Senhor, Tu que conheces o cansaço escondido nos meus ombros e a serenidade que procuro no silêncio, acolhe esta oração que nasce do fundo do meu caminho.
Tu sabes que os anos me ensinaram a escolher a paz em vez do tumulto, a verdade em vez do ruído, a solidão serena em vez da companhia que fere. Mostra-me, Senhor, que isso não é desistência, mas maturidade.
Dá-me a graça de compreender que quem já decidiu não entender, não entenderá, por mais que eu explique, por mais que eu me ofereça, por mais que eu tente curar o que não quer ser curado.
Guarda-me, Senhor, de gastar o meu coração onde ele não é acolhido. Livra-me de confundir compaixão com sacrifício, bondade com obrigação, amizade com porto de descarga.
Ensina-me a amar sem me ferir, a ajudar sem me perder, a estender a mão sem me deixar esmagar.
Quando o silêncio for a resposta mais justa, dá-me coragem para o manter. Quando a distância for proteção, dá-me serenidade para a aceitar. Quando a minha mudança inquietar os outros, dá-me firmeza para não voltar atrás.
Senhor, que eu entre no lugar dos que deixam ir, não por indiferença, mas por sabedoria. Que eu caminhe leve, sem pesos que não são meus, sem culpas que não me pertencem, sem feridas que já não quero carregar.
Purifica o meu caminho, serena o meu coração, e dá-me a coragem de ser feliz sem pedir licença a ninguém.
Amém.
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