sábado, 30 de agosto de 2025

Coisas que leio e subscrevo


Com papas e bolos, se enganam os tolos

É preciso dizer as coisas como elas são: isto do IRS não passa de uma jogada suja para enganar o contribuinte. Anunciam um “alívio” como se fosse um favor divino, mas na realidade estão apenas a devolver tarde e a más horas o que já nos tiraram. Dois meses de retenção mais baixa em agosto e setembro não apagam o facto de que desde janeiro se andou a descontar acima do devido. É o típico truque de ilusionismo fiscal: roubam primeiro, devolvem depois e ainda querem ser aplaudidos.

Este teatro tem um objetivo claro: criar a sensação de que o Governo está a aliviar a carga no momento certo, quando a economia está frágil e as famílias com menos margem. Mas não é generosidade, é cálculo político. O contribuinte é tratado como criança, como se não percebesse que não se trata de uma dádiva, mas de um acerto forçado. E pior, embrulham a medida em linguagem técnica para parecer que estamos perante uma vitória.

O que devia ter sido feito de forma automática no início do ano é empurrado para o verão, quando a propaganda rende mais. E quem ganha menos é novamente manipulado com a promessa de uns euros extra no bolso, como se isso fosse suficiente para apagar meses de sobrecarga.

É uma farsa com selo oficial.

O Estado brinca com o dinheiro de quem trabalha, prolonga o erro durante meses, e depois veste a pele de salvador. Em vez de ser visto como reparação de um abuso, querem que o contribuinte agradeça e bata palmas. A verdade nua e crua é esta: não houve dádiva, houve saque e encenação. Quem engolir a narrativa está apenas a legitimar a mesma máquina que vive à custa do esforço alheio.

Desconheço o autor

sexta-feira, 29 de agosto de 2025

Coisas que leio e gosto


Por vezes é preciso parar

Há um momento na vida em que temos de parar. Um momento em que temos de largar todos os companheiros de estrada, libertarmo-nos de todos pesos e amarras, sentar calmamente e analisar a nossa vida e a nós próprios.

Desde muito cedo que seguimos caminhos já trilhados por outros, caminhos pré-definidos. Os caminhos da nossa vida encontram-se traçados, praticamente, desde o nascimento. Quatro meses após abrir os olhos para o mundo e a maior parte de nós já entrou na rotina. Começamos pelo berçário, infantário, pré-escola, primeiro, segundo e terceiro ciclos, ensino secundário e, se a tanto nos chegar a vontade, a universidade. Rotinas pré-definidas desde o início. Pelo meio surgirão alguns namorados e, quando a idade for aquela que é considerada adequada, surgirá um namorado que permanecerá na nossa vida mais tempo do que o habitual e seguiremos o caminho natural que é o casamento. A seu tempo surgirão a casa, os filhos, o carro, quem sabe até o cão. A completar este quadro está um emprego que, grande parte das vezes, é rotineiro. Um emprego e uma vida que nos fazem contar os dias que medeiam entre a segunda e a sexta-feira, os dias para o próximo feriado, os dias para as próximas férias, ou os dias para ser realmente feliz.

E, um dia, acordamos e pensamos que a vida não tem sido mais que uma vagarosa sucessão de dias: dias que decorrem lentamente à espera de um “ser feliz” que não acontece. Percebemos que a vida se está a tornar rapidamente insípida e sem cor. Percebemos que não sabemos bem quem somos — nem quem fomos. Não sabemos para onde vamos. E é nesse momento em que acordamos para a realidade que percebemos que parar é essencial. Parar para pensar, parar para analisar, parar para fazer o balanço do que tem sido a nossa vida, parar para nos encontrarmos ou, quem sabe, reencontrarmo-nos.

Algumas pessoas percebem essa necessidade à medida que vão atingido a maturidade. Outros há, porém, que nunca irão dar esse espaço para parar e, como tal, nunca irão dar espaço para encontrar o seu verdadeiro eu.

Aqueles que fazem a pausa-análise percebem que toda a sua vida, até àquele dia, foi passada caminhando pelos passos dos outros e pelas vontades dos outros. Percebem que aquela vida não foi (na sua maioria) escolhida por eles mas por uma sociedade que os rodeia. E é nessa tomada de consciência que muitas vezes as pessoas param e atiram uma vida de segurança pela janela, mudando radicalmente a sua existência. Mudam de emprego, divorciam-se, mudam de cidade ou até de país. Criam grandes alterações na sua vida, a nível pessoal, profissional ou a todos os níveis. Por isso a sociedade das regras, a sociedade dos caminhos trilhados e seguros considera, muitas vezes, que aquela pessoa enlouqueceu. Só a loucura poderia explicar esse acto de audácia e coragem! E poucos percebem que aquela pessoa não enlouqueceu. Poucos percebem que ela apenas decidiu parar (porque sentiu essa imperativa necessidade), para pensar e analisar a sua vida. E foi precisamente nesse momento que percebeu que não estava a viver a sua vida mas a vida que outros tinham pensado para ela. E revoltou-se contra esta situação. Decidiu oferecer-se tempo para pensar e tomar as atitudes necessárias a fim de se soltar dos pesos e amarras que lhe pesavam e começar a trabalhar, todos os dias, para ser feliz.

Tomada esta atitude, percebe-se que se adquiriu tempo e vontade para observar os caminhos que se quer seguir, as encruzilhadas que se poderá encontrar. Sabe-se que a vida foi tomada nas próprias mãos. A pessoa percebe que já não vive de acordo com as regras de uma sociedade bacoca mas de acordo com as suas próprias regras. Trilha caminhos desconhecidos. Só o poder de tomar esta decisão já lhe traz calma e felicidade. É serena. Não sabe se é feliz a 100% mas sabe que trabalha todos os dias para isso. Não se deixa cair na rotina e no marasmo.

A essa pessoa, e a todas aquelas que perceberam que é preciso parar, que tiveram a coragem de reflectir nesse momento de pausa e de mudar aquilo que não lhes fazia bem, apresento a minha maior admiração. Merecem a felicidade que possuem nas mãos.

Estefânia Barroso 

quinta-feira, 28 de agosto de 2025

Coisas que mexem comigo


 



"Origens

No dia 27 de Junho de 2004, em cerimónia pública, foram apresentados os símbolos heráldicos da freguesia da Beirã. Três elementos gráficos pretendem definir três momentos marcantes na vida desta jovem freguesia: uma anta, uma locomotiva e uma “fonte”.

Na verdade, se a formação desta freguesia conta apenas com sessenta anos de idade, e o aglomerado urbano nos finais do século XIX se resumia apenas a “quatro casinholas”, como nos diz A. Magalhães, já o seu território é o que apresenta maior concentração e diversidade de sítios arqueológicos de todo o concelho de Marvão. Quando um dia se promover uma carta arqueológica deste concelho rapidamente nos aperceberemos como a freguesia da Beirã aparecerá enxameada de arqueossítios de todas as épocas e períodos. A principal razão para esta continuada ocupação histórica e, sobretudo pré-histórica, prende-se com a envolvência do Rio Sever e dos múltiplos pequenos regatos seus subsidiários que drenam a paisagem multifacetada que constitui a freguesia da Beirã. Água em abundância, diversidade de solos e diferentes substratos geológicos criaram as condições necessárias para que desde épocas muito recuadas o homem procurasse estas paragens.

Nas cascalheiras, junto ao Sever, conhecem-se vestígios de vários acampamentos do Paleolítico, nas encostas suaves, sobretudo junto a estreitos vales férteis, as primeiras comunidades agro-pastorís, durante o Neolítico, aqui construíram os seus frágeis povoados e aqui tumularam os seus mortos em “eternas” antas.

Vinte e dois dólmenes conseguiram sobreviver mais de cinco mil anos nas terras desta pequena freguesia, indiciando um muito denso povoamento entre o 3.º e o 4.º milénio antes de Cristo. Com a descoberta e desenvolvimento da metalurgia o fulgor da freguesia da Beirã manteve-se, e até terá aumentado, atendendo ao número e dimensão dos vários locais com vestígios de ocupação atribuídos a esses tempos. Pelo menos dois destes povoados, Vidais e Corregedor, mantiveram ocupação até à chegada do domínio Romano.

Com a consolidação da cosmopolita cidade romana de Ammaia, as férteis terras da freguesia da Beirã foram exploradas até à exaustão para saciar as mesas dos abastados romanos que viviam do outro lado do concelho de Marvão. Várias “villae”, casas agrícolas romanas, foram, há dois mil anos, instaladas nas melhores terras da freguesia da Beirã. No Garreancho, no Vale do Cano, na Torre do Azinhal, nos Pombais, na Retorta e nas Amoreiras grandes casas agrícolas romanas foram construídas, para além de pequenos casais, igualmente agrícolas, dos quais há vestígios por toda a freguesia.

Com o fim do Império Romano e morte da Ammaia as terras da freguesia da Beirã assistem a uma nova reorganização económica e social. Pequenos aglomerados urbanos, assentes numa economia muito fechada começam a constituir-se para albergar as gentes que, anteriormente, dependiam da fausta Ammaia. Dos vários povoados desta época conhecidos nesta freguesia merecem destaque o do Monte Velho, o do Pereiro Velho, o da Broca e o do Vale do Cano. É, contudo, o do Monte Velho, porque é o único que foi parcialmente escavado na década de quarenta do século XX, que melhor se conhece. Recorde-se que foi neste habitat que se recolheu uma telha, hoje desaparecida, onde, em “latim bárbaro” se podia ler “aqui esteja a paz, aqui esteja Cristo”. Felizmente a sua transcrição foi preservada numa laje de granito que decora a fachada de uma das casas da Rua do Castelo, em Marvão. Estes habitats foram sobrevivendo durante o conturbado período da denominada “Reconquista Cristã” e nalguns, testemunhados por reconstruções múltiplas, a ocupação humana chegou até aos nossos tempos.

De entre os sítios com maior carga simbólica desta freguesia é, sem dúvida, o Penedo da Rainha. Formação granítica com singular recorte fálico, não passou despercebido aos homens do Neolítico e Calcolítico, atendendo às cerâmicas muito roladas que ainda ocorrem no pequeno abrigo que junto a ele se abre. Também em Novembro de 1518, à sombra deste imponente penedo terá descansado a terceira mulher do Rei D. Manuel I, a Rainha Dona Leonor de Áustria, irmã do Imperador Carlos V, donde lhe sobreveio o nome por que hoje é conhecido, Penedo da Rainha. Pena é que este imponente bloco granítico, cheio de história e tradição, merecedor de constar na representação heráldica da Beirã, se encontre tão esquecido e abandonado. Testemunho que foi de um dos episódios mais deslumbrantes, alguma vez ocorridos neste concelho, a paragem do séquito real que acompanhava a entrada da Rainha Dona Leonor em terras de Portugal, adormece negligenciado junto de uma das casas mais antigas da Beirã.

Um outro dos locais desta freguesia que, pelo menos desde o Neolítico, foi continuamente procurado é a denominada “Fonte da Maria Viegas”, também conhecida por Fadagosa onde, nos primeiros anos do século XX foi construído o luxuoso complexo termalístico, hoje, também ele, totalmente esquecido e abandonado.

Mas a história desta freguesia viria a ser marcada de forma indelével com a construção do denominado “Ramal Ferroviário de Cáceres” e a consequente instalação da Estação dos Caminhos-de-ferro. Enquanto em Portugal, mais uma vez, se discutia o melhor traçado para a ligação ferroviária a Espanha, os nossos vizinhos, pragmaticamente, assentavam os carris em direcção a Valência de Alcântara para escoamento do fosfato que nos finais do século XIX se explorava, em grande quantidade, nesta zona da Extremadura espanhola. Para o concelho de Marvão e especialmente para a Beirã o pragmatismo do governo liberal espanhol foi fundamental para o seu desenvolvimento. Com a colaboração do Eng. D. João da Câmara foi, então, gizado o traçado da linha, passando pela Beirã, apesar dos muitos protestos das gentes da rica freguesia de S. Salvador da Aramenha. Provavelmente, não fora o traçado pela Beirã e não teríamos hoje a notável peça teatral de os “Velhos” e as figuras do velho Patacas, da Emilinha e do mestre-escola Porfírio.

Cumpriram-se em Maio, deste ano, cento e vinte anos da abertura do Ramal de Cáceres à circulação normal de comboios. Podemos dizer que se cumpriu nesse passado mês mais um aniversário do nascimento da povoação da Beirã. Com a passagem de comboios, veio a estação, e com ela vieram a alfândega, os despachantes, a Guarda Fiscal, a PIDE, os ferroviários, o comércio, as habitações, o Clube, o Teatro e a Família Vivas. Ficará, seguramente para a história desta terra a fixação nesta aldeia do espanhol de Valência de Alcântara, Manuel Vivas Pacheco. Seu filho, Manuel Berenguel Vivas, figura polémica, manteve o ritmo empreendedor de seu pai e marcou de forma indelével a economia e a sociabilidade desta aldeia. A ele se ficou a dever a construção da Igreja de invocação de Nossa Senhora do Carmo, benzida a 16 de Julho de 1944 e para qual foram transladados os restos mortais de Manuel Vivas Pacheco e de sua mulher Carmen Berenguel L’Hospitaux. A invocação desta Igreja a Nossa Senhora do Carmo ficou a dever-se à forte devoção que Carmen L’Hospitaux dedicava ao seu culto. Sabemos, contudo, que anteriormente, na Beirã, pelo menos em 1916, teria existido uma outra capela na qual ocasionalmente era celebrada missa. A religiosidade da Família Vivas ficou, igualmente, bem marcada através do esforço e dedicação de Manuel B. Vivas na instalação da congregação religiosa que, ainda hoje, ocupa o Convento de Nossa Senhora da Estrela de Marvão e nas múltiplas capelas que mandou construir por todo o concelho, valendo-lhe o epíteto, enquanto Presidente da Câmara, de “O Capelista”, em contraponto a outros autarcas, que pela Câmara de Marvão passaram, cognominados, popularmente, de “ O Estradista” e “ O Fontista”.

Mas a História da Beirã, sobretudo durante a Segunda Grande Guerra, ficou marcada por episódios interessantíssimos relacionados, essencialmente, com o volfrâmio e com o controlo da exportação de produtos para a Alemanha Nazi, provenientes de um país que se dizia neutro. Mas estas histórias ficarão para outra altura…

Com a abolição das fronteiras os comboios já não param na Beirã, aqui passando a grande velocidade e, ao mesmo ritmo, esta aldeia viu partir a Alfândega, a Guarda Fiscal e os ferroviários. A Beirã está, lentamente, a definhar. Será que a sua longa história lhe poderá ser útil? Assim saibamos tirar partido de um vasto e riquíssimo património que esquecido adormece por entre “canchos” e “balceirões”.

Jorge de Oliveira"
in  http://www.cm-marvao.pt/pt/beira/origens

Notas: 

Este elucidativo texto do Exmº Professor Doutor Jorge Oliveira está em parte desatualizado porquanto o Ramal de Cáceres foi definitivamente encerrado ao tráfego ferroviário em 15-8-2012, assim como as religiosas da Congregação das Filhas de Maria Mãe da Igreja partiram definitivamente da Santa Casa da Misericórdia de Marvão, conforme notícias que se anexam:

1 - Ramal de Cáceres encerrado a 15 de agosto de 2012

A Refer encerrou o Ramal de Cáceres (Torre das Vargens / Marvão-Beirã) à exploração ferroviária a partir do dia 15 de agosto de 2012, dando assim seguimento a uma das medidas previstas no PET – Plano Estratégico de Transportes. Segundo a gestora da infraestrutura ferroviária “em consequência, a partir desta data, o comboio internacional Lusitânia passará a circular, em itinerário alternativo, pela Linha da Beira Alta”. O comboio-hotel Lusitânia, que fazia a ligação entre Lisboa e Madrid, era o único serviço ferroviário a circular no Ramal de Cáceres, uma vez que a CP suspendeu o serviço regional de passageiros em fevereiro de 2011. Este ramal, inaugurado em 1880, faz a ligação entre a estação de Torre das Vargens, na Linha do Leste, com a fronteira espanhola na estação de Marvão-Beirã, numa distância total de 81,5Km.

(Resta acrescentar que este encerramento teve como consequência imediata a quase desertificação da aldeia onde as casas desabitadas se contam já às dezenas).

2 - As Religiosas da Santa Casa da Misericórdia de Marvão pertencentes à Congregação das Filhas de Maria Mãe da Igreja deixaram definitivamente aquela nobre instituição conforme pode ler-se em nota da Diocese de Portalegre/Castelo Branco, que se anexa:

Sessenta e oito anos depois de terem chegado a Marvão, as Irmãs Filhas de Maria Mãe da Igreja despediram-se da nossa Diocese de Portalegre-Castelo Branco. No dia 11 deste mês de Setembro, teve lugar uma festa homenagem de despedida na Santa Casa da Misericórdia de Marvão, com Eucaristia de Ação de Graças e almoço convívio, de âmbito familiar, com os utentes e os corpos administrativos e colaboradores atuais e passados. Estiveram presentes o Bispo Diocesano, D. Antonino Dias, o Presidente da Câmara de Marvão, alguns sacerdotes ligados à Santa Casa, a Madre Geral e o seu Conselho, que vieram de Espanha para se associarem a esta iniciativa. Na homilia, D. Antonino, convidou todos os presentes a dar graças a Deus pelo dom das Irmãs na nossa Diocese, centrou a atenção na Palavra de Deus proclamada e abordou também o problema das vocações à vida consagrada que deve ser uma preocupação de todos os cristãos com fé viva e atenta, rezando, propondo e provocando os jovens. No fim da Eucaristia foram benzidas, com a presença de todos, as novas instalações recuperadas dentro da Santa Casa e, no final, foi descerrada uma lápide no átrio da entrada, a fazer memória destes 68 anos em que as Irmãs se dedicaram a esta Casa. Durante o almoço, alguns dos presentes quiseram dar o seu testemunho sobre o louvável e dedicado trabalho das Irmãs ao longo de todos estes anos, sem deixarem de mencionar a capacidade de ultrapassar as dificuldades, a facilidade em resolver situações e a alegria com que viviam e se dedicavam a este serviço, 24 horas por dia, como consequência da sua forte fé e amor a Jesus Cristo no irmão. Como eram, por todos, consideradas família, não só dentro da Santa Casa mas também em Marvão, o ambiente era “pesado” pelo tom de despedida que o envolvia, mas ao mesmo tempo também era de alegria cristã e de solidariedade com as Irmãs que, na impossibilidade de continuarem por falta de vocações, partem com todos no coração e continuarão a trabalhar ao serviço do Reino de Deus, onde o Senhor agora as chama. O Provedor da Santa Casa, sensibilizado, agradeceu todo o trabalho desempenhado pelas Irmãs. A Madre Superiora falou do que lhe ia na alma, lembrou a caminhada das Irmãs nesta Diocese, a pena que lhes ia na alma por não poderem continuar e agradeceu a amizade do povo de Marvão e o acolhimento de toda a Diocese, pois também estiveram em Nisa e noutros lugares da Diocese. As Irmãs que estavam nesta Comunidade, depois de receberem algumas lembranças dos presentes, agradeceram, pela pessoa da Superiora, a Irmã Fátima, todo o carinho de que sempre foram alvo, partindo com a esperança de que tudo vai continuar a correr bem, pois o guia e modelo para agir é o Senhor Jesus Cristo presente em cada um e nesta Casa.

Obrigado, Irmãs. Que o Senhor vos ajude.

Nota final:
Somos uma parte do território português de beleza única e rara com milénios de história comprovada por infindáveis vestígios arqueológicos, muitos deles com mais de cinco mil anos que em cinquenta anos de novas políticas, entrou num processo que se adivinha irreversível de acelerada desertificação.

José Coelho

Sê, e orgulha-te de sê-lo


Sê humano e integro, honra sempre a tua palavra, sê grato com quem te ajudar, correto com quem te relacionas e honesto na tua vida.

quarta-feira, 27 de agosto de 2025

Lugares e memórias


Mais um dia prestes a terminar e um velho sobreiro que há muito tempo cumpriu já o seu terreno ciclo de vida, mas continua de pé.
Uma paisagem onde menino brinquei na casa e na companhia do Avô José Lourenço e da Avó Amélia.
Um lugar repleto de dulcíssimas memórias que de vez em quando vou revisitar:
Cavalinha de Cima - Beirã.

Foto José Coelho 

Apenas e só


Servir sem esperar recompensa alguma exige uma força interior que nem sempre é reconhecida. Comecei a servir aos onze anos de idade quando fui guardar ovelhas para ajudar a minha mãe nas despesas da casa com os cento e cinquenta escudos mensais que o meu patrão me pagava.

Nunca mais parei. Desde então tento sempre ajudar tudo e todos na medida do que esteja ao meu alcance. Faço-o porque gosto de o fazer sem esperar qualquer espécie de recompensa porque essa é a minha natureza. Apenas e só.

27. 08. 2025

Para que nunca se esqueça


 O RAMAL DE CÁCERES

(A descoberta de jazigos de fosfato próximo de Cáceres esteve na génese da sua construção).

O Ramal de Cáceres começou a ser construído em 15 de julho de 1878, pela Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses, entrou ao serviço em 15 de outubro do ano seguinte, mas a inauguração oficial só se realizou no dia 6 de junho de 1880 entre a Torre das Vargens e Valência de Alcântara. Em 8 de outubro de 1881 foi formalmente inaugurada na estação de Valência de Alcântara a ligação ferroviária Madrid – Valência de Alcântara – Marvão – Lisboa, com a presença do Rei de Portugal D. Luis I e o Rei de Espanha Alfonso XII (ainda não existia a estação de Marvão-Beirã e desconhece-se a data da sua construção).

Em 1926 a primitiva estação (da qual se desconhece a data de construção) foi alvo de grandes obras de expansão tendo o antigo edifício sido totalmente modificado. Foi aumentado o espaço disponível para a delegação aduaneira, os serviços, e os alojamentos para o pessoal e construiu-se um anexo com um restaurante e 4 quartos para os passageiros, com lavabos individuais.

A fachada exterior da estação foi decorada com vários painéis de azulejo, em azul e branco, colocados de forma a ser facilmente vistos pelos passageiros, servindo como uma espécie de roteiro turístico para o visitante estrangeiro que chegasse a Portugal. Os painéis de azulejo retratam vários aspectos locais e nacionais, como o Castelo de Marvão, o Cruzeiro e o Pórtico de Marvão, um casal com trajes regionais e o brasão de Marvão, o Templo de Diana, o Mosteiro de Alcobaça, e a Sé de Braga. A decoração ficou a cargo do pintor Jorge Colaço

A estação de Marvão-Beirã foi servida pelo TER Lisboa Expresso que ligou entre 1967 e 1989 as cidades de Lisboa e Madrid e pelo Lusitânia Comboio Hotel até 2012.

A operadora Comboios de Portugal suprimiu todos os comboios Regionais no Ramal de Cáceres no dia 1 de fevereiro de 2011 ficando esta estação apenas com os serviços do Lusitânia Comboio Hotel; no entanto em outubro o governo anunciou a decisão de alterar o percurso destes comboios para a Linha da Beira Alta até ao final do mesmo ano, e assim proceder à total desativação do Ramal de Cáceres, no âmbito do Plano Estratégico de Transportes. Em agosto de 2012, a Rede Ferroviária anunciou a sua decisão de encerrar o Ramal de Cáceres no dia 15 desse mês, tendo o percurso do Lusitânia comboio hotel sido alterado, passando a transitar pela Linha da Beira Alta.


Em dezembro 2010
Estação da Beirã - alçado norte - já com as luzes acesas às 23:00 a aguardar a chegada do Lusitânia Comboio-Hotel que partia de Lisboa-Santa Apolónia com destino a Madrid-Atocha e vice versa.

Estou ainda à espera de quê?

C hegado já para lá dos setenta, há uma pergunta que merece ser feita com sinceridade: estou ainda à espera de quê? Esperei quase toda a vid...