A chuva da noite deixou-a lavada, fresca, quase luminosa. Foi o meu pai, António Coelho, quem a plantou, com aquela bondade tranquila que punha em tudo o que tocava.
Chamava-lhe “maçanica” e dizia que as suas azeitonas davam para britar, retalhar ou adoçar no pote de barro, como quem guarda o sabor da casa durante todo o ano.
Hoje, quando a vejo assim, já pintada, pronta e a dizer “colhe-me”, sinto que ele ainda está aqui: no brilho das folhas, no cheiro da terra molhada, na promessa de que a vida continua quando é bem cuidada.
Acarinho esta oliveira como ele a acarinhava. E cada azeitona é uma pequena bênção da sua querida memória.
José Coelho
