Há regressos que não se planeiam, acontecem. Vêm ao nosso encontro como um gesto amigo, como um aceno silencioso de quem nos conhece desde sempre.
Hoje, ao fim do dia, foi a própria Natureza que me chamou pelo nome, quando parei na berma da estrada para guardar este instante de ouro.
O sol, já cansado - como eu vinha também - inclinava-se devagar sobre a colina da Broca, como um velho amigo que se despede sem pressa. A luz espalhava-se pelo campo com a delicadeza de quem estende um manto sobre os ombros de quem chega.
E eu, ali parado, fui testemunha deste abraço que só a terra sabe dar.
Esta fotografia que fiz quase a chegar a casa, não é apenas uma imagem – é pertença. É o momento exato em que o mundo me diz: “Já estás em casa".
As árvores não se moviam, mas acolheram-me. O vento não falava, mas reconheceu-me. E até o silêncio tinha o meu nome gravado na respiração da paisagem.
Há lugares que não são apenas geografia: são memória, raiz, promessa. E eu voltei ao meu, ao sítio onde o horizonte se deita devagar, onde o tempo não corre, onde cada pedra parece guardar histórias que só eu sei ouvir.
Regressar assim, foi um privilégio raro. Foi sentir que a vida, apesar das curvas e das poeiras do caminho, ainda sabe oferecer-nos estes pequenos milagres ao fim da tarde.
E eu, com o telemóvel na mão e o coração aberto, quis recebê-lo.
Porque a Natureza, essa minha amiga fiel, não me disse apenas: “bem-vindo”.
Disse-me algo maior: “Ainda és daqui. Ainda és meu.”
Texto e foto
