sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Bom Fim de Semana


Hoje quando o passado me bate à porta não o atendo mais, não paro sequer para lhe responder e continuo o meu caminho sem lhe prestar atenção.

Aprendi que quando tudo desaba e a vida me desafia está apenas a lembrar-me que o tempo que me resta é para ser vivido e não desperdiçado.

Tenho anos suficientes para saber que o passado não é um peso para carregar, mas sim uma lição para aprender.

Não se vive dele. Cresce-se com ele.

Não apago o que fui nem nego o que vivi, mas aprendi que há guerras que só vencemos quando temos coragem de as abandonar.

E que a verdadeira sabedoria é…  

Seguir em frente.

                                       José Coelho

Princípio e fim. Tão natural um, como o outro.

No dia 16 de julho do corrente ano irão cumprir-se oitenta e três anos que esta Ilustre Senhora e o Seu Divino Filho vieram “viver” para a Beirã. Na sua igreja fui batizado há 73 e há 68 comecei a trabalhar na Sua Casa, investido nas funções de acólito pelo padre Joaquim Caetano a quem até hoje me liga um vínculo muito forte de respeito e amizade apesar de ele já não se encontrar entre nós.
Foi a sua bondade e exigente postura que me ajudou a ser um homem de bem. Ser-lhe-ei por isso grato e reverenciarei a sua memória enquanto viver.
A Vida levou-me muito jovem para longe desta minha segunda Mãe por períodos mais ou menos longos. Ainda assim só mesmo os 8.000 km de distância resultantes da mobilização para o outro lado do mar, me impediram de estar presente no dia 16 de julho, naqueles dois longuíssimos anos de 1972 e 1973.
Mesmo tão longe nunca a Senhora se separou de mim, quer do íntimo do meu coração, quer porque andava no meu bolso dia e noite na forma de uma estampa de cartolina plastificada que me acompanha até hoje, já meio desfeita pelo uso e enorme quantidade de tempo que, entretanto, passou pela estampa e por mim.
Quando em 1993 regressei definitivamente “a casa”, nunca mais arredei pé de junto dela e tenho-me esforçado por dar o meu melhor nas celebrações litúrgicas como salmista, leitor e coro paroquial, assim como no Conselho Económico Paroquial ao qual fui chamado desde 1999.
Sinto-me por isso muito em paz e de coração tranquilo cada vez que contemplo o sereno rosto da Divina Mãe que docemente me contempla lá do alto. Infelizmente, como em tudo o resto nesta aldeia, também ali se sente já o rarear da presença humana, quer nas celebrações semanais quer nas festivas, que antigamente juntavam em seu redor centenas de devotos.
Às vezes, em dias mais inquietos, necessito ir ter com Ela. Porque tenho uma chave da igreja e porque infelizmente deixou de ser seguro mantê-la permanentemente aberta para que pudesse livremente entrar quem quisesse ir rezar a qualquer hora, como antes, desço a rua e vou lá. Entro, e, a sós com Ela, fico longos momentos naquele reconfortante silêncio, bastando-me a proximidade do seu meigo olhar para que o meu espírito se aquiete e a paz desça sobre mim.
Não sou, obviamente, indiferente à presença do Senhor Jesus no sacrário e sei, porque me foi meticulosamente ensinado em muitas horas de formação cristã nos últimos anos, que em qualquer templo onde esteja presente o Santíssimo Sacramento do Altar é Ele que deve ser sempre adorado e exaltado em primeiro lugar, antes de qualquer outra presença divina, seja a Sua Mãe Santíssima, seja qualquer outro Santo ou Beato.
Porém e pese embora todos esses ensinamentos, o Senhor que me perdoe – sei que perdoa – todos nós ao entrarmos na igreja damos de caras com o terno olhar da Senhora Sua Mãe e não conseguimos – por mim deduzo – pensar primeiro no Senhor Jesus que ali está também no sacrário
Escrevi no primeiro parágrafo deste texto que ando por ali há já 68 anos. É de facto muito tempo. A minha geração que em 1958 enchia o templo de orações, de vida e atividades, partiu já quase toda para a eternidade. Não estará por isso muito distante a minha vez de ir ter com eles.
É absolutamente normal, porque, sendo pó, ao pó regressaremos. Sem dramas, sem espantos, sem medo algum. Cumpre-se apenas o ciclo – princípio e fim – natural de toda a vida terrena, do qual temos perfeito conhecimento e para o qual devemos estar permanentemente prontos e preparados.
E eu, estou.
Nota:
A imagem que ilustra este escrito foi da autoria do reverendo Pároco e meu digníssimo Amigo Luís Ribeiro – já falecido – por ocasião do 70º Aniversário da Inauguração da Igreja Paroquial de Nossa Senhora do Carmo - Beirã, que me o ofereceu em mão no dia 16. 07. 2013.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Aproveitando o bom tempo


Atrás de mim, naquele outeiro à esquerda da foto, oculto por alguns sobreiros e carvalhos está o velho Chafurdão da Meirinha.
No meio do terreno junto do caminho, pode ver-se também um dos marcos de madeira da Rota do Megalítico, a indicar o percurso e proximidade da Anta da Cavalinha, nas imediações.
Adoro a minha Freguesia de Beirã e o meu Concelho de Marvão.

26. 02. 2026

Bendita fartura


Nascente de água viva a brotar da rocha entre o lugar da Murta e o da Anta no CM 1024 mais conhecido por Estrada da Herdade dos Pombais - Beirã.

Vídeo José Coelho 
26 fevereiro 2026

Palavras leva-as o vento


O que nos define são as nossas atitudes, porque palavras leva-as o vento, diz a máxima bastante conhecida com a qual concordo em absoluto. Pode uma pessoa proferir frases muito belas e argumentar com muita veemência, mas a forma como vive e aquilo que faz é que define e revela quem ela é e o que transporta no coração.
O mundo anda envolvido num limbo de turbulência e desmantelamento da ordem e dos valores, que ensombra perigosamente um futuro a necessitar aflitivamente de amor, de respeito, de empatia e de repararmos uns nos outros, para percebermos que somos parte de um todo.
A vida acontece também fora de nós e estende-se muito lá da nossa zona de conforto.
Precisamos e devemos cuidar do que somos, bem como dos nossos sentimentos, mas se só nos preocupamos com o eu, estamos a negligenciar completamente o nosso papel na sociedade, a nossa capacidade de nos relacionarmos e de fazermos a diferença na vida uns dos outros.
Cada pessoa tem a sua forma de comunicar com o Deus em que acredita para se sentir bem. Contudo, apesar de frequentarem igrejas, mesquitas e os mais diversos cultos, todos os dias assistimos a cenas de total falta de compaixão pelo próximo.
Nem sequer os mais frágeis escapam – doentes, crianças, idosos – que, pelo contrário, são sempre os mais castigadas por essa onda de impiedade coletiva.
Depois, lado a lado com a violência explícita, existe também a violência velada, implícita, indireta e extremamente prejudicial: o desprezo, o silêncio diante do mal e muitas outras atitudes que revelam maldade em toda a acepção da palavra.
Pessoas há também que conseguem ser melhores na rua, do que em casa. Encenam uma figura bondosa em sociedade mas nos seus lares são um verdadeiro inferno porque tratam mal os seus familiares das mais variadas formas.
Muitas pessoas se contradizem diariamente fingindo o que não são e por isso tentam expiar as suas culpas nos locais sagrados fazendo caridade por obrigação, na tentativa de receberem o perdão, porque têm consciência plena do mal que fazem.
Mas de que adianta rezar, se continuam a praticar os mesmos erros?


Venho dos lados da aurora
Onde vi nascer as fontes
Entre o naufrágio de sonhos
Perfumados de horizontes.

Trago imagens de papoilas
E a fogueira das queimadas.
Os meus olhos já não podem
Olhar as terras lavradas...

Que caminhos de aflição
Onde as nuvens se juntaram,
Erguendo escuras bandeiras
Que à noitinha desfraldaram!

Venho do Sul, do meu povo,
E trago os ventos roubados
À natureza onde vivem
Os camponeses cansados.

Mas também trago a saudade
Das formosas madrugadas:
As cantigas do meu povo
Que em surdina são cantadas.

Antunes da Silva

Nascer do sol na Beirã

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Escolhas que nos curam


Ir embora de alguns lugares, também é cuidar de si. Afastar-se de algumas pessoas, também é proteger-se e fechar algumas portas também é uma forma de amor. 

Nem todas as atitudes significam abandono ou cobardia, mas apenas amor-próprio. Aprender a reconhecer o momento certo de ir embora é um sinal de maturidade e respeito pelos nossos limites. 

Ao escolher o que nos faz bem, cultivamos uma relação mais saudável conosco mesmos e criamos espaço para oportunidades e experiências que estão verdadeiramente alinhadas com os nossos valores.

José Coelho