Terra
amada, que me corres nas veias como um rio antigo, escuta a minha voz que é
também a voz dos que vieram antes de mim.
Abençoa
estes prados onde as flores se abrem como pequenas oferendas ao sol que tudo
desperta. Abençoa as velhas casas que ainda guardam, nas suas paredes gastas, o
riso, o suor e o pão dos meus ancestrais.
Que
cada pedra que piso me lembre o caminho dos primeiros, que as pisaram. Que cada
sombra me recorde os que trabalharam de sol a sol, deixando na terra o peso dos
seus passos e a leveza dos seus sonhos.
Terra
amada, que és fronteira e ponte e tocas Espanha onde o céu se inclina, guarda
em ti a memória dos clãs que aqui viveram, dos que amaram, sofreram, criaram
filhos e repousaram sob o mesmo vento que hoje me toca o rosto.
Que
eu nunca esqueça que pertenço a este chão, que sou feito da mesma poeira que
alimenta as raízes, e que o meu sangue leva contigo a história inteira dos que
me antecederam.
Terra
amada, dá-me a força dos teus montes, a serenidade dos teus vales, e a
sabedoria silenciosa dos teus cinco mil anos.
E
quando eu caminhar por ti em silêncio, que esse silêncio seja oração e a oração
seja gratidão.
José Coelho
