Há dias que nos pedem mais do que parece possível. Dias que começam antes da madrugada acordar, que nos levam longe, que nos puxam pela memória, pelo corpo, pela coragem. E no fim, quando regressamos a casa, percebemos que não foi apenas cansaço, foi também caminho.
Ontem, cumpri esse caminho.
Há uma verdade simples que só quem vive muito entende: o corpo cansa, mas a alma cresce. Cresce no silêncio da estrada, cresce na espera dos consultórios, cresce na gratidão que se renova quando percebemos que a vida nos deu mais um ano, mais um capítulo, mais uma oportunidade de sermos nós mesmos.
A noite teve de inevitavelmente ser repouso. Deixei que ela me envolvesse devagar, como quem fecha um livro com cuidado, porque sabe que a história continua no dia seguinte.
E lembra-nos, cada ano, que aquilo que carregamos não é um peso, é uma prova. Prova que vencemos, que resistimos, que continuamos de pé, inteiros, lúcidos, gratos.
Descansei.
E hoje, quando a vida voltou a chamar por mim, como sempre, soube responder-lhe.
Grato a quem me enviou mensagens, cumprimentos amigos, apoio. Àqueles a quem o cansaço já não permitiu dar resposta, peço desculpa.
A nossa amizade, contudo, mantém-se inteira.
Sempre.
Um abraço, com estima.
José Coelho
Texto e foto
17. 06. 2026