A indecisão pode manifestar-se de duas formas: na dificuldade em escolher em quem votar ou na dúvida sobre ir, ou não, exercer o direito de voto. É a estes últimos - os que ponderam não ir votar - que me dirijo, na esperança de convencer alguns a reverter essa decisão e a comparecer nas urnas.
O que pretendo transmitir é simples e resume-se a um pedido de respeito e consideração por todos aqueles que, ao longo dos séculos, lutaram e contribuíram para que hoje tenhamos o direito - e também o dever - de votar em sufrágio universal, igual, livre, direto e secreto.
No início da nossa nacionalidade todo o poder político estava concentrado no rei, na nobreza e no clero. O povo não participava na definição das leis ou das decisões que moldavam a sociedade. Só em 1254, nas Cortes de Leiria, surge uma tímida representação popular, sinalizando o início de um longo caminho para a inclusão cívica.
A exclusão das mulheres foi uma constante durante séculos. Apenas em 1931, algumas mulheres, sobretudo chefes de família, ganharam o direito de voto, mas com severas restrições. E só após o 25 de Abril de 1974, com a Constituição de 1976 e a Lei do Recenseamento Eleitoral de 1978, se consagrou de forma plena o sufrágio universal, igualitário e secreto em Portugal.
A Constituição da República Portuguesa estabelece que a soberania reside no povo (artigo 3.º) que o poder político pertence ao povo (artigo 108.º) e que este poder se exerce pelo sufrágio universal, igual, direto, secreto e periódico (artigo 10.º). O exercício do direito de sufrágio constitui, além de um direito, um dever cívico (artigo 49.º, n.º 2).
Eu voto por respeito aos que lutaram antes de nós: O direito de voto foi conquistado com esforço, coragem e persistência por gerações que enfrentaram obstáculos, injustiças e exclusão:
Porque sou um cidadão livre: O voto é a expressão máxima da liberdade e da cidadania. É a nossa voz na construção do país em que vivemos:
Por respeito à Constituição: A democracia exige participação. Não votar é abdicar do poder de decidir sobre o presente e o futuro coletivo:
Porque a indiferença alimenta a apatia democrática: Quando não votamos, deixamos que outros decidam por nós. A abstenção pode abrir caminho a decisões e soluções que não refletem os interesses da maioria.
Por tudo isso, vou votar e gostaria de ver ao meu lado todos aqueles que, como eu, reconhecem a importância deste direito/dever, arduamente conquistado. Votar é homenagear o passado, assumir o presente e construir o futuro.
Não desperdicemos aquilo que foi, durante séculos, negado a tantos.
José Coelho
