Foto na muralha do segundo dos três castelos do Séc., XIV da Vila de Bellinzona, na Suíça, há duas semanas atrás.
Aos 07 de Março de 2015 nasceu este blogue que tal como o seu antecessor TocadosCoelhos pretende apenas ser um ponto de encontro e de entretenimento pautando-se sempre pelas regras da isenção, da boa educação e do civismo em geral. Sejam muito bem-vindos.
sexta-feira, 1 de maio de 2026
Os amigos de verdade e os “amigos” entre aspas.
terça-feira, 28 de abril de 2026
Ser capaz de ser feliz
segunda-feira, 27 de abril de 2026
Coisas que leio e gosto
Quando completei setenta anos, sentei-me no sofá, olhei para a vida que vivi e pensei:
“Bem…
é isso. Quase a reta final.”
E
o que descobri?
Que
muitas das coisas, em que um dia acreditei de todo o coração, não passavam de
ilusões.
Filhos?
Têm as suas próprias vidas.
Saúde?
Desaparece mais depressa do que água a escapar de um balde furado.
O
Estado? Apenas números nas notícias e promessas em voz alta.
A
velhice não tem piedade.
Ataca
exatamente onde dói mais: a esperança. E eu tirei as minhas próprias conclusões
— amargas, realistas, mas, no fim das contas, salvadoras.
1.
Os filhos não salvam da solidão.
Passamos
a vida inteira a pensar: “Quando os filhos crescerem, a velhice será feliz. Vão
estar por perto, vão apoiar-nos.” Soa bonito, mas a realidade é diferente. Os
filhos têm os seus próprios problemas: trabalho, dívidas, as suas famílias, os
seus filhos.
E
tu ficas à espera de uma chamada como se fosse uma celebração. O telefone
permanece em silêncio durante semanas, até que, de repente, chega uma mensagem
curta:
“Olá,
pai. Está tudo bem.”
Tu
olhas para o ecrã, feliz por saber que estão vivos e bem. Mas a sensação de
vazio não desaparece. Percebi uma coisa: os filhos não são uma garantia contra
a solidão.
2.
A saúde não é eterna.
Quando
já não tens vontade de ir aos lugares para onde antes ias sem pensar,
percebeste que a saúde não é uma reserva invisível. É o teu principal capital.
3.
Reforma e dinheiro.
Uma
reforma não é vida — é uma zombaria. Se depender apenas do Estado, estarás a
cavar a tua própria sepultura.
Durante
muito tempo, acreditei: “Não nos vão abandonar.”
Sim,
vão. E sem hesitar.
Uma
reforma mal chega para as contas da casa e os medicamentos. O resto — resolve
por conta própria.
Foi
por isso que criei as minhas próprias regras. Não são um conto de fadas — são
sobre sobreviver com dignidade.
Cinco
regras sinceras para a vida.
Regra
1. O dinheiro é mais fiável do que os filhos.
Não
se ofenda, mas é a verdade. Os filhos são amor e alegria, mas não são um fundo
de reforma.
A
conclusão é simples: poupa para ti. Põe alguma coisa de lado, trabalha, pensa
no teu futuro. Mesmo que seja pouco — isso é liberdade.
Regra
2. A saúde é o teu principal trabalho.
O
primeiro objetivo é conseguir levantares-te da cama sem dor. Mexe-te, faz
exercício, caminha. Dez agachamentos, menos sal, menos açúcar — parece simples,
mas funciona.
A
doença não pergunta se és rico ou pobre. Ela cerca quem não cuida de si.
Regra
3. Aprende a gostar da tua própria companhia.
Esperar
é o inimigo. Esperas uma chamada, um presente, atenção… e o que chega é a
desilusão.
A felicidade tem de ser criada pelas tuas próprias mãos: uma boa refeição, um bom livro, um passeio, a tua música favorita. A alegria é a melhor vacina contra a tristeza.
Regra
4. A velhice não é motivo para ser fraco.
Algumas
pessoas da minha idade transformam-se em queixosos permanentes: “Ai, dói tudo…
ai, a culpa é de toda a gente…” E o que acontece? Até os mais próximos se
afastam.
A
fraqueza não desperta compaixão — provoca cansaço. As pessoas respeitam quem se
mantém forte, mesmo quando é difícil.
Regra
5. Deixa o passado para trás.
A
armadilha mais perigosa é o “antes”. Antes, a relva era mais verde, os filhos
mais obedientes, a vida mais fácil. Mas o “antes” já não existe. Só existe o
“agora”.
Estou
a aprender a viver no presente, sem esperar que a vida seja “como antes”. É
diferente. E a minha tarefa é continuar vivo dentro dela.
A
liberdade e a força estão nas tuas mãos.
A
velhice é um exame. Ninguém o vai fazer por ti.
Ou
aceitas a vida como ela é e a reconstróis, ou, ficas sentado no teu sofá, a
queixares-te e à espera que alguém venha salvar-te: ninguém vem.
Mas, se ergueres a cabeça, respirares fundo e sorrires para ti mesmo, vais descobrir algo importante: a vida depois dos setenta é possível.
E
pode ser uma boa vida.
Talvez
alguém à tua volta precise de ler isto hoje. Alguém que esteja a passar por um
momento difícil, que tenha perdido a fé, ou que simplesmente precise de ser
lembrado: tu não está sozinho, e nunca é tarde demais para começares a viver
para ti próprio.
Luís
Raposo



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