quarta-feira, 10 de junho de 2026

Pensa agora um bocadinho mais em ti

Há pessoas que vivem como se fossem nascidas para amparar o mundo. Não porque alguém lhes pediu, mas porque algo dentro delas se move sempre que se apercebem de uma dor, um silêncio, uma sombra.
São pessoas que carregam uma espécie de luz, que não se apaga mesmo quando o vento sopra forte. Pessoas que se inclinam para o outro com a mesma naturalidade com que o sol se inclina para a manhã.
Chegam antes de lhes ser pedido. Estendem a mão antes da queda. Oferecem o ombro antes da lágrima. E fazem-no sem alarde, sem medalhas, sem testemunhas.
Fazem-no porque é assim que gostam de viver: - cuidando dos outros.
Mas há um momento – e chega sempre – em que o corpo começa a falar mais alto. De um cansaço que não é só físico, mas existencial. Um silêncio que não é vazio, mas aviso. Um aperto que não é dor, mas fronteira.
É o instante em que a vida, com a sua sabedoria discreta, lhes sussurra:
- Pensa agora um bocadinho mais em ti.
Texto e foto