Há quem precise de muito para se sentir vivo. Aqui, basta o rumor da brisa nas folhas, o mugido tranquilo dos gados, o cheiro da terra ao fim da tarde. É uma vida que não se mede em pressas, mas em instantes de verdade.
Sim,
há distâncias: para as compras, para as consultas, para os exames. Mas há
também uma proximidade que o mundo urbano perdeu – a proximidade com o
essencial. O pão sabe melhor quando o ar é puro, o corpo descansa melhor quando
o silêncio é inteiro, e o coração aprende a ouvir-se quando o ruído se cala.
Viver
aqui é aceitar que não se pode ter tudo, mas que se pode ter o que realmente
importa. É acordar com o canto dos pássaros e adormecer com o perfume do mato.
É saber que a paz não é ausência de movimento, mas presença de sentido.
E
nessa presença há uma bênção discreta: a de quem vive em harmonia com o tempo,
com a terra e consigo mesmo.
José Coelho
