Foram três dias cheios. De serra, de gente, de fé, de mesa e de serviço. Três dias em que fui cicerone, companheiro, ensaiador, amigo.
Sem alarde, sem medalhas, sem palco. Apenas com aquela disponibilidade que não se aprende: nasce.
Dias que não se medem pelo relógio, mas pelo coração. Estive ausente daqui, é verdade, não por esquecimento, mas apenas porque a vida me chamou para aquilo que considero essencial: dizer "presente" a quem solicita apoio.
Na sexta e no sábado fui cicerone de um amigo do norte que veio conhecer Marvão. Acompanhei-o pelas localidades, pela serra, pelas ruas antigas, pelas vistas que nunca se repetem. Mostrei-lhe a minha terra como quem apresenta um lugar querido da alma.
Não houve pressa, não houve obrigação, apenas o gosto de bem receber.
Hoje, o dia foi diferente, mas da mesma natureza: serviço. Fui ao Porto da Espada, do outro lado da serra, apoiar as senhoras do coro na preparação da missa da festa da Senhora das Dores que será celebrada no dia 30.
Eu e a Maria Manuela fomos como sempre vamos: se alguém convida, nós aparecemos. É simples. É assim que entendo a vida comunitária.
Entre ensaios e conversas, ainda houve tempo para o almoço no belíssimo Restaurante A Adega: galinha do campo tostadinha, salada de rúcula, batatas fritas e uma tarte de café que é segredo da casa.
Pequenos prazeres que sabem melhor quando acontecem depois do dever cumprido. E antes de regressar a casa ainda passámos pela padaria, onde o pão acabado de sair do forno nos recebeu como um abraço.
Voltámos cansados, mas daquele cansaço bom que só aparece quando os dias valem a pena. Cheios de serra, de amigos, de fé, de mesa e de gratidão.
Faltava apenas uma coisa: vir aqui cumprimentar os amigos das palavras que me acompanham tantas vezes.
Cá estou de novo.


