terça-feira, 12 de maio de 2026

Lugar onde o tempo não passa - ajoelha-se

Casa da Meirinha - Freguesia de Beirã

No maio luminoso abre‑se este sagrado manto florido, estendido pelos deuses da terra.

A velha casa de campo – outrora lar de numerosas famílias que viviam do sol, da ceifa e do rumor das estações – ergue‑se agora como ancestral fortaleza, guardiã de segredos que só o vento ousa repetir.

Lá ao fundo, onde o horizonte se dissolve nas terras de Espanha, a fronteira parece uma linha traçada por gigantes, mais antiga do que qualquer reino.

Sob esta vastidão dormem cinco milénios de humanidade: antas que vigiam a noite como sentinelas de pedra, menires que apontam o caminho das estrelas, lagaretas talhadas pelos primeiros artesãos do mundo, e povoados alto‑medievais que ainda murmuram o eco de passos esquecidos.

Aqui, onde a terra respira mito, cada flor é um sinal, cada sombra é uma memória, e cada sopro de vento traz consigo a voz dos que por aqui caminharam antes.

Neste lugar, o tempo não passa – o tempo ajoelha‑se.

José Coelho