Aos 07 de Março de 2015 nasceu este blogue que tal como o seu antecessor TocadosCoelhos pretende apenas ser um ponto de encontro e de entretenimento pautando-se sempre pelas regras da isenção, da boa educação e do civismo em geral. Sejam muito bem-vindos.
quinta-feira, 21 de agosto de 2025
Coisas que leio e gosto
É difícil encontrar amigos verdadeiros, mas eles existem.
Foi em Alvor no Algarve, agosto de 1985, longe do nosso Alentejo e das nossas famílias que teve início esta amizade que dura até hoje quarenta e muitos anos depois, com a pessoa mais íntegra, leal, frontal, sensível e honesta que conheci em toda a minha vida.
Nos poucos momentos disponíveis entre o corre-corre de um
lado para o outro numa vila a abarrotar de turistas e inúmeros problemas para
resolver, talvez também por sermos os dois do Posto da GNR, começámos, quase
sem nos darmos conta, a falar das nossas vidas e famílias.
Eu, porque precisava saber coisas sobre Nisa e suas gentes
mas também sobre os seus camaradas que já comandava desde o início do mês e
aguardavam o nosso regresso depois de terminarmos a missão para a qual havíamos
sido nomeados.
Talvez porque ele se sentisse um pouco isolado no meio de
camaradas que não conhecia de lado nenhum e com quem não tinha a menor
afinidade, estabeleceu-se entre nós alguma confiança, se não mesmo o início desta
amizade. Dali até eu ficar a saber de onde ele era e que tinha uma filha linda
que adorava, entre outras confidências, foi apenas um passo, porque quando
estamos longe de casa e a saudade bate à porta é que nos damos conta da falta
que a família nos faz.
Quando finalmente regressámos às nossas normais funções, a
confiança e empatia foram-se consolidando de tal modo que ao fim de poucos
meses as famílias se tornaram também boas amigas passando a ser normais os
convívios familiares ora em nossa casa, ora em casa deles.
Mas o mais gratificante era o facto de nunca este
incomparável amigo se ter tentado aproveitar dessa proximidade e situação em
seu benefício. Muito pelo contrário. Se alguém pecou por excesso de confiança,
fui eu. Não o fiz por mal mas fiz, no dia em que lhe sugeri que fosse fazer uma guarda de honra no lugar do
outro camarada a quem calhava o serviço por ordem de escala mas como queria ir a
Lisboa ver um jogo do seu Sporting pediu-me se não se arranjaria alguém
que quisesse trocar o serviço.
E, irrefletidamente, dirigi-me ao meu novo amigo para lhe sugerir:
- Podias ir tu, depois quando te calhar a ti, irá ele
no teu lugar!
Sério e íntegro até à medula, olhou-me muito surpreendido e com a
frontalidade que todos sempre lhe conheceram respondeu decididamente:
- Não meu sargento, não acho que deva ir eu. O camarada não
está doente e não é justo que eu vá fazer um serviço duro que lhe pertence a
ele, para ele ir ver um jogo de futebol!
A lógica do argumento deixou-me embaraçado e não pude evitar
dar-lhe razão. Mas confesso que fiquei ligeiramente melindrado com a recusa,
como se o proveito ou o prejuízo fossem meus.
Porém, com tempo e reflexão, percebi que o erro havia sido
só meu. E ainda hoje agradeço aquela frontalidade muito própria dos homens íntegros
e de carácter como ele sempre foi, é, e irá ser, até ao fim dos seus dias.
Prova daquilo que afirmo foi a atitude deste amigo
invulgarmente leal na tarde do dia em que eu fui promovido ao posto seguinte.
Já sem sequer seu "chefe" por ter pedido transferência de Nisa para Catelo
de Vide, um pouco mais perto da terra natal e restante família.
Ao ouvir uma voz depreciativa da minha pessoa, provavelmente
por alguma razão que eu desconheço, pois nem que um chefe se pinte jamais
conseguirá agradar a todos pois em todos os rebanhos haverá sempre alguma
ovelha ronhosa, nunca soube nem quis saber a razão por que assentou tão mal
àquele fulano a minha promoção ao posto seguinte.
Ainda a sua "boca" depreciativa fazia eco e já o
meu leal amigo indignado com o que ouviu, estava diante do mal-dizente para lhe
dizer cara a cara:
- Na minha presença não voltas a falar mal desse homem
estando ele ausente e sem poder defender-se!
O fulano, por sinal mais graduado que o meu leal amigo,
retorquiu meio atarantado:
- Isso, isso! Defende o teu padrinho, defende...
E o meu amigo respondeu-lhe no mesmo tom indignado:
- Não, não é meu padrinho! Mas é meu amigo e eu sou amigo
dele. Não é de homem o que tu o insultes nas suas costas, quando na frente dele
lhe andavas a lamber as botas. Ficas já avisado que ele vai saber o que tu
disseste, porque sou eu que o irei informar...
- Mas não informou.
- Nunca me falou em tal coisa.
- Ainda hoje não sabe que eu sei.
Quem me contou algumas semanas depois essa história, foi um
dos subordinados que eu então comandava e tinha sido nomeado também para ir
fazer tiro naquela tarde. Assistiu a tudo e ficou admirado quer com a atitude
honesta do meu leal amigo que não se intimidou com a patente do outro e lhe
meteu o dedo no nariz, quer com a amizade para comigo assim provada, mais de um
ano depois de eu ter deixado de ser o seu chefe.
Não digo o seu nome. Não por que ele não mereça, muito pelo
contrário, mas por respeitar o direito à sua privacidade, como ele sempre me
respeitou a mim. Tive a honra e o privilégio de estar presente no casamento da
filha que ele adora e merecidamente o adora também a ele, assim como ele me concedeu
a honra de festejar comigo os casamentos dos meus dois filhos.
O tempo passou. Muito tempo mesmo. Quatro décadas já. Mas a
amizade permanece intacta. Intocável. Rara. Não existem no mundo muitas pessoas
assim. Infelizmente. Obrigado, meu leal amigo por tudo o que me ensinaste. Se
hoje sou uma pessoa melhor, aprendi a sê-la contigo também.
José Coelho
quarta-feira, 20 de agosto de 2025
Pensamento do dia
Haverá sempre uma primeira vez
No socorro estiveram meios dos Bombeiros Municipais de Coruche e Voluntários de Mora, INEM e GNR, num total de 17 operacionais, apoiados por 7 viaturas."
(Imagem e notícia da net)
Há dias assim.
Desde 2016 que percorro regularmente e várias vezes por ano os 249,8 km que separam a minha Beirã da capital do reino, para cuidar principalmente dos problemas crónicos de saúde da minha companheira de vida, já que, para mim, costuma apenas ser um checkup preventivo anual.
E nunca nos tinha acontecido uma situação destas.
Mas, como diz a sabedoria popular, para tudo haverá sempre uma primeira vez.
Num percurso normalmente tranquilo, a marcha da viatura em que seguíamos foi inesperadamente interrompida numa zona de curvas e contracurvas já perto do Couço, por uma gigantesca coluna de trânsito parado à nossa frente, maioritariamente camiões. Causa, o choque frontal entre um camião e um ligeiro de passageiros cuja condutora ficou encarcerada e a cortar a estrada.
Duas horas imobilizados a aguardarmos que o trânsito fosse restabelecido, a mais de meio do caminho. Com horas de atendimento pré marcadas, lá se foi o motivo da nossa viagem por água abaixo, com necessidade de remarcação de nova viagem.
Almoçámos tarde e a más horas e logo a seguir regressámos a casa.
Nunca a vida parou de me surpreender.
Nunca.
Desengane-se quem pense que já viu tudo e nada mais tem para aprender.
Paz à alma da vítima.
Todos os cuidados na estrada nunca serão demais.
José Coelho
segunda-feira, 18 de agosto de 2025
Sermos capazes de ser felizes
domingo, 17 de agosto de 2025
A verdadeira magia
sábado, 16 de agosto de 2025
O Rex e a mãe javali (republicação)
Estou ainda à espera de quê?
C hegado já para lá dos setenta, há uma pergunta que merece ser feita com sinceridade: estou ainda à espera de quê? Esperei quase toda a vid...
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