profunda.
E quando me sento em silêncio, quando deixo o mundo abrandar, sinto uma luz a pousar dentro de mim. Não é uma luz que brilha para fora, é uma luz que repousa. Uma luz que me diz: “a tua história continua, mesmo quando não a recordas”.
E então percebo que viver com inteireza é isto: é aceitar que nem tudo fica, mas o que fica é o que realmente importa.
A parte de mim que se fez amor, permanece. A parte de mim que tocou alguém, permanece. A parte de mim que iluminou um instante na vida de outra pessoa, permanece.
E essa parte… essa parte, ninguém me tira. Ninguém esquece. Nem eu.
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