A confiança chega devagar, quase em bicos de pés, e mesmo assim enche a alma inteira. Não exige palco, não pede explicações – instala se como a luz da manhã que entra pela janela: primeiro tímida, depois inteira, depois indispensável.
Quando alguém diz “confio em ti”, não fala de perfeição. Fala de presença, dessa certeza silenciosa que garante um lugar seguro, aconteça o que acontecer.
A confiança não nasce de grandes gestos. Nasce das pequenas fidelidades: da palavra que não falha, da gargalhada que não fere, da memória que tropeça mas não abandona, da amizade que dispensa justificações.
Por isso, quando alguém deposita confiança em mim, recebo-a como um certificado que não precisa de provas. A confiança é um diamante raro: não se mede em quilates, mede se no respeito.
Não se conta em percentagens, conta se em verdade.
Há quem passe a vida a procurar pessoas em quem confiar. E há quem descubra esse dom dentro de si e o ofereça aos outros por pura generosidade.
É isso que torna certas pessoas tão raras: não pelo que dizem, mas como dizem; não pelo que recordam, mas pelo que guardam; não pelo que pedem, mas pelo que oferecem.
Ser digno de confiança não tem corpo nem idade, tem responsabilidade. Não porque se é perfeito, mas porque se está presente, atento, inteiro.
A confiança é lume aceso: quando pega, não se apaga, mesmo que a noite seja breu.
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