terça-feira, 26 de maio de 2026

A beleza de quem tenta, sempre.


Há uma beleza rara nas pessoas que tentam sempre – ajudar, ou seja o que for. Não naquelas que tentam porque é fácil, mas nas que tentam mesmo quando tudo à volta parece dizer que não vale a pena.

A beleza de quem tenta não está no resultado – está no gesto. No impulso de estender a mão, de oferecer presença, de acreditar que talvez, só talvez, o outro consiga finalmente respirar.

Há quem tente levantar alguém que vive há anos a cair. Quem tente iluminar um coração habituado à escuridão. Quem tente ser porto para quem só conheceu tempestades. E esse esforço, mesmo quando não é acolhido, é uma forma de grandeza.

A beleza de quem tenta está na coragem de não endurecer. De não deixar que a dureza do outro contamine a sua própria ternura. De continuar a ser inteiro, mesmo quando o mundo à volta se parte.

Há quem diga que é ingenuidade. Mas não é.

É força. É maturidade emocional. É a prova de que o coração, apesar das feridas, ainda sabe escolher a luz.

A beleza de quem tenta, está também no momento que percebe que já fez tudo o que podia e mesmo assim não se arrepende. Porque tentar é sempre melhor do que virar a cara. Porque tentar é uma forma de cuidar, mesmo quando não é correspondido.

E quando chega a hora de se afastar, quem tentou não leva culpa consigo. Leva apenas a serenidade de quem sabe que deu o melhor de si. E isso basta para que o coração permaneça limpo.

A beleza de quem tenta é esta: mesmo quando não consegue salvar o outro, salva-se a si próprio. Porque não traiu a sua essência. Porque não deixou de ser bom. Porque não deixou de ser luz.

Num mundo onde tanta gente desiste cedo demais, quem tenta, mesmo que falhe, é sempre, sempre, um discreto milagre.

José Coelho