O sol vai espreguiçando-se do pela Beirã como quem pousa um pano de linho sobre uma mesa antiga. O calor aperta ainda e as rolas, minhas fiéis companheiras, arrulham o seu canto dolente e repetido, como se marcassem o ritmo do tempo.
Rego o quintal com a serenidade de quem conhece cada planta, pelo nome. Uma luz especial filtra-se pelas folhas do limoeiro e desenha no chão mapas que ninguém segue, mas todos admiram.
A água da pia no chafariz, espelhada e quieta, devolve-me o rosto, não como reflexo, mas como memória.
Tranquilo, sem pressa, medito: Há dias em que me basta isto:
Estar. Respirar. Ouvir.
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