domingo, 26 de outubro de 2025

Entre a indignação e a urgência da ação cívica

Imagem desfocada mas real de um parto recente em plena rua.

Não sou, nunca fui nem serei, defensor de críticas bacocas e desconstrutivas só porque sim, de dizer mal seja daquilo que for para denegrir os meus adversários, sejam eles políticos, desportivos ou quaisquer outros com quem não comungue ideias.
Porém e porque o Serviço Nacional de Saúde (SNS) atravessa um dos seus períodos mais críticos desde a sua fundação, torna-se impossível esconder a indignação perante o estado a que se chegou:
Relatos diários de encerramento de urgências, dificuldades no acesso aos serviços, falta de recursos humanos e materiais, decisões políticas que, ao invés de resolverem, parecem agravar a crise instalada.
É impossível ignorar as promessas públicas feitas pelo atual governo e, em especial, pela ministra da Saúde, que garantiu de forma enfática que bastariam 60 dias para resolver os principais problemas do SNS.
O desfasamento entre discurso e realidade é hoje mais evidente do que nunca porque, bem pelo contrário, assistimos ao encerramento de urgências de obstetrícia e ginecologia, obrigando mulheres grávidas a deslocarem-se longas distâncias, por vezes resultando em partos nas ruas, passeios e estradas, em situações de risco e indignidade.
A situação agrava-se cada vez mais perante a incapacidade de garantir resposta de emergência eficaz por parte do INEM, potenciada pela ausência de contratos atempados para o serviço de helicópteros.
São vidas humanas postas em risco por decisões – ou indecisões – administrativas que revelam falta de planeamento e responsabilidade.
Junta-se a isto a substituição em massa de conselhos de administração hospitalar, despedimento de enfermeiros e a ausência de diálogo construtivo com profissionais do setor, minando ainda mais a confiança e o funcionamento de todo o sistema.
Enquanto cidadãos não podemos ficar indiferentes.
Tal como se compreende e apoia a mobilização em torno de causas internacionais, torna-se premente um movimento interno de solidariedade.
É tempo dos portugueses se manifestarem de forma massiva e pacífica, exigindo mudanças urgentes na política da saúde, pela dignidade dos doentes, dos idosos, das grávidas e de todos os que dependemos do SNS.
A sua defesa é, acima de tudo, um dever de cidadania.
O momento exige união, reivindicação por soluções concretas e a exigência de responsabilidades políticas, incluindo, se necessário, a demissão dos responsáveis máximos.
É fundamental recordar que a saúde pública é um direito constitucional, e cabe a todos lutar pela sua efetiva concretização.
Em suma, é tempo de agir, de não permitir que o desespero se instale nem que vidas continuem a ser postas em risco por inação ou falta de visão estratégica.
Que cada um de nós assuma o seu papel pela defesa do SNS, em nome de uma sociedade mais justa e solidária.