Com
o tempo aprendi que as relações – todas elas – só valem a pena quando assentam
em quatro pilares simples: respeito mútuo, educação verdadeira,
honestidade nas atitudes e gratidão pelos gestos que recebemos sem os pedir. O
resto é ruído, pressa, necessidade de preencher vazios que não me pertencem.
O
respeito é a base de tudo.
Não
é reverência, não é submissão, não é formalidade. É apenas a capacidade de
reconhecer o outro como alguém com tempo próprio, limites próprios, vida
própria. Quem não entende isto, não entende nada do que é viver em paz.
A
educação, essa, não se finge. Ou existe, ou não existe. Não é feita de palavras
bonitas, mas de gestos simples: saber esperar, saber ouvir, saber chegar
devagar. A educação verdadeira não invade, não exige, não atropela. Aproxima-se
com cuidado.
A
honestidade é o que separa a presença da intenção. Não preciso que me digam
tudo; preciso apenas que o que digam seja verdadeiro. A vida já me ensinou a
distinguir quem vem por bem de quem vem por necessidade. E eu prefiro sempre a
verdade simples à simpatia apressada.
E
depois há a gratidão – essa forma silenciosa de reconhecer o que nos é dado sem
que o tenhamos pedido. A gratidão não se anuncia, sente-se. É o gesto de quem
sabe que nada é garantido e que cada ajuda, cada palavra, cada presença tem
valor.
É
isto que procuro. É isto que ofereço. O resto… passa-me ao lado.
José
Coelho
Texto e foto com Maria Coelho
