quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Moldado pelos afetos

Foto Maria Coelho

Sou, sempre fui profundamente arreigado aos afetos. Os laços que construí ao longo da vida, fossem eles familiares ou de amizade, cimentaram solidamente os alicerces do meu caminho. Cresci envolto pelo afeto da família, pelo carinho dos vizinhos e amizade dos conterrâneos.

Para mim o sentimento de pertença vai muito além do simples nascimento; é um sentir profundo pela freguesia, pelo concelho, pelo distrito, pela província e, acima de tudo, pelo país que me viu nascer, crescer e amadurecer.

O apego à minha aldeia é tão intenso que por vezes parece que o resto do mundo não existe. Ela é o meu refúgio, a minha referência, o lugar onde as memórias ganham vida e os sonhos se alimentam da simplicidade do campo.

Sinto-me igualmente ligado aos animais, às aves que enfeitam o céu, ao vento que sussurra nos campos, à chuva que abençoa a terra, ao sol que aquece o corpo e o espírito.

Também a natureza, no seu esplendor misterioso, foi sempre para mim fonte de inspiração, ensinando-me sobre humildade, resiliência e harmonia. Este afeto amplo estende-se por isso a tudo quanto me rodeia.

São poucas as exceções ao que abraço com genuíno entusiasmo e compreensão. Acredito que a capacidade de nos ligarmos ao próximo e ao ambiente é o que verdadeiramente nos humaniza e dá sentido ao nosso terreno percurso.

O berço humilde em que nasci e a família honrada que tive a ventura de receber das mãos de Deus moldaram-me nesta forma de ser e de estar. Foram eles que incutiram em mim o valor da honestidade, da gratidão e do respeito.

Essas são as razões pelas quais serei sempre grato. 

Agradeço pelo que sou e me foi dado viver, consciente de que a felicidade reside muitas vezes na simplicidade dos afetos e na riqueza dos pequenos gestos quotidianos.

E sigo fiel às minhas raízes, reconhecendo em cada pessoa, em cada animal, em cada elemento da natureza, uma razão para ser melhor e retribuir ao mundo um pouco do muito que recebi.

José Coelho