quinta-feira, 9 de abril de 2026

Nem oito - ontem, nem oitenta - hoje

O casaco do fato de treino estava a mais e teve de fazer de cinto porque parecia já uma tarde de verão!

09. 04. 2026

Meu querido Alto Alentejo

Seara de centeio a ondular ao vento
Vídeo José Coelho 
09. 04. 2026

Vida para viver, bênçãos para colher, motivos para agradecer


A natureza humana é, por essência, gregária. Precisamos de camaradagem, de partilhar alegrias e dissabores, de sentir que pertencemos a algo maior do que nós. Muitas vezes, o segredo para suavizar os pesares do destino reside na soma de pequenos gestos simples, quase invisíveis, mas de valor imenso. Um café matinal com os amigos é mais do que um hábito: é um ritual de sobrevivência anímica.

As rotinas, tantas vezes aborrecidas, são também o que mantêm a mente desperta, o corpo em movimento e os dias organizados. Passamos a vida a desejar o que não temos e a desvalorizar o que, mais tarde, aprenderemos a apreciar. Somos contraditórios por natureza, raramente satisfeitos. Ainda assim, é a rotina – mesmo a mais monótona – que estrutura o quotidiano e lhe dá sentido.

Muitos imaginam a aposentação como um mar de rosas: a libertação dos horários rígidos, dos chefes exigentes, das pressões laborais. É verdade que o reformado ganha tempo, descanso e autonomia. Mas esses privilégios não escondem totalmente as sombras que se insinuam.

Com o tempo, surgem desafios inesperados: pensões curtas que exigem malabarismos, a vitalidade que diminui, a saúde que se fragiliza, a ausência das tarefas que davam utilidade ao dia. Perde-se o convívio diário com colegas que foram quase família. A inatividade, longe de ser apenas descanso, pode transformar-se em tédio, melancolia e até depressão.

A reforma coincide, muitas vezes, com a reta final da existência – fase em que a memória se torna mais viva do que o presente. Basta abrir uma gaveta antiga, encontrar uma fotografia amarelada ou ouvir uma música de outros tempos para sentir a presença dos que partiram. A saudade chega assim, sem aviso, mas com a doçura de quem recorda o que valeu a pena viver.

Ainda assim, os pequenos prazeres resistem: um convívio inesperado, uma conversa demorada, um sorriso partilhado. São estes momentos de humanidade que lembram ao reformado que ainda há vida para viver, bênçãos para colher e motivos para agradecer.

A aposentação é feita de somas e subtrações: rotinas que organizam, convívios que aquecem, perdas que doem e pequenos prazeres que compensam. Talvez o segredo esteja em reconhecer, nos gestos mínimos, a felicidade possível.

José Coelho

Home, Sweet Home


Foto José Coelho

quarta-feira, 8 de abril de 2026

Abril, águas mil...


A fazer jus ao provérbio, anteontem saímos de casa com um sol esplendoroso e 28 graus de temperatura. A meio do percurso - mais ou menos quatro quilómetros - o céu começou a encher-se de nuvens negras. Apressámos o passo e voltámos para trás. Pouco depois de entrarmos em casa, começou a chover copiosamente.
Ontem o dia amanheceu chuvoso e desagradável, pelo que não fomos caminhar. Aproveitei o dia cinzentão e fresco para desfegar e engarrafar o meu branco da vindima 2025 - que está uma pomada cinco estrelas - e assim se passou parte da tarde até surgir, vinda dos lados da serra, uma trovoada não muito agressiva mas com uma valente carga d'água.
Hoje o sol fez greve e a temperatura baixou para os 15 graus. Almoçámos e mesmo com o céu cor de chumbo, arriscámos uma voltinha pelos subúrbios da aldeia sem nos afastarmo-nos muito, não fosse o diabo tecê-las. Não choveu, mas acompanhou-nos um "barbeiro" - como chamamos por aqui ao vento, quando vem mais frio que o normal - que não fazia mesmo boa companhia.
Dois dedos de conversa com uma amiga do peito e voltámos para a Toca a resmungar pelo ar frio que se metia pelas costuras das nossas jaquetas causando algum desconforto. Bem diziam os nossos pais e avós, na enorme sabedoria conquistada à custa das duras vidas que assim os formou:
- O São Marcos gosta muito de chuva e frio...
Esse tal São Marcos era, na minha infância, a maior feira e festa do ano por estas bandas, nos dias que antecediam e depois sucediam a comemoração do santo a 25 de abril, desde tempos imemoriais que nada tiveram nunca a ver com o 25 de Abril de 1974 político, tendo sido apenas uma mera coincidência.
Finalmente, deixo-vos a foto que fizemos na entrada sul desta bonita Beirã.
Como podem deduzir, nem o céu carrancudo, nem a aragem fria conseguiram tirar-nos a boa disposição. Vida só temos uma e é para ser vivida com leveza cada dia, com um sorriso no rosto e paz no coração. Na minha família usávamos um trocadilho que nunca entendi muito bem mas nos animava e fazia sorrir.
Rezava assim:
- Tudo o que a gente precisa é ter saúde e dinheiro p'ra vinho, que o pão compra-se...
Façam como nós.
Tentem viver em paz com a vida e com o mundo, sorriam e sejam felizes.

Reflexão de hoje


Algumas vezes temos de passar pelo pior, para alcançar o melhor. É um processo. Um caminho. Uma trajetória natural que vai alinhando as coisas e colocando tudo no seu lugar.
Ter algo fácil demais, deixa tudo muito frágil. Eu sei que a caminhada é longa. Que para ir mais alto, é preciso suar. E que ter asas é para quem aperfeiçoa a alma.
Só uma alma que aprendeu a lidar com os seus próprios sentidos, com a sua própria luz, com os seus próprios defeitos, se conhece o suficiente para tentar quantas vezes for preciso - sem ultrapassar os limites da dignidade - é capaz de voar livremente para conquistar o que quiser.
Com o pior que nos acontece na vida é que aprendemos a valorizar o melhor, quando ele vem. Assim, cada desafio enfrentado torna-se uma oportunidade de crescimento interior. A dor e o esforço moldam a nossa força, revelando potencialidades antes desconhecidas.
O processo pode ser lento mas cada passo dado com coragem constrói não só a trajetória, mas também a essência que nos permite apreciar verdadeiramente cada conquista.
O valor do nosso sucesso não está apenas no destino, mas na transformação que ocorre durante a jornada. O melhor não é só aquilo que alcançamos, mas também aquilo em que nos tornamos ao longo do caminho.
Tenham um excelente dia!

terça-feira, 7 de abril de 2026

Branco Escusa 2025

As uvas vieram quase todas da Escusa da latada do filhote Manel Coelho porque a minha produção era insuficiente.

O saber fazer, foi obra dos meus dois grandes amigos, vizinho José Maroco (Maroquito) da casa em frente à minha, e do tio José Dionísio de Póvoa e Meadas, que me ensinaram a fazer vinho.

Que descansem os dois em paz, junto de Deus.

A desfega e engarrafamento foi esta tarde.

Está...... Belíssimo!

07. 04. 2026