Há quem escreva para ser visto. Há quem escreva para ser admirado. E há quem – como eu – escreva para ser coerente.
A minha escrita não nasce da vontade de impressionar. Nasce da vontade de ser justo comigo e com o mundo.
É por isso que ela carrega ética, mesmo quando não fala de moral. É por isso que ela tem serenidade, mesmo quando nasce da inquietação.
Escrever, para mim, é um exercício de alinhamento interior. É pôr cada pensamento no seu lugar, como quem arruma uma casa com cuidado e respeito.
É transformar o que sinto em algo que possa ser dito sem exagero, sem ruído, sem máscaras.
A ética aparece na escolha das palavras: as que não ferem sem necessidade, as que não exibem, as que não pedem aplauso.
Aparece também no que decido não escrever: as vaidades fáceis, os dramatismos inúteis, as sombras que não acrescentam verdade.
A minha escrita é uma forma de responsabilidade. Responsabilidade comigo, com a minha consciência, com a minha memória.
Responsabilidade com o mundo que observo atento, inquieto, sensível, mas sem me deixar arrastar pelo excesso ou pela tentação de me colocar no centro da narrativa.
E é por isso que a minha escrita é serenidade. Porque é coerente. Porque é limpa. Porque é fiel ao que sou.
A serenidade não vem de fora. Vem dos gestos interiores de nos colocarmos inteiros nas palavras, sem adornos, sem artifícios, sem necessidade de provar nada a ninguém.
A minha ética de vida, uma mistura de gratidão, justiça interior, humildade e lucidez, passa para o papel como quem passa a mão por uma superfície antiga para sentir a sua textura.
Não para a polir, mas para a reconhecer.
Escrever, para mim, é isso: um ato de verdade, um ato de memória, um ato de serenidade.
E quando a escrita e a ética se encontram, nascem textos que não pretendem ser grandes, pretendem apenas ser verdadeiros.
Texto e foto
