quinta-feira, 7 de maio de 2026

Só quem semeia, colhe – na horta e na vida


Adoro mexer na terra com as mãos, sentir o seu odor e observar as sementes a brotar e a transformarem-se em robustas plantas. Entretenho-me tardes e dias inteiros pelo quintal, quase sem dar pelo correr das horas. Não há nada mais saudável, pacífico e relaxante. O contacto direto com a natureza proporciona uma paz inigualável, algo que não se encontra facilmente nos ambientes urbanos ou na azáfama do quotidiano moderno.

Um grande e douto amigo, proprietário de uma quinta nas redondezas, afirma com convicção: “um dia na quinta é mais tranquilizante do que uma ida ao psicólogo”. Concordo plenamente. A serenidade que emana da natureza é, sem dúvida, mais benéfica que muitos medicamentos, proporcionando um equilíbrio profundo entre corpo e mente.
Como escreveu uma autora que frequentemente leio, “nasci em tempos rudes” e “aprendi a viver nesses tempos”. A dureza do passado forjou o meu carácter. As pessoas eram rudes pelo trato exigido pelas dificuldades da vida, mas essa rudeza nada tinha de maldosa. Pelo contrário, eram de uma pureza de princípios e de carácter que hoje quase se desconhece. Sinto uma saudade inexplicável desses tempos e das pessoas que os habitaram, uma nostalgia que cresce com o passar dos anos.
A minha pequena horta abastece a casa de verduras durante todo o inverno. Mas, além da colheita, é o uso das alfaias agrícolas herdadas do meu pai – enxadas, sachos, forquilhas, ancinhos, rodos, pás, picaretas – que me transporta até ele. Imito-lhe o modo de fazer, a precisão de cada rego, a atenção ao detalhe, o carinho com que cuidava das pessoas, dos animais e das plantas. Esse esmero, essa dedicação quase ingénua, tornavam-no respeitado e estimado.
Recordo-o com tamanha nitidez que, por vezes, parece-me sentir no quintal o odor do tabaco de onça e mortalha que o acompanhavam sempre. O seu hábito de fumar era peculiar, nunca aspirava o fumo, apenas o saboreava entre os lábios. Viveu assim serenamente até aos 83 anos, quando um tumor na próstata o venceu. A presença dele na minha saudade é tão forte que se torna quase física.
Três quartos do meu ADN pertencem-lhe – até o meu rosto atualmente é uma réplica do dele – por isso só um quarto será da minha mãe. Ainda assim fui abençoado desde o nascimento até à sua partida pelo amor profundo e incondicional que ela sempre me dedicou. Nunca me senti pobre ou carente, apesar de o dinheiro ser sempre contado, por vezes até esticado. Mas de afetos, educação, respeito e honestidade, sempre fomos milionários nesta família.
Procurei, desde cedo, imitar os exemplos desses meus dois grandes mestres. Porque acredito que ele ensina mais do que muitas palavras. Sinto-me bem-sucedido, porque os meus filhos, na sua honrada vida, são o meu orgulho, nem me incomoda nada que nenhum deles não tenha querido aprender a cavar ou a plantar a terra, como o pai aprendeu com o avô.
Cada geração tem as suas particularidades e nenhuma é melhor ou pior que a anterior, tal como as vindouras também não o serão em relação à atual.
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. Mas existe uma verdade que permanece, venha o tempo que vier: quem quiser colher terá de saber semear, na horta, ou na vida. Esta máxima ecoa tanto nos campos como no coração, sendo um legado valioso que atravessa gerações.
Texto e foto

quarta-feira, 6 de maio de 2026

A farda que me escolheu


Tinha acabado de completar os dezassete anos quando decidi entregar-me ao destino que tantos evitavam. Não foi por bravura, nem por rebeldia, nem por falta de alternativas. Foi por convicção. Em 1969 apresentei-me voluntário para o serviço militar, ainda com a juventude a latejar no peito e a sensação ingénua de que o mundo se podia olhar de frente, sem hesitações.
A guerra esperava-me. E eu fui.
Em Angola aprendi depressa que a vida é frágil e que a camaradagem é a única âncora quando tudo o resto falha. A farda, que no início era apenas uniforme, tornou-se pele. Tornou-se identidade. Tornou-se destino.
Regressei em junho de 1974, carregado de memórias que não pedi e de uma maturidade que não tinha idade para ter. Mas o país que encontrei estava em convulsão. O 25 de Abril tinha mudado o regime, mas não mudara a dificuldade de quem procurava trabalho. Bati a muitas portas. Nenhuma se abriu.
Sem alternativas, deixei a minha terra e fui trabalhar para as Minas da Panasqueira. Ali, no subsolo, percebi que a terra pode ser tão implacável como a guerra. O perigo era diário, constante, silencioso. Mas era trabalho. Era sustento. Era o que havia.
A minha esposa, porém, via mais longe do que eu. Via o risco, via o desgaste, via o futuro que aquele trabalho não me podia dar. Foi por insistência dela – e talvez por um instinto que eu próprio não queria admitir – que decidi mudar de rumo.
Em janeiro de 1979 ingressei na Guarda Nacional Republicana. E foi como um regressar a casa depois de anos a vaguear.
Na GNR reencontrei aquilo que julgava ter deixado para trás: disciplina, camaradagem, propósito. Comecei como Soldado, com a humildade de quem sabe que nada se constrói sem base sólida. Quatro anos depois, concluí o Curso de Cabos. E logo a seguir, enfrentei as provas do 6.º Curso de Formação de Sargentos – escritas, físicas, psicotécnicas. Passei. E passei bem.
Foram mais dois anos de estudo intenso, noites mal dormidas e uma vontade inabalável de crescer. Quando fui graduado em Furriel, senti que estava a honrar não só a instituição, mas também o rapaz de 17 anos que um dia se ofereceu voluntário para servir o seu país.
Como Segundo e depois Primeiro-sargento comandei homens de valor em Nisa e em Castelo de Vide. Homens que ainda hoje estimo – e me estimam. Mais tarde, em Mafra e Queluz, aprofundei a formação que me levaria a Sargento-Ajudante cuja promoção me colocou em Portalegre, na Escola Prática da Guarda.
Ali desempenhei funções que me marcaram profundamente: chefiei durante oito anos a Secretaria da CCS, e nos últimos dois a Secretaria Geral da Unidade, acumulando sempre com as funções de Instrutor a formar instruendos nas disciplinas que moldam um militar – Armamento, Leis e Regulamentos Militares, Legislação Policial.
Ensinar é uma forma de continuar a servir. E eu servi com tudo o que tinha, desde a recruta no BC8, em Elvas em maio de 1971, até ao dia em que passei à reforma em novembro de 2003 no Centro de Formação de Portalegre, vivi dentro da instituição militar.
Recebi cinco louvores – de Major-general a Capitão – e três medalhas: a das Campanhas em Angola, a de Comportamento Exemplar grau prata e a de Mérito da Segurança Pública duas estrelas. Nada disso me foi dado. Tudo foi conquistado.
Por isso me custa admitir que ex-militares insultem, difamem e rebaixem camaradas. Quem assim procede não compreendeu nada do que é ser militar. A farda exige valores. E quem não os tem, não é digno de a vestir.
Como disse o General Octávio Costa:
“A farda não é uma veste que se despe com facilidade ou até com indiferença, mas uma segunda pele que adere à própria alma, irreversivelmente e para sempre.”
Não me considero mais do que ninguém. Mas também não me envergonho de nada do que fiz. O meu percurso foi duro, foi longo, foi honrado. Servi o meu país no Exército e na GNR com a única intenção que sempre me guiou:
BEM SERVIR.
E se hoje escrevo estas linhas é porque a minha história não é apenas minha. É a história de todos os que sabem que a farda não se veste – honra-se.
Texto e foto

Valores que o tempo nunca deveria apagar

Vivemos numa época de transformações profundas, em que muitos dos valores que sustentaram famílias e comunidades durante gerações parecem perder terreno perante novos hábitos, prioridades e modos de viver. Para quem cresceu ancorado em princípios sólidos, esta mudança traz um sentimento de estranheza — quase de desalinhamento — sobretudo quando a experiência de vida é recebida com correções ou críticas vindas das gerações mais novas.

Durante décadas, ensinamentos como humildade, simplicidade, sabedoria, honestidade, generosidade, educação, disciplina, respeito e fraternidade foram transmitidos como um legado natural. Hoje, porém, muitos destes valores são vistos como ultrapassados, como se o mundo moderno tivesse decretado que a integridade é coisa de outros tempos. O que antes era motivo de orgulho tornou-se, por vezes, alvo de reparo, como se a vivência e o bom-senso tivessem perdido validade.

Este fenómeno pesa sobretudo sobre quem sempre procurou viver e transmitir esses princípios, e que agora sente a dor de ser corrigido com o argumento de que “hoje já nada é assim”. Mas a convicção permanece: não é errado viver segundo aquilo que nos ensinaram; errado seria abdicar da honestidade e do caráter só porque o mundo anda apressado.

Há cinquenta anos, a vida era dura e a abundância escassa. Hoje, há quase tudo em excesso — menos aquilo que realmente importa: amor ao próximo, amizade verdadeira, honestidade, generosidade, educação, disciplina, respeito, delicadeza, sinceridade, humildade e fraternidade. Estes valores, cada vez mais raros, continuam a ser os únicos capazes de construir uma sociedade justa, solidária e verdadeiramente humana.

A falta deles é visível sobretudo nas esferas de poder, onde o exemplo deveria ser regra. Em vez disso, multiplicam-se casos de corrupção, compadrio e ganância, que acabam por contaminar o olhar da sociedade. Mesmo no seio das famílias, das amizades ou do trabalho, apesar de ainda existirem pessoas de bons princípios, cresce o individualismo, a inveja e a competição desmedida. O sucesso alheio, tantas vezes fruto de esforço e sacrifício, desperta ressentimento em vez de admiração.

Para quem sempre viveu com honestidade, superando dificuldades sem atalhos, é difícil aceitar que a integridade seja desvalorizada em favor do imediatismo ou da sorte. Mas é precisamente essa capacidade de transformar adversidades em força que deve ser motivo de orgulho. Dizer a verdade, olhar nos olhos, recusar a hipocrisia e manter coerência entre palavras e ações são ensinamentos que não envelhecem.

Manter vivos esses valores, pode parecer, aos olhos de alguns, estar “fora de moda”. Mas num tempo marcado por instabilidade, violência, corrupção e degradação das instituições, importa reafirmar que a honestidade, a idoneidade e o respeito continuam a ser pilares essenciais. São eles que podem restaurar a confiança, a harmonia e a dignidade social.

Não devemos abdicar dos princípios que recebemos das gerações anteriores. O tempo muda costumes e mentalidades, mas não muda a essência do caráter. Que saibamos resistir à superficialidade e ao imediatismo, mantendo acesa a chama da bondade, da verdade e do respeito mútuo — por nós e por quem virá depois.

José Coelho

terça-feira, 5 de maio de 2026

O Amor constrói-se todos os dias porque amar não é um instante – é uma escolha contínua.

Há quem pense que o amor vive apenas do brilho do começo e da euforia dos primeiros dias. Mas a verdade é outra: o amor que dura é feito de pequenos gestos, de conversas que evitam silêncios frios, de reencontros depois de dias difíceis. É um caminho que se constrói passo a passo, mesmo quando o terreno é irregular.
Viver uma vida inteira ao lado de alguém nunca foi, nem nunca será, um caminho reto. Não é uma estrada asfaltada, previsível, com placas a indicar cada curva. É mais parecido com um trilho entre árvores: às vezes iluminado por frestas de sol, outras vezes coberto por sombras densas. Há raízes que nos fazem tropeçar, pedras que nos obrigam a abrandar e clareiras que nos devolvem o fôlego.
E, ainda assim, seguimos. Juntos ou aos tropeções, mas seguimos.
Há dias em que os passos se alinham naturalmente, como se os dois tivessem sido feitos para caminhar no mesmo ritmo. E há dias em que um caminha apenas para ir atrás do outro. É isso que quase ninguém diz: o amor não é sempre simétrico. Há momentos em que um carrega mais, outro menos. E está tudo bem, desde que ambos continuem a escolher o mesmo percurso.
O amor não vive eternamente das ilusões do início. Elas são belas, intensas, mas também frágeis. Com o tempo, silenciam-se como um eco que se afasta, e no lugar delas nasce algo mais profundo: a vontade de ficar. A vontade de construir, de reparar, de recomeçar quantas vezes forem necessárias.
Não se assustem se já não sentem a vibração do começo. O coração, quando aprende o ritmo do outro, fala noutra língua. Uma língua feita de gestos pequenos, quase invisíveis: um café sem ter sido pedido, uma mão que procura a outra no escuro, uma manta ajeitada sobre os ombros num dia frio. São detalhes que vistos de fora parecem nada, mas quem ama sabe que ali mora tudo.
Partilhar a vida também é saber conter o ímpeto. Nem toda a irritação precisa de voz. Nem toda a diferença de opinião é uma provocação. Há discussões que aproximam, porque revelam cuidado e desacordos que não afastam, porque revelam respeito. O problema nunca são as diferenças, mas as armas que escolhemos usar para lidar com elas.
Os verdadeiros inimigos do amor são silenciosos: o apego que esfria, o orgulho que endurece, a indiferença que apaga. É nesse frio lento, quase impercetível que o amor começa a extinguir-se. Não num grito, mas num afastamento suave, quase educado, que um dia se torna abismo.
Envelhecer juntos não assusta. O que assusta é mudar o físico, perder o brilho, deixar de agradar. Assusta a ideia de que o outro já não nos veja com os mesmos olhos. Mas o amor não precisa de permanecer igual para continuar verdadeiro. Se continuarmos a conversar, a olhar-nos, a procurar-nos, o vínculo não morre – transforma-se. Fica mais íntimo, mais maduro, mais real.
Menos fogo de artifício, mas mais chama que aquece.
Haverá dias pesados. Dias em que o cansaço fala mais alto do que a ternura. Dias em que não há paciência, nem conversa, nem brilho. E está tudo bem. O amor não se mede pela perfeição, mas pela decisão de continuar. Pela coragem de permanecer juntos, mesmo quando o encanto adormece.
E se um dia sentirem distância, não deixem que ela cresça. A distância alimenta-se do silêncio. Dêem o primeiro passo: um gesto, um olhar, uma memória acesa. Às vezes basta isso para reencontrar o caminho.
Não é magia. É escolha. É ternura. É a história que se escreve a dois, com falhas, com tropeços, com dias cinzentos. E com o tempo…

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Para ti, companheira dos meus últimos 55 anos (Parte 2)

Nestes dias que passaram, percebi mais uma vez aquilo que a vida me tem mostrado desde que te conheci: caminhar contigo é a maior sorte que já tive. O susto foi grande, as horas foram longas, e o coração andou apertado, mas tu estiveste sempre ali, firme na tua coragem silenciosa e eu ao teu lado, como sempre estive e sempre estarei.
Quando te vi sair daquele procedimento, ainda meio adormecida mas já a regressar para mim, senti o mundo a voltar ao lugar. E agora, já em casa, com o teu corpo a recuperar e o teu olhar a reencontrar a calma, sinto que atravessámos mais uma prova juntos, como tantas outras ao longo destes cinquenta e cinco anos.
Olho para ti e vejo a mesma força que me acompanha desde a juventude. Cuidar de ti não é um peso, nem um dever, é a continuação natural da vida que construímos, gesto a gesto, riso a riso, susto a susto. Somos feitos desta teimosia bonita de não largar a mão um do outro, mesmo quando o caminho treme.
Esta selfie que tirámos antes de entrares no hospital, a sorrir como se fôssemos para um baile, diz tudo sobre nós: enfrentamos o medo com humor, com ternura, com essa cumplicidade que só se constrói numa vida inteira partilhada.
Agora que a tempestade passou, fica a certeza que sempre nos guiou: somos um do outro, e isso basta para atravessar qualquer noite e celebrar cada manhã.
Beijinho do teu Zéi…

Corpus Christi

O dia mais santo do ano – segundo a ti Florinda Lourenço, Senhora Minha Mãe – era o Dia do Corpo de Deus. Tão santo que, dizia ela, muito séria e convicta, “até as folhas das oliveiras se cruzavam ao meio‑dia em ponto, a saudarem a Cruz de Cristo”. Nunca conheci mulher mais devota. E nunca me cansei de ouvir as suas crenças, quase sempre acompanhadas de algum “caso” que tinha acontecido a fulano ou beltrano por não respeitar tais preceitos.

Não podia ir à missa todos os domingos. Mãe de quatro filhos e esposa de um camponês, passava a semana inteira nos campos. Ao domingo o seu “dia de descanso” era limpar a casa, lavar a roupa de todos, coser um rasgão aqui, outro ali. Um descanso mais duro do que mondar o trigo, que mal lhe deixava tempo para si.

Compensou depois. Na última década da sua vida, já viúva e com os filhos criados, não faltou a um só domingo, a um só dia santo, a um só mês de Maria ou procissão. Ia a todas. Nunca frequentou qualquer catequese mas sabia rezar melhor do que muitas beatas. Sabia rezas para o pão crescer, para o pão cozer, para se levantar, para se deitar, para atravessar caminhos ermos. Sabia dezenas delas. Era uma sábia, a minha Florinda.

Nunca me esqueço dela, mas é nestes rituais que a sinto mais perto. Claro que as folhas das oliveiras não se cruzam. Mas ainda assim vou sempre ver. Não por acreditar no milagre, mas porque era crença da minha Mãe e isso aproxima‑me da sua memória.

Ai de quem ousasse dizer‑lhe que aquilo não era assim: “A gente, mesmo que nã acredite, nã deve dizer mal…”

Este ano, como sempre, irei espreitar as oliveiras do quintal. Ou melhor: irei visitar as memórias que ela cá me deixou. Cruz nenhuma verei. Apenas ramos viçosos, carregados de flores – o alentejano candeio. Assim chamavam os nossos antepassados camponeses aos cachos de flores que pendem das oliveiras nesta época. Era pelo aspeto desse “candeio” que previam se o ano seria farto em azeite.

Adoro os usos, os costumes e os falares da minha região. Do meu povo, na sua simplicidade, autenticidade e pureza. Gente humilde no trato, mas riquíssima em idoneidade. Assim é a minha terra. Assim eram os meus pais, os meus avós, todos os meus antepassados. Pessoas que não sabiam ler nem escrever, mas eram sábias e dignas. Aprenderam à custa das suas sacrificadas vidas e ensinaram‑nos mais do que muitas escolas.

Obrigado, Mãe.

Não quero – de modo algum – duvidar das tuas crenças, mas ainda não será este ano que verei as folhas das oliveiras em cruz, como tu acreditavas.

E voltarei a pensar: Qual será o meio‑dia verdadeiro? O de verão ou o de inverno? O solar ou o dos relógios?

Pois… Se calhar é isso.

Ainda nunca acertámos com o meio‑dia do Corpo de Deus. 

Quem sabe, um dia, acertemos...

(Com saudades tuas, minha Florinda.)

José Coelho

domingo, 3 de maio de 2026

A força que nos faz seguir em frente


A saudade é o que nos torna humanos. Ela é a lembrança do que fomos, do que tivemos e do que perdemos. Mas também é a força que nos faz seguir em frente, em busca do que ainda não encontrámos.

A saudade dói, mas é ela que nos lembra que amámos, que vivemos, que fomos felizes. Sem ela, seríamos apenas sombras de nós mesmos, perdidos em um presente vazio.”

– José Saramago

Foto Maria Coelho