sexta-feira, 5 de junho de 2026

Bom fim de semana

Hoje é um daqueles dias em que acordei com uma certeza muito simples:
Vivo de consciência tranquila. Não porque tenha acertado sempre, nem porque me tenha posto num pedestal que nunca pedi.
Vivo tranquilo porque caminho com a minha verdade, a única possível. Nunca prometi perfeição a ninguém, e talvez por isso nunca me tenha pesado o fardo de a fingir.
O meu mundo é pequeno para uns, grande para outros. Para mim, é do tamanho exato do que sinto, do que quero e do que faço. E o que faço – isso sim – é o reflexo mais fiel de quem sou quando ninguém está a ver.
O resto?
O resto só existe na cabeça dos outros: na confiança de quem me ama, nas certezas de quem me detesta, no humor apressado de quem acha que me conhece só porque ouviu meia história contada ao balcão.
Aprendi tarde, mas aprendi que não me cabe corrigir a imaginação de ninguém. Cada um pinta-me com as cores que tem.
Mas eu sigo com as minhas.
Nunca quis ser perfeito. A perfeição é uma casa onde não mora ninguém. A minha vida, essa sim, é perfeita, não porque seja lisa, mas porque é minha.
Feita de escolhas que me moldaram, de tropeços que me ensinaram, de silêncios que me protegeram, de memórias que me aquecem quando o mundo arrefece.
E às vezes, no meio desta lucidez toda, bate aquela nostalgia boa que vem da infância, dos cheiros da terra molhada, das vozes antigas que já não estão mas ainda falam, da simplicidade de um tempo em que bastava acordar para o dia ser inteiro.
Trago isso comigo, como quem leva um lenço no bolso: discreto, mas sempre à mão.
Por isso, hoje, antes que o mundo acelere, deixo este recado ao vento: que cada um encontre paz no que é, e não no que esperam que seja.
Que a vida vos seja leve, mesmo quando pesa.
E que o dia vos encontre de coração aberto, como quem chega a casa depois de muito caminho.
Tenham um excelente fim de semana.
Texto e foto
05. 06. 2026