Em julho de 2021, quando o medo ainda pairava sobre o mundo, a fé encontrou forma de resistir. À porta da igreja, improvisámos um altar e deixámos que o vento fosse o nosso incenso.
Cantámos o salmo com o coração apertado, mas juntos. Rezámos à distância, mas unidos. E descobrimos que a fé não precisa de paredes e basta um olhar que acolhe, uma voz que se levanta, uma comunidade que não desiste.
Hoje, quando tudo parece ter voltado ao normal, corremos o risco de esquecer. Esquecer que fomos frágeis. Esquecer que precisámos uns dos outros. Esquecer que o essencial não está nas rotinas, mas na presença.
A pandemia ensinou-nos que o amanhã pode mudar num instante. Que o abraço negado dói mais do que qualquer febre. Que o silêncio das ruas pode também ser oração.
E que a vida, quando partilhada, é mais leve.
Não deixemos morrer a memória.
Porque o que vivemos foi mais do que medo, foi lição. E se um novo tempo difícil vier, que nos encontre como naquele dia à porta da igreja, juntos, atentos, humanos.
José Coelho
Foto: Eucaristia Solene de 16 de julho de 2021 à porta da igreja, em tempo de pandemia. A fé não se confinou; respirou ao ar livre, entre cadeiras distanciadas, mas corações próximos.
