terça-feira, 26 de maio de 2026

A vida não se mede em anos, mede-se em momentos que nos enchem o coração

Ontem, no jantar comemorativo do 49.º aniversário do meu primogénito, senti isso como quem sente o sol romper as nuvens: uma luz inesperada que aquece por dentro e nos lembra que estamos vivos.
À mesa, entre o brilho dos copos e o murmúrio das conversas, havia também lugares que não estavam ocupados – mas estavam presentes. Presentes na memória, na saudade boa, na distância que não diminui o amor. Presentes no pensamento, no silêncio que guarda nomes queridos, no carinho que não conhece fronteiras.
O meu filho falou deles com a emoção de quem ama com verdade, com a lealdade de quem sabe que a vida se faz tanto dos que caminham ao nosso lado, como dos que, por algum motivo, não puderam estar ali.
E nesse gesto, nessa ternura, vi mais uma vez a grandeza do seu coração: generoso, fiel, capaz de acolher o mundo inteiro.
Enquanto o observava, senti aquele orgulho antigo e sempre novo que só um pai conhece. Orgulho não apenas no homem que ele se tornou, mas no ser humano luminoso que é – e que continua a ser, mesmo quando a vida o desafia.
Obviamente, lembrei-me também do meu outro filho que não pôde estar presente, mas cuja presença sinto sempre, como quem sente o calor de uma lareira mesmo quando não vê a chama. O amor de pai tem esta magia: alcança distâncias, atravessa silêncios, abraça mesmo quando os braços não chegam.
Porque amar um filho – amar os filhos – é isto: vê-los crescer por dentro, vê los ser casa para os outros, vê los carregar memórias, ausências, presenças e afetos com a mesma delicadeza com que se segura um pássaro na mão.
Vivamos com verdade, com a consciência de que cada segundo é irrepetível. Que cada abraço é um abrigo. Que cada riso é um bálsamo. Que cada reencontro – mesmo que apenas no coração – é uma dádiva.
O tempo não espera por ninguém, mas nós podemos escolher não o desperdiçar.
Que cada dia nos encontre mais leves, mais inteiros, mais atentos à beleza que insiste em acontecer, mesmo nos silêncios, mesmo nas ausências, mesmo na distância.
E que os meus filhos sintam sempre que são e serão enquanto eu viver, a parte mais bonita da minha existência. E que a Vida, com toda a sua beleza e imperfeições, me permita continuar a caminhar ao lado deles para os amar. Sempre.