terça-feira, 24 de março de 2026

PRONTO!!!!!




Sejam-no, se puderem


Fazer o que se gosta, é liberdade. Gostar do que se faz, é felicidade. 

Sejam felizes, se puderem...

O que se não cuida, perde-se



Colhemos o que semeamos. É verdade. O tempo é a árvore que nos dará o fruto dos nossos gestos. Esse fruto será doce ou será amargo, conforme a ternura ou o azedume que deixarmos pelo caminho que formos lavrando, e virá sempre no tempo certo. O fruto dos nossos gestos nunca vem fora de época, sabe sempre quando o devemos provar.

Quem não cuidou, não pode esperar ser cuidado. Quem não foi capaz de apoiar, não pode esperar ser amparado. Quem não teve uma palavra para quem a aguardava, não pode esperar nada a não ser silêncio. Quem não soube estar perto, não pode esperar senão distância. Quem não soube abraçar, não pode esperar senão braços cruzados. Quem não soube estar presente, não pode esperar ser visitado. O amor não é uma obrigação. Não é algo só porque sim. Quem não valorizou, não pode esperar ter valor para quem ignorou.

Quem só foi capaz de agredir, não pode esperar carinho. Quem esperava poder humilhar contando que essa humilhação fosse esquecida, enganou-se. Às vezes, sim, o tempo enfraquece a memória, mas aquilo que o coração guarda nunca se perde. Para o bem e para o mal. Os corações nunca esquecem. Quem nunca mostrou disponibilidade, quem nunca esteve para o que desse e viesse, não pode esperar receber amor de volta. O amor só regressa a quem o soube dar, o amor só regressa de livre vontade. Ninguém ama à força.

 In lado.a.lado

sábado, 21 de março de 2026

Grato às minhas raízes

Foto - 21. 03. 2026 

Cada vez me orgulho mais de ter nascido filho de gente humilde, honesta e habituada a viver apenas com o essencial: pão na mesa, roupa no corpo e dignidade no coração. Os meus pais não tinham meios para me mandar para a universidade – e ainda bem. Assim cresci como um simples cidadão do mundo, livre de pretensões e fiel às minhas raízes.
Não ter uma licenciatura nunca me tornou menos atento ou menos capaz de compreender o mundo. A família da minha mãe tem grande parte das suas origens em Espanha, e eu nasci pouco depois de terminada a sua guerra civil, logo a seguir à Segunda Guerra Mundial. Eram tempos duros, marcados por conflitos que deixaram cicatrizes profundas.
Nas noites frias de inverno, à lareira, ouvi histórias de quem viveu o medo de perto. O nosso patrão, quando ia tratar do gado à Retorta, junto ao rio Sever, escutava tiros e gritos vindos do outro lado da fronteira. A família só descansava quando ele regressava são e salvo. E não era só isso: fugitivos surgiam na calada da noite, pedindo comida e ajuda. Quem pouco tinha, pouco dava, mas dava sempre – e eles desapareciam de novo na escuridão, carregando medos que só eles conheciam.
Foi neste ambiente difícil que nasci e comecei a minha vida. E foi também por causa desses tempos conturbados que surgiu o Ramal de Cáceres e a estação ferroviária da Beirã, para reforçar o comércio entre Portugal e Espanha. A aldeia, quase inexistente, cresceu com a chegada dos serviços e das pessoas que vinham trabalhar para a fronteira.
Com mais gente, foi preciso criar condições para viver: abriram-se hortas, pomares, olivais, searas. A terra era dura, cheia de granito, mas mesmo assim conseguia alimentar quem cá vivia. O que a agricultura não dava, era fornecido através de mercearias, tabernas, pensões, talhos, alfaiates, carpinteiros, barbeiros – um pequeno oásis neste concelho tão afastado de tudo.
Assim se viveu durante mais de cem anos, em paz e harmonia, até à chegada da União Europeia. Em vez dos benefícios prometidos, trouxe o declínio de muitos destes serviços e modos de vida porque a abertura das fronteiras matou os empregos em redor da estação que pouco depois encerrou totalmente pela desativação do Ramal de Cáceres determinada pelo governo de Passos Coelho, a todo o tráfego ferroviário de passageiros e mercadorias.
A frio. Com a mais completa e indesculpável indiferença pelo ganha-pão de centenas de pessoas que da noite para o dia viram as suas vidas ficarem de pantanas. Funcionários da estação, assentadores e cuidadores da via férrea, funcionários e funcionárias das passagens de nível, pessoal aduaneiro e da alfândega, guardas fiscais, em suma tudo o que gerava vida, movimento, economia e emprego. Uns atrás dos outros foram partindo, só ficou quem não quis – ou não podia – abandonar as suas casas. E os velhos já reformados.
E o comércio começou logo a definhar aos poucos, até desaparecer por completo, as casas começaram a suceder-se, umas após as outras, desabitadas e fechadas por todas as ruas.
Nunca fui militante de partido algum. A minha condição militar não o permitia e sempre cumpri essa regra. Por isso, na melhor fase da minha vida, a única participação política que pude exercer, foi votar – e talvez tenha sido o melhor.
Observando o que fizeram à minha terra e região, bem como a infindável sucessão de escândalos, corrupção, esquemas e abusos cometidos por quem deveria ser exemplo mas preferiu enriquecer à pala da política, sei que jamais eu permitiria que o meu nome e honra fossem enxovalhados pelo comportamento desajustado desses energúmenos, por mais doutores ou engenheiros que fossem.
Crimes de lesa pátria, ganância, compadrios, vergonha. Não é esse o caminho que sigo, nem aquele que me foi ensinado pela gente simples e séria que me criou. Acredito – e quero morrer acreditando – nos valores que eles me deixaram:
• O Bem Comum
• O Respeito por Todas as Pessoas
• A Dignidade Humana
• A Solidariedade acima de qualquer interesse
• A Integridade de Carácter

sexta-feira, 20 de março de 2026

Bom fim de semana

O amor não prende, liberta



O amor não tem de prender, não tem de apertar, não tem de impor ou forçar nada. O amor não prende, liberta.

Duas pessoas que se amam não ficam juntas por causa dos filhos, da casa, da estabilidade, do dinheiro, da doença, do hábito.

Não ficam juntas porque um nó invisível os mantém unidos. Não ficam juntas só porque alguém disse: "Até que a morte vos separe".

Duas pessoas que se amam não ficam juntas porque têm de ficar, ficam juntas porque querem. Porque são livres de partir a qualquer momento, mas escolheram permanecer.

Podem até nem ter mais nenhum motivo: apenas a vontade de ficar, de não largar aquela mão, de não parar de beijar aqueles lábios, abraçar aquele corpo. Só a vontade de ficar sabendo que podiam partir a qualquer momento.

Duas pessoas que ficam juntas por obrigação não são um casal, não são amantes. São, ao mesmo tempo, prisioneiro e carrasco.

Duas pessoas, quando se amam, ficam juntas porque não há lugar algum no mundo onde preferissem mais estar do que naquele abraço. Porque tendo a liberdade de voar, preferem pousar e nidificar.