Há silêncios que só a Beirã sabe fazer. Silêncios que começam no vento que passa pelos canchos como quem lê uma história que já não está escrita em lado nenhum.
Quando caminho por aqui, sinto que cada rajada sua traz consigo um recado: um aviso de que não estou sozinho, uma memória que não se perdeu, uma presença que não se explica.
O vento da Beirã não empurra: acaricia. Passa pelas oliveiras, pelas casas velhas, pelos muros de granito, e parece dizer-me que tudo o que vivi ainda está aqui, guardado, como se a própria terra tivesse decidido não me deixar esquecer.
E é nesse vento que encontro o meu silêncio. Um silêncio que não me pede para ser forte, nem para ser perfeito, nem para ser mais do que sou.
Pede-me apenas que pare. Que escute. Que deixe o coração pousar como quem pousa uma pedra no chão depois de a ter levado demasiado tempo na mão.
Então, no meio da manhã cinzenta, o vento torna-se oração. E Deus, sem pressa, sem palavras, sem ruído, senta-se ao meu lado porque conhece o meu nome desde sempre.
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