sexta-feira, 1 de maio de 2026

Os amigos de verdade e os “amigos” entre aspas.

Os primeiros são raros. Os segundos aparecem por todo o lado, como ervas daninhas em vaso caro.
Os segundos são aqueles que tratam a amizade como um cartão de pontos: dão um sorriso hoje, cobram um favor amanhã. Amizade de ocasião, com prazo de validade e etiqueta com o preço.
Há os amigos de conveniência, que só nos descobrem quando precisam de boleia, de companhia ou de alguém que lhes segure o ego, enquanto eles se equilibram.
Há também os amigos da onça: ronronam pela frente, arranham pelas costas. E não, não vêm todos de Peniche. Alguns vêm de muito mais perto – tão perto que até partilham mesa e sobremesa.
E temos agora também os amigos virtuais: fazem pedidos de amizade nas redes sociais com a mesma facilidade com que ignoram um “olá” quando passam por nós na rua. São amigos de polegar, não de presença.
Depois há os verdadeiros. Os que não precisam de estar perto para estar conosco. Os que celebram as nossas vitórias como se fossem deles e que, quando nos vêem cair, não fazem discursos – fazem presença.
São os que nos dizem a verdade mesmo quando preferíamos uma mentira bonita. Os que nos dão a mão quando é preciso levantar… e os que a largam quando sabem que aquela queda é necessária porque faz parte do nosso caminho.
A amizade verdadeira não desbota. Não se gasta. Não se usa para nada – por isso serve para tudo.
Os velhos amigos são assim: a amizade com eles está sempre no princípio, nunca no fim.

Foto na muralha do segundo dos três castelos do Séc., XIV da Vila de Bellinzona, na Suíça, há duas semanas atrás.