Meu vicio da escrita...
Aos 07 de Março de 2015 nasceu este blogue que tal como o seu antecessor TocadosCoelhos pretende apenas ser um ponto de encontro e de entretenimento pautando-se sempre pelas regras da isenção, da boa educação e do civismo em geral. Sejam muito bem-vindos.
domingo, 21 de junho de 2026
Um cansaço que não se vê
Verão 2026
sábado, 20 de junho de 2026
Quem não sabe valorizar o que tem, aprende a valorizar o que tinha
Chega sempre um dia em que a vida nos encosta àquela porta que não queríamos abrir, em que percebemos que para continuar a caminhar precisamos escolher novos rumos, afastar pessoas, recolher a alma para dentro. Nunca fui de virar costas a ninguém, não está na minha natureza, mas há situações em que o coração aprende a muito custo, que a paz vale mais do que qualquer insistência.
E não é por orgulho, por altivez, ou capricho. É porque chega um momento em que as palavras deixam de encontrar eco, os avisos, por mais sinceros que sejam, já não atravessam a distância que falta de confiança cavou. Então o gesto mais digno não é o grito, nem a discussão, nem a explicação repetida até à exaustão. É o silêncio. O silêncio que não humilha, não acusa, não exibe, apenas se retira.
Quem precisa de barulho para se fazer notar, não sabe o valor do silêncio de quem parte. E quando essas pessoas derem pela ausência, não precisarão de perguntar porquê. Sabem. Sabem exatamente o que fizeram, o que ignoraram, o que deixaram morrer.
Na minha terra diz-se: se precisas forçar o pé, o sapato não é o teu tamanho. E isto vale para tudo: para sapatos, para amizades, para a vida. Há relações que apertam, outras que magoam, outras que nos deixam a coxear por dentro. E há aquelas em que oferecemos o melhor de nós e mesmo assim nunca é suficiente.
Quem não dá valor ao que tem, perde o que tinha.
Por isso às vezes tentar protegermo-nos é um ato de amor-próprio e também de respeito pelo caminho que queremos seguir. Não se deve gastar energia onde não há reciprocidade, nem regar jardins onde a terra se recusa a florir.
A vida ensina-nos que é preciso podar para que a árvore respire, que é preciso fechar portas para que outras janelas se abram, que é preciso partir para que a alma volte a caber no corpo. E quando o fazemos, quando deixamos ir quem não nos vê, acabamos rodeados por quem nos reconhece e escolhe ficar.
José Coelho




