sábado, 30 de agosto de 2025

O Valor do Reconhecimento


Quando a Palavra Toca o Coração da Nossa Terra

Ser abordado na rua por uma senhora com mais de 80 anos, que com palavras sinceras expressou gratidão pelo que escrevo sobre pessoas, usos e costumes da nossa terra, foi um daqueles momentos raros em que o tempo parece abrandar. Nos olhos dela, vi espelhada a história viva da comunidade, a memória das pequenas coisas que fazem o tecido da nossa identidade coletiva.

É para pessoas assim que escrevo: para quem carrega no olhar a ternura dos dias passados, para quem reconhece valor nas tradições e encontra beleza nos gestos simples que nos unem. Ouvir o agradecimento de quem sente os meus textos como eco das próprias vivências é o maior reconhecimento que se pode desejar. Afinal, escrever sobre a terra é um exercício de pertença e responsabilidade, uma forma de celebrar a riqueza humana que encontramos todos os dias nos rostos conhecidos e nas histórias partilhadas ao entardecer.

Senti-me profundamente sensibilizado com aquelas palavras, pois elas confirmam que a escrita tem o poder de criar pontes entre gerações, de preservar memórias e de cultivar sentido de comunidade. É por essas pessoas, que valorizam cada traço do nosso viver, que continuo a escrever, acreditando que a palavra pode iluminar o quotidiano e dignificar o que somos.

Este encontro ficará guardado como testemunho de que, enquanto houver quem leia com o coração, vale sempre a pena dar voz à nossa terra. Grato pela generosidade do seu gesto, querida senhora Beiranense que muito estimo e admiro.

As suas palavras foram valiosas e muito estimulantes para mim porque a escrita, a minha terra, a sua gente da qual sou parte, os seus usos e costumes, são, seguramente, a maior paixão da minha já também longa vida.

Bem haja.

___ José Coelho

Foto Maria Coelho