Há quem diga que os filhos são o reflexo do que fomos. Eu prefiro pensar que são o eco do que semeámos, e que, quando o eco é generoso, é porque a semente foi boa.
Hoje a “Toca dos Coelhos” viu chegar uma montanha de lenha e com ela, o peso do trabalho que parecia não ter fim. Mas antes que o cansaço se instalasse, apareceu o Manel, o filho mais velho, sem ser chamado, sem promessas, apenas movido por aquele instinto que nasce do amor e da gratidão.
Pegou no carrinho de mão, fez a parte mais dura, e deixou ao pai a tarefa de arrumar, como quem diz:
– Descansa, que eu trato disto.
O Pedro, longe mas sempre presente, já fez o mesmo noutras ocasiões. Entre os dois há uma constelação de gestos que não se apagam: ajuda, respeito, ternura, e essa luz discreta que só os filhos verdadeiramente bons sabem emitir.
Por isso, quando escrevo que tenho dois filhos que são duas estrelas, não é figura de estilo. É constatação. É orgulho. É amor em estado puro.
Obrigado, filhote Manel Coelho.
Gosto muito de ti.
Texto e foto