Há dias em que escrevo apenas para mim, para arrumar pensamentos, para dar nome ao que sinto. Mas há outros – como este – em que escrevo para agradecer. Agradecer a todos os que lêem, comentam, partilham, sorriem, se reconhecem, se emocionam, e fazem das minhas crónicas da Beirã um lugar vivo, habitado, respirado.
A
nossa terra tem esta particularidade: quanto mais parece pequena, mais se
agiganta. Quem aqui vive sabe que cada pedra tem história, cada sombra tem
memória, cada caminho guarda passos de gente que já não está.
Há
mais de cinco mil anos que mãos humanas moldam este território – ergueram
antas, abriram clareiras, acenderam fogos, fizeram pão, criaram filhos,
enterraram pais, deixaram marcas que o tempo não apagou.
E
no entanto, ironicamente, é agora – no tempo do chamado progresso – que a terra
se vê a esvaziar. Não por pandemias, não por falta de meios, não por isolamento
forçado. Mas por uma pressa moderna que não sabe olhar para trás, que não
reconhece valor no que é antigo, que confunde desenvolvimento com abandono.
O
progresso, esse gigante cego, trouxe estradas, trouxe máquinas, trouxe
velocidade e, sem pedir licença, matou muito do que era bom.
Mas
enquanto eu viver, enquanto tiver voz, enquanto tiver mãos para escrever e
memória para contar, não deixarei esta terra morrer. Não deixarei que o
silêncio tome o lugar das histórias. Não deixarei que o esquecimento cubra os
vestígios de quem aqui viveu antes de nós.
Não
deixarei que a desertificação seja sentença.
E
é por isso que vos agradeço a todos. Porque cada comentário vosso é uma porta
aberta. Cada leitura é uma luz acesa. Cada partilha é uma forma de dizer: “Esta
terra ainda importa.”
A
Beirã não vive só de quem nela mora. Vive também de quem a lê.
E
enquanto houver leitores, haverá futuro. Por isso termino esta partilha, não
como quem fecha um livro, mas como quem encosta a porta sem a trancar. A Beirã
continua aqui, inteira, antiga, resistente, feita de memórias que não cedem à
pressa do mundo.
E
eu continuo aqui também, enquanto puder, enquanto a voz me servir, enquanto a
terra me chamar.
A
todos os que lêem estas palavras, deixo apenas isto: cada leitura vossa é uma
forma de manter viva esta paisagem que o progresso tenta calar. Cada “gosto”
vosso – breve, simples, sincero – é uma pedra colocada no lugar certo. E que
enquanto houver quem nos acompanhe, a Beirã não será silêncio, nem ausência,
nem passado.
Será
presença. Será pertença. Será futuro.
Obrigado.
José Coelho

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