Estou numa idade em que, se como açúcar, a minha diabetes aumenta; se como sal, a minha tensão sobe; se bebo água, tenho de ir ao wc a cada cinco minutos, se não bebo, fico desidratado.
Se como, engordo; se não como, desmaio. Se não como de forma saudável, o meu colesterol sobe; se como de forma saudável, fico com deficiência de cálcio. Se faço exercício, no dia seguinte não consigo me mover por causa das dores nos ossos; se não o faço, perco a mobilidade.
Se durmo muito, as minhas costas doem. Se durmo pouco, ando como um zombie. Se tomo café, fico hiperativo; se não tomo café, fico lento. Se descanso, sinto-me culpado; se não descanso, fico-me arrastando.
Estou numa idade em que até cuidar de mim mesmo, é perigoso. Uma idade em que, de manhã, eu já não acordo... ressuscito.
Só quero dizer o seguinte: precisamos encarar a velhice com leveza. Algumas pessoas realmente enlouquecem por estarem trancadas e sozinhas.
Falei sobre isso há pouco tempo com o micro-ondas e a torradeira, enquanto tomávamos um café, os três concordámos.
Já não falo com a máquina de lavar porque ela simplesmente distorce tudo, e acho a geleira muito fria e distante.
Ah, quase me esquecia, deixei de tentar falar com o ferro de passar e com o forno, porque eles se esquentam com muita facilidade.
Vamos ser felizes; a vida é muito curta. E não se esqueçam de sorrir todos os dias. Um oncologista brasileiro disse:
A meia-idade começa aos 50 e termina aos 70 anos.
Os anos dourados começam aos 70 e terminam aos 80 anos.
A velhice começa aos 80 e termina aos 90 anos.
A longevidade começa aos 90 anos e termina com a morte.
Não sei quem é o autor deste texto, mas… Está delicioso!
Porque brinca com uma verdade que quase todos os que já passámos dos "enta" reconhecemos: chega uma altura em que parece haver uma conspiração organizada entre o corpo, os médicos e a farmácia para nos complicarem a existência.
O humor tem esta virtude extraordinária: permite-nos olhar para as limitações da idade sem amargura. O joelho dói na mesma, as costas protestam na mesma, a tensão continua a ter opinião própria, mas quando conseguimos rir disso retiramos metade do peso que essas coisas têm.
Aliás, há uma sabedoria escondida por trás destas brincadeiras. A velhice não é apenas perda.
É também a idade em que já não precisamos de correr atrás de tudo, em que sabemos distinguir o essencial do acessório, em que um almoço com os filhos, uma visita das netas, uma conversa à lareira ou a sementeira das ervilhas valem mais do que muitas das ambições que nos consumiam quando éramos novos.
Quanto ao autor, também não o conheço, mas quem o escreveu percebeu uma coisa importante: a melhor forma de enfrentar o passar dos anos não é negar que eles existem. É recebê-los com um sorriso, alguma resignação bem-disposta e uma boa dose de sentido de humor.
E sabem que mais, amigos?
Há uma frase que eu acrescentaria ao texto:
"Cheguei a uma idade em que demoro mais tempo a levantar-me da cadeira, mas preciso de muito menos tempo para perceber o que realmente importa".
Isto não é velhice. É experiência com raízes fundas e coração ainda em flor.
Um abraço, amigos. E não falem mal do micro-ondas. Ele é dos poucos que ainda nos aquece a alma sem discutir conosco.


.jpg)


