Aos 07 de Março de 2015 nasceu este blogue que tal como o seu antecessor TocadosCoelhos pretende apenas ser um ponto de encontro e de entretenimento pautando-se sempre pelas regras da isenção, da boa educação e do civismo em geral. Sejam muito bem-vindos.
terça-feira, 9 de agosto de 2022
Prioridade inadiável
segunda-feira, 8 de agosto de 2022
Pipocas
Eis que se inicia o melhor mês do ano, na Toca: Agosto, com recheio de netas (que já estão a ficar quase mais altas que o avô)!
domingo, 7 de agosto de 2022
Bom Domingo
A origem de
muitas das nossas decepções é pensarmos que os outros farão por nós aquilo que
nós fazemos por eles. Esperamos sempre a mesma sinceridade, o mesmo respeito e
a mesma reciprocidade, no entanto, isso nem sempre acontece. Os valores que
definem o nosso coração não são os mesmos que definem o coração dos outros.
Uma maneira simples de encontrar a felicidade pode residir no acto de minimizarmos as nossas expectativas. Quanto menos esperarmos, mais poderemos receber ou encontrar. É certamente um argumento um tanto controverso, no entanto, não deixa de ter a sua lógica.
"Não esperes nada de ninguém porque desse modo o teu coração irá armazenar menos decepções.”
Todos sabemos que, no que diz respeito às nossas relações, é impossível não ter expectativas. Esperamos que os outros tenham certos comportamentos porque desejamos ser respeitados, compreendidos e valorizados. Agora isso não impede que, por vezes, estas previsões falhem. Quem espera muito dos outros, geralmente acaba magoado.
Ninguém erra por tentar ver sempre o lado bom das outras pessoas. Temos o direito de procurá-lo, encontrá-lo e até mesmo promovê-lo, mas com alguma cautela. Porque a decepção é irmã das expectativas elevadas, por isso é mais apropriado não se deslumbrar antes do tempo.
As aparências não costumam enganar, mas o que muitas vezes falha são as nossas expectativas acerca dos outros.
Podemos esperar muito dos demais, no entanto, o certo é esperar sempre mais de nós mesmos.
Para o ajudar a deixar de esperar muito das pessoas ao seu redor, lembre-se do seguinte:
Ninguém é perfeito, nem sequer nós mesmos. Se fôssemos agradar às expectativas que os outros têm sobre nós, viveríamos stressados e infelizes. Por vezes é impossível, porque ninguém é um exemplo de perfeição ou virtude absoluta. Basta respeitarmo-nos uns aos outros e exercer a reciprocidade da forma mais humilde possível.
Aceite que nem sempre temos que obter algo em troca. Às vezes o melhor é aceitar que os outros são como são e que nem sempre vão fazer por nós aquilo que nós fizemos por eles.
E, claro, existem também aquelas pessoas que simplesmente não valem a pena. Que não nos respeitam nem merecem ter-nos na sua vida. Nesses casos é necessário desapegarmo-nos delas, por mais difícil que possa ser.
Para concluir:
Quanto menos esperarmos seja de quem for, menos surpresas teremos. Dessa forma seremos um pouco mais livres e a nossa felicidade será menos dependente do comportamento dos outros.
Somos todos falíveis, somos todos seres imperfeitos a tentar viver num mundo onde, por vezes as decepções são inevitáveis, mas no qual habitam também o amor sincero e as amizades duradouras.
Valeria Sabater
sábado, 6 de agosto de 2022
quarta-feira, 3 de agosto de 2022
Já não se usa
terça-feira, 2 de agosto de 2022
Coisas que leio e subscrevo
segunda-feira, 1 de agosto de 2022
Faz-me o vento companhia
Um amigo que nunca vi, mas de quem gosto muito, pese embora seja às vezes mais agreste do que a conta. Há quem ache sinistro o seu uivo quando chega zangado, mas a mim nunca me meteu medo. Nos serões à lareira, ouvi-lo rugir no côncavo chapéu de telhas da chaminé da nossa cozinha, era para mim a glória bendita. Indiferente à fúria com que ele embatia nas tijoleiras em V lá em cima, o lume de lenha crepitava sossegadamente cá em baixo na pedra da lareira, oferecendo o seu calor e conforto a toda a família instalada em seu redor. Em vez de sentirmos medo, o estrondo da invernia fazia com que nos sentíssemos ali abrigados e em segurança. Hoje, a muitas décadas de distância, rodeado de conforto e de mordomias que à época não existiam, sinto infinitas saudades de coisas tão simples como aqueles serões de inverno em redor do lume onde a minha mãe preparava a ceia depois do seu dia de árduo trabalho no campo.
À
medida que fui adquirindo novos conhecimentos fui em simultâneo, aprendendo a
lidar com o meu invisível amigo, de modo a não me deixar vencer por ele. Coisas
tão simples e básicas como acender o lume ao relento para me aquecer nos dias mais
agrestes, húmidos e frios, sem ter que gastar a “caixa dos palitos” inteira. E acender
o lume no pico do verão no meio do restolho das searas para cozinharmos o
almoço sem deitar fogo à tapada inteira, também era uma aventura repleta de
cuidados e truques. Apesar de os camponeses cozinharem sempre em lume de chão
as suas refeições, fosse onde fosse, ou em que época do ano fosse, os cuidados
eram tão eficientes que nunca havia os fogos assassinos de pessoas e do
ambiente como há agora.
A
vida revelou-me ainda segredos que o meu invisível amigo até hoje não descobriu,
nomeadamente como consegue ele levar quase tudo à sua frente quando vem zangado,
excepto as aparentemente frágeis sóchas? Ah pois! Destelha por completo sólidos
telhados, leva coberturas inteiras de armazéns, barracas e barracões, mas uma
sócha de giestas bem feita, raramente consegue “destelhar”. Deixa-as de pé
exatamente como as encontra, seja qual for a sua força. A forma cónica daquelas
coberturas não permite que ele lhes pegue ou que as derrube. Não há frinchas ou fraquezas
por onde possa entrar ou pegar. Limita-se por isso a seguir o seu caminho
depois de inutilmente se enrolar em redor do hirto cone vegetal tão sabiamente
inventado pelos nossos ancestrais antepassados para enfrentar a sua impetuosidade
e resistir-lhe.
Tive
a sorte e o privilégio de os meus avós e tios maternos serem quase todos
guardadores de rebanhos. E todos eles viviam parte do ano em sóchas e sôchos
onde eu dormia quando os ia visitar. Já agora, porque muita gente não saberá
qual a diferença entre ambos, explicarei que a sócha é uma construção circular
fixa, com vários diâmetros de raio, com uma parede em pedra seca de mais ou
menos metro e meio de altura e uma porta de madeira sobre a qual é disposta em
cone uma armação de paus compridos direitos e
pouco grossos, afastados entre si vinte ou trinta centímetros, solidamente
amarrados uns aos outros desde a base até ao bico da estrutura para serem
depois cobertos por camadas sobrepostas de giestas verdes, as quais, à medida
que vão secando se vão transformando numa compacta e impermeável cobertura.
Quentes no inverno e frescas no verão, de um dos lados do círculo interior ficava
normalmente a zona de estar e comer, ao centro e bem por baixo do topo do cone um
quadrado no chão feito de lajes para o lume, enquanto do outro lado do círculo
interior ficava a zona de dormir quase sempre sobre tarimbas forradas a restolho
macio, por baixo das quais se guardavam as roupas e alguns víveres.
Capaz de afrontar também qualquer temporal, o sôcho era o primo-irmão da sócha embora muito mais pequeno e desmontável para se poder mudar de sítio sempre que isso se tornava necessário. Todo feito em giesta ou palha de centeio dispostos também em camadas sobre uma armação côncava de varas verdes de vime (ou outra madeira flexível) previamente entrelaçadas e fixadas, era composto por quatro peças amovíveis. O lado côncavo direito, o lado côncavo esquerdo, o centro posterior em semi-arco para unir os dois lados côncavos direito e esquerdo, e, finalmente, o centro frontal amovível que fechava o espaço e simultaneamente fazia de porta para utilização diária. Era montado num cabeço das cercanias do bardo onde o gado pernoitava durante grande parte do ano. Cada vez que o rebanho mudava de um para o outro extremo da herdade, o sôcho era desmontado para voltar a ser montado no novo local de pernoita do pastor e do rebanho.
Mas
voltemos ao meu fiel e invisível amigo que já vai longa a prosa! Em dias menos
bons da minha vida e foram muitos, o sussurro das folhas nos ramos das árvores que
ele suavemente balança quando vem calmo, ajudou-me tantas vezes a sossegar inquietações.
E há lá coisa mais repousante do que deitar-me sobre a erva dos campos a observar
as brancas nuvens de algodão no seu deslizar pelo céu azul, guiadas por ele? É,
seguramente, o meu mais antigo e fiel companheiro. Sempre nos respeitámos um ao
outro. Se me parece que vem muito zangado, não o afronto. Viro-lhe as costas, abrigo-me
e deixo-o passar. Se pelo contrário vem manso em forma de brisa, gosto de o sentir
no rosto e de ouvir aquele suave e melodioso murmúrio que nele parece transportar
o timbre da voz de pessoas queridas que há muito deixei de ouvir.
José Coelho
Estou ainda à espera de quê?
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