O tempo! Esse cavalo veloz que parece trotar tão devagarinho quando somos moços e temos aquela inexplicável pressa de chegar a adultos, mas que, chegando lá, a vida parece ganhar asas. E ainda não é ano novo já se vislumbra o carnaval, a semana santa e a páscoa para logo a seguir chegar o verão. Mas passado agosto, os dias dão em minguar e não tarda estamos na festa dos Santos já com o Natal a acenar-nos no horizonte.
A vida é demasiado breve. Mas quase todos nós só damos conta dessa dura realidade depois de ela já ter passado. Eu sei que esta afirmação é um lugar-comum, mas nem por isso deixa de ser uma inquestionável verdade. Quem de nós não pensou, não admitiu até que, se pudesse voltar atrás, não faria isto, ou aquilo, ou aqueloutro da forma como o fez, convencido de que se tivesse agido de maneira diferente, talvez tivesse sido mais feliz.
Será que teria sido (passe a redundância) assim?
Sou crente em Deus. Acredito que nada acontece por acaso e que nesta vida cada um de nós vem ao mundo com um determinado caminho para percorrer. Esse caminho a que muitos chamam destino, eu prefiro chamar-lhe trabalho, coragem, empenho, querer, e, talvez também, porque não, alguma sorte.
Sendo ainda certo que a família, o meio ambiente e as condições em que cada pessoa nasce, cresce e se desenvolve até à idade adulta contribuem decisivamente para a formação mais ou menos equilibrada de cada pessoa, não é menos certo que o caminho que cada um escolhe é da sua inteira e exclusiva responsabilidade quase sempre, ressalvadas algumas excepções, porque as há.
Chegado que estou a já mais de metade da minha caminhada, apraz-me sentir e honestamente afirmar que, graças ao Deus em quem acredito, se fosse possível a tal quimera de voltar atrás no tempo, pouco ou nada mudaria em tudo aquilo que foi a minha vida, o meu percurso, a minha história.
Nem sempre foi fácil, mas nunca me deparei com obstáculos impossíveis de vencer. Muitas vezes foi necessário encher-me de coragem e de determinação à mistura com algumas lágrimas amargas, mas consegui sempre vencer as dificuldades para atingir as metas e objetivos que me propus conquistar.
Tenho, por isso, há muitos anos, o hábito diário de antes de adormecer dar graças pela vida que tão generosamente me foi concedida, pelos pais maravilhosos que tive, pelos avós que tanto me acarinharam, pelas irmãs amigas, pela esposa companheira e mãe extremosa dos nossos filhos, doce e dedicada avó das nossas netinhas.
Mas não só, porque fui ainda também agraciado por uma legião de excelentes tios e tias, primos e primas quer da família materna, quer da paterna. Tenho ainda a sorte e o privilégio de poder contar com bons amigos, daqueles com A grande e de quase toda a minha vida. Sendo assim, tudo isso me faz acreditar que mereci do meu Senhor as maiores bençãos que qualquer ser humano deseja alcançar.
E sinto-me profundamente grato por toda a minha existência.
Quanto mais vivo, mais aprendo e agradeço. Não tendo sido de modo nenhum uma vida isenta de dificuldades, foi minimamente decente. Não necessito por isso mesmo de muito mais do aquilo que já tenho. Contudo, depois de humildemente dar graças pelo que continuo a receber no dia a dia, não deixo de pedir também ajuda para continuar merecer essa bondade.
O tempo que entretanto passou faz já que se anunciem por aqui muitos vestígios do desgaste físico, da velhice e consequentes sequelas. Mas cá vou indo calmo e sereno, aceitando, enfrentando e tentando resolver dentro do possível, tudo o que vem...
