Quando
a Palavra Toca o Coração da Nossa Terra
Ser
abordado na rua por uma senhora com mais de 80 anos, que com palavras sinceras
expressou gratidão pelo que escrevo sobre pessoas, usos e costumes da nossa
terra, foi um daqueles momentos raros em que o tempo parece abrandar. Nos olhos
dela, vi espelhada a história viva da comunidade, a memória das pequenas coisas
que fazem o tecido da nossa identidade coletiva.
É
para pessoas assim que escrevo: para quem carrega no olhar a ternura dos dias
passados, para quem reconhece valor nas tradições e encontra beleza nos gestos
simples que nos unem. Ouvir o agradecimento de quem sente os meus textos como
eco das próprias vivências é o maior reconhecimento que se pode desejar.
Afinal, escrever sobre a terra é um exercício de pertença e responsabilidade,
uma forma de celebrar a riqueza humana que encontramos todos os dias nos rostos
conhecidos e nas histórias partilhadas ao entardecer.
Senti-me
profundamente sensibilizado com aquelas palavras, pois elas confirmam que a
escrita tem o poder de criar pontes entre gerações, de preservar memórias e de
cultivar sentido de comunidade. É por essas pessoas, que valorizam cada traço
do nosso viver, que continuo a escrever, acreditando que a palavra pode
iluminar o quotidiano e dignificar o que somos.
Este
encontro ficará guardado como testemunho de que, enquanto houver quem leia com
o coração, vale sempre a pena dar voz à nossa terra. Grato pela generosidade do
seu gesto, querida senhora Beiranense que muito estimo e admiro.
As
suas palavras foram valiosas e muito estimulantes para mim porque a escrita, a
minha terra, a sua gente da qual sou parte, os seus usos e costumes, são,
seguramente, a maior paixão da minha já também longa vida.
Bem
haja.
___ José Coelho
Foto Maria Coelho
