segunda-feira, 4 de maio de 2026

Para ti, companheira dos meus últimos 55 anos (Parte 2)

Nestes dias que passaram, percebi mais uma vez aquilo que a vida me tem mostrado desde que te conheci: caminhar contigo é a maior sorte que já tive. O susto foi grande, as horas foram longas, e o coração andou apertado, mas tu estiveste sempre ali, firme na tua coragem silenciosa e eu ao teu lado, como sempre estive e sempre estarei.
Quando te vi sair daquele procedimento, ainda meio adormecida mas já a regressar para mim, senti o mundo a voltar ao lugar. E agora, já em casa, com o teu corpo a recuperar e o teu olhar a reencontrar a calma, sinto que atravessámos mais uma prova juntos, como tantas outras ao longo destes cinquenta e cinco anos.
Olho para ti e vejo a mesma força que me acompanha desde a juventude. Cuidar de ti não é um peso, nem um dever, é a continuação natural da vida que construímos, gesto a gesto, riso a riso, susto a susto. Somos feitos desta teimosia bonita de não largar a mão um do outro, mesmo quando o caminho treme.
Esta selfie que tirámos antes de entrares no hospital, a sorrir como se fôssemos para um baile, diz tudo sobre nós: enfrentamos o medo com humor, com ternura, com essa cumplicidade que só se constrói numa vida inteira partilhada.
Agora que a tempestade passou, fica a certeza que sempre nos guiou: somos um do outro, e isso basta para atravessar qualquer noite e celebrar cada manhã.
Beijinho do teu Zéi…