Ao longo dos anos, temos visto passar entre nós vários sacerdotes, homens de Deus que deram a vida ao serviço das nossas aldeias, das nossas famílias e da nossa fé. Recordamos com saudade o Padre Luís Ribeiro, que enfrentou a doença com coragem e partiu deixando um vazio no coração de todos nós.
Hoje temos o Padre Marcelino, presbítero extraordinário que aos 61 anos carrega às costas cinco paróquias e várias capelanias. Só ontem celebrou quatro missas, dois batizados, um funeral e ainda conduziu a procissão na nossa aldeia. Faz mais de sessenta quilómetros para vir ter conosco e voltar para Santiago de Urra, sem olhar ao número de pessoas que estão nos bancos da igreja. Se cinco ou cinquenta. Vem por quem estiver. Ponto.
Podia desculpar-se. Podia dizer que é demasiado trabalho. Podia reduzir celebrações. Podia pedir para espaçar missas de quinze em quinze dias. Mas não o faz. Porque é pastor. Porque é servidor. Porque é homem de fé. Porque é exemplo.
E por isso sinto com toda a verdade:
Não podemos deixá-lo sozinho. Não o deixemos sozinho. Não podemos permitir que o peso de tantas paróquias caia apenas sobre os ombros de um sacerdote e de meia dúzia de leigos. Não podemos continuar a ser espectadores da fé, aparecendo apenas quando a vida dói, quando há doença, quando há medo, quando precisamos de um milagre.
A fé não é um botão de emergência.
A fé é caminho, compromisso, presença.
E a paróquia é de todos nós.
Se o Padre Marcelino dá tudo, então nós também temos de dar alguma coisa. Se ele se entrega sem reservas, então nós também temos de nos disponibilizar. Se ele chega cansado mas presente, então nós também temos de estar presentes.
Não podemos continuar a dizer “faz falta” e depois ficar sentados. Não podemos elogiar quem serve e depois não nos oferecermos para ajudar. Não podemos esperar que a Igreja se mantenha viva se não formos nós a alimentá-la.
Por isso, deixo este apelo fraterno:
Vamos levantar-nos. Vamos participar. Vamos servir. Vamos aprender. Vamos ajudar. Vamos ser comunidade. Porque a paróquia não é do padre. A paróquia não é de alguns. A paróquia é nossa.
E se cada um de nós fizer um pouco, ninguém terá de fazer tudo.
Se cada um de nós der um passo, o caminho torna-se mais leve.
Se cada um de nós assumir a sua parte, o Padre Marcelino terá força para continuar a ser o pastor que tanto admiramos.
Que a Senhora do Carmo nossa Mãe e Protetora, nos inspire a sermos uma comunidade viva, generosa e comprometida e que Deus nos dê coragem para não deixarmos ninguém sozinho.
Nem o nosso padre, nem os nossos irmãos, nem a nossa fé. Com esperança, com união e com responsabilidade, sejamos uma comunidade que quer caminhar junta.
