Que a Murta permaneça este lugar onde o tempo se inclina, onde o vermelho das suas paredes guarda o calor das gerações e o verde dos campos respira como uma prece antiga.
Que a fonte continue a murmurar a sua água pura, lembrando as mulheres que ali buscavam vida e os namorados que, na noite de São João, colhiam esperança no silêncio da meia-noite.
Que Deus abençoe também a família que lhe devolveu o brilho, a dignidade e a alma, mãos que restauraram não só paredes, mas a memória de todos nós.
E que quem se sentar no poial da fonte, como hoje eu me sentei para bater esta foto, sinta esta paz que não se explica – apenas se recebe, como graça que desce devagar sobre a terra que tanto amamos.
Texto e foto
