Há
uma beleza rara nas pessoas que tentam sempre – ajudar, ou seja o que for. Não
naquelas que tentam porque é fácil, mas nas que tentam mesmo quando tudo à
volta parece dizer que não vale a pena.
A
beleza de quem tenta não está no resultado – está no gesto. No impulso de
estender a mão, de oferecer presença, de acreditar que talvez, só talvez, o
outro consiga finalmente respirar.
Há
quem tente levantar alguém que vive há anos a cair. Quem tente iluminar um
coração habituado à escuridão. Quem tente ser porto para quem só conheceu
tempestades. E esse esforço, mesmo quando não é acolhido, é uma forma de
grandeza.
A
beleza de quem tenta está na coragem de não endurecer. De não deixar que a
dureza do outro contamine a sua própria ternura. De continuar a ser inteiro,
mesmo quando o mundo à volta se parte.
Há
quem diga que é ingenuidade. Mas não é.
É
força. É maturidade emocional. É a prova de que o coração, apesar das feridas,
ainda sabe escolher a luz.
A
beleza de quem tenta, está também no momento que percebe que já fez tudo o que
podia e mesmo assim não se arrepende. Porque tentar é sempre melhor do que
virar a cara. Porque tentar é uma forma de cuidar, mesmo quando não é
correspondido.
E
quando chega a hora de se afastar, quem tentou não leva culpa consigo. Leva
apenas a serenidade de quem sabe que deu o melhor de si. E isso basta para que
o coração permaneça limpo.
A
beleza de quem tenta é esta: mesmo quando não consegue salvar o outro, salva-se
a si próprio. Porque não traiu a sua essência. Porque não deixou de ser bom.
Porque não deixou de ser luz.
Num
mundo onde tanta gente desiste cedo demais, quem tenta, mesmo que falhe, é
sempre, sempre, um discreto milagre.
José Coelho
