quarta-feira, 29 de julho de 2026

Não é sobre mim é sobre o meu caminho

Há objetos que não foram feitos para enfeitar prateleiras. Foram feitos para guardar silêncio. Estas peças de prata não são troféus nem sinais de vaidade. São apenas testemunhos de um percurso vivido com outros homens, lado a lado, na estrada da Guarda.
Cada uma delas traz o peso leve de um gesto: um comandante que quis agradecer o percurso que fiz sob o seu comando, alguns camaradas que quiseram reconhecer o meu empenho, um momento em que alguém achou que eu havia de trazer para casa um símbolo do seu respeito.
Não as vejo como conquistas. Vejo-as como memórias, como pequenas âncoras de um tempo em que servir era o centro de tudo, em que a camaradagem valia mais do que o brilho de qualquer metal.
Repousam aqui, sobre a renda da casa, não para serem admiradas, mas para me lembrarem que o que realmente importa nunca foi a prata, foi o caminho, as pessoas, e a honra tranquila de ter feito o que devia.
Texto e foto