quarta-feira, 17 de junho de 2026

Quando a Natureza nos diz: bem-vindo

Há regressos que não se planeiam, acontecem. Vêm ao nosso encontro como um gesto amigo, como um aceno silencioso de quem nos conhece desde sempre.
Hoje, ao fim do dia, foi a própria Natureza que me chamou pelo nome, quando parei na berma da estrada para guardar este instante de ouro.
O sol, já cansado - como eu vinha também - inclinava-se devagar sobre a colina da Broca, como um velho amigo que se despede sem pressa. A luz espalhava-se pelo campo com a delicadeza de quem estende um manto sobre os ombros de quem chega.
E eu, ali parado, fui testemunha deste abraço que só a terra sabe dar.
Esta fotografia que fiz quase a chegar a casa, não é apenas uma imagem – é pertença. É o momento exato em que o mundo me diz: “Já estás em casa".
As árvores não se moviam, mas acolheram-me. O vento não falava, mas reconheceu-me. E até o silêncio tinha o meu nome gravado na respiração da paisagem.
Há lugares que não são apenas geografia: são memória, raiz, promessa. E eu voltei ao meu, ao sítio onde o horizonte se deita devagar, onde o tempo não corre, onde cada pedra parece guardar histórias que só eu sei ouvir.
Regressar assim, foi um privilégio raro. Foi sentir que a vida, apesar das curvas e das poeiras do caminho, ainda sabe oferecer-nos estes pequenos milagres ao fim da tarde.
E eu, com o telemóvel na mão e o coração aberto, quis recebê-lo.
Porque a Natureza, essa minha amiga fiel, não me disse apenas: “bem-vindo”.
Disse-me algo maior: “Ainda és daqui. Ainda és meu.”
Texto e foto