Tudo passa. A saudade que hoje aperta o peito, a dor que nos faz caminhar mais devagar. E a vontade teimosa de irmos atrás de quem já não quer acompanhar-nos, também passa.
O tempo – esse velho artesão – sabe trabalhar a dor.
Lixa-a, afina-a, leva o que pesa e deixa apenas o que ilumina. No coração só ficam os sorrisos verdadeiros, os instantes bons, a memória limpa do que valeu a pena.
O resto, o que feriu, o que magoou, o que causou noites sem dormir… isso o tempo leva. E nós deixamos ir, porque não nascemos para carregar ódio, nem rancor, nem sombras que não são nossas.
Há quem prefira chorar em vez de sorrir, há quem viva com o coração fechado como uma casa abandonada. Eu não. Sou feito de uma luz persistente, que nenhuma desilusão consegue apagar.
Mantenho a consciência limpa, o coração leve, as histórias arrumadas e as feridas cicatrizadas. Não tenho medo de confiar de novo. O mundo não é mau por inteiro, nem as pessoas são todas iguais. Isso é mentira repetida por quem desistiu cedo demais.
Ainda há quem valha a pena, quem seja de verdade.
Por isso continuo assim: firme na esperança, sereno na fé de que amanhã é outro dia e que esse amanhã será sempre uma nova oportunidade que Deus nos dá para recomeçarmos.
E se o amanhã demorar muito, recomeço já hoje, devagar mas com verdade. E aqui estou.
