Aos 07 de Março de 2015 nasceu este blogue que tal como o seu antecessor TocadosCoelhos pretende apenas ser um ponto de encontro e de entretenimento pautando-se sempre pelas regras da isenção, da boa educação e do civismo em geral. Sejam muito bem-vindos.
quarta-feira, 24 de agosto de 2022
Segredos do sol poente
terça-feira, 23 de agosto de 2022
Amar e/ou querer
- Amo-te, disse o Pequeno
Príncipe.
- Eu também te quero, disse a
rosa.
- Não é a mesma coisa, respondeu
o Pequeno Príncipe.
Querer é tomar posse de algo, de
alguém. É olhar nos outros aquilo que pode suprir as nossas necessidades
pessoais de carinho, de companheirismo.
Querer é desejar o que não é
nosso, é possuir ou desejar algo que nos preencha porque naquele momento nos
falta algo.
Amor é desejar o melhor para o
outro, mesmo que ele tenha aspirações diferentes das nossas.
Amor é permitir que a outra
pessoa seja feliz, mesmo que o caminho dela seja diferente do nosso. É um
sentimento altruísta que vem de um dom de si mesmo, é dar-se inteiramente do
seu coração.
Quando amamos, damos sem pedir
nada em troca, pelo simples e puro prazer de dar. Mas também é certo que este
dom, este dom de si mesmo, completamente altruísta, só é dado quando alguém
sabe. Só podemos amar o que sabemos, porque amar é jogar no vazio, confiar na
vida e na alma. A alma não é comprada nem vendida. E saber é saber tudo sobre
você, as suas alegrias, a sua paz, mas também sobre as suas decepções, as suas
lutas, os seus erros. Porque o amor transcende argumentos, lutas e erros, o
amor não é apenas para os momentos de alegria.
O amor é a confiança absoluta de
que, aconteça o que acontecer, estarás sempre lá. Não porque deves algo, não
por possessão egoísta, mas por estares lá, em companhia silenciosa.
Amar é saber que o tempo não vai
mudar nada, nem as suas tempestades, nem os seus invernos.
Amar é dar a alguém um lugar no
coração para ficar como pai, como mãe, como filho, ou como amigo, e saber que
no coração dele também existe um lugar para mim.
Dar amor não esgota o amor, mas
aumenta-o.
A forma de dar amor é abrir o
coração e deixar-se amar.
- Eu entendi, disse a rosa.
- Não procure entender o amor,
viva-o! Disse o Pequeno Príncipe.
Antoine de Saint-Exupéry
domingo, 21 de agosto de 2022
Queridas lembranças
Porque a vida continua
Foto Maria Coelho
19.08.2022
sexta-feira, 19 de agosto de 2022
Não se morre assim de qualquer maneira
A
semana passada deixei de comer chouriços. E presunto. E fiambre. E mortadela!
Esta semana deixei de comer queijo. “Afeta a mesma molécula das drogas duras”
dizia um estudo. Eu não quero ter nada a ver com isso, gosto muito de queijo,
mas não quero ter nada a ver com drogas, muito menos ser visto como um agarrado
ao queijo. Acabou-se com o queijo cá em casa. Também já tinha acabado com o
pão, por isso...
O mês passado deixei de beber vinho branco. Um estudo dizia que fazia mal a não sei quê. Se calhar era cancro também. Passei a beber só tinto que, dizia um estudo, ser ideal para uma série de coisas. Esta semana voltei a beber branco porque, entretanto, saiu um estudo a dizer que afinal o branco até tem propriedades que fazem bem e muito tinto é que não. Comecei a reduzir no tinto, mas, também acho que compreendem, não quero morrer assim de qualquer maneira.
Cortei nas azeitonas também porque um estudo dizia que têm demasiada gordura, são muito insaturadas, ou lá o que é, mas não parece nada bom.
Andava praticamente a peixe até perceber que os portugueses comem peixe a mais e são, por isso, prejudiciais ao ambiente. Eu sei que não moro no continente, mas como sou português, e ainda contam todos para o estudo, sei lá, os que estão e os que não estão, e como eu não quero ser acusado de inimigo do ambiente, ando a cortar no peixe também. Especialmente no atum que está cheio de chumbo e o bacalhau também por causa daquele estudo que saiu sobre a quantidade de sal mas, também, acho que compreendem, não quero morrer assim de qualquer maneira.
Esta semana saiu um estudo a dizer que afinal o vinho em geral faz mal. Fiquei devastado. Há dois meses foram as couves roxas. Vi até um especialista na televisão dizer que não devíamos comer nada cuja cor seja roxa; “é sinal que não é para comer”, dizia. Arroz também quase não como porque engorda, quanto mais esfregado pior, e saiu um estudo a dizer que implica com uma função qualquer mais ou menos delicada. Não é a reprodutora porque acho que essa é com a soja. Dá hormonas femininas aos homens, e consequentes mamas, o raio da soja (!) e prejudica as funções todas. Não, soja nem pensar!
Leite também já há muito que me livrei dele. Foi, salvo erro, desde que saiu um estudo a dizer que o nosso corpo não está preparado para leites. Por isso, leite não. Sumos de frutas também dispenso enquanto não resolverem o problema levantado no estudo que apontava para... não sei muito bem para quê, mas apontava e não era nada excitante mas, também, acho que compreendem, não quero morrer assim de qualquer maneira.
Carne vermelha, claro, também não. Ataca o coração, diz o estudo. Galinha nem sonhar porque umas estão cheias de gripe e as outras encharcadas de antibióticos. Além de que carne de galinha a mais, como dizia outro estudo, impacta com o desenvolvimento dental, o que até parecia óbvio, mas ninguém percebia, pois as galinhas não desenvolvem dentes. Cortei a galinha há muito tempo. Porco? Só a brincar. É óbvio que não há cá porco. Não chegassem as salsichas e afins ainda veio este outro estudo, ou ainda não leu? Pois então, diz que o excesso de carne de porco pode provocar uma diminuição de massa cinzenta e o aumento dos ciclos atópicos do mastoideu singular. Ninguém quer passar por isso! Você quer? Eu não, mas, também, acho que compreende, não quero morrer assim de qualquer maneira. Esqueça-se a carne de porco, pelo amor da santa!
Ah!... Já me esquecia do glúten! Glúten, também não. É que nem pensar! Durante muitos anos nem sabia que existia, mas desde que me apercebi da existência de semelhante coisa arredei tudo o que tivesse glúten. Deixa-me pouca escolha mas, também, acho que compreendem, não quero morrer assim de qualquer maneira.
Ovos! Claro que também não como ovos. Primeiro porque não sou nenhum ovíparo e depois por causa das quantidades de coisas que aquele estudo que saiu a semana passada dizia. É um rol senhores, um rol de colesterol! Vão ver e admirem-se! Os ovos! Quem diria os ovos... Enfim, é a vida: ovos nem vê-los! Como a manteiga: é só gordura! Desde que acabei com o pão e com o queijo, a manteiga também, por assim dizer, deixou de fazer falta. Ainda a usava para fritar ovos mas agora também não se pode comer ovos... Pois, a manteiga, dizia o estudo, é só gordura animal e animais não devem comer a gordura uns dos outros. Pareceu-me um bom fundamento e acabei com a manteiga.
Ia fazer uma salada. Sem muito azeite, claro, porque, compreendem, não quero morrer assim de qualquer maneira, sem sal, naturalmente e vinagre só do orgânico, porque, compreendem, não quero morrer assim de qualquer maneira...
É quando recebo um email com o título “Novo Estudo Aconselha a Ingestão Moderada de Saladas e Hortaliças”.
Enchi um copo de água, filtrada, naturalmente, de garrafa de vidro e sorvi um golo ávido. Espero que não me faça mal.
Autor desconhecido que deduzo seja um Ilhéu a quem dou os parabéns e saúdo, pela magnífica ironia que soube dar a este texto!
quarta-feira, 17 de agosto de 2022
Estou ainda à espera de quê?
C hegado já para lá dos setenta, há uma pergunta que merece ser feita com sinceridade: estou ainda à espera de quê? Esperei quase toda a vid...
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