segunda-feira, 29 de setembro de 2025

A necessidade aguçava o engenho


Prezo muito as minhas raízes familiares de gente humilde do campo que mal ganhava para o sustento da família e por isso tinham de hortar o ano todo aquilo que se punha na mesa para as refeições.

E esta era a época da fartura.

Debaixo de telha cebolas, alhos, cachos de uvas ferrais, maçãs e melões, fiadas de pimentos vermelhos secos ao sol pendurados de paus e barrotes para se manterem secos e ventilados. E num sobrado preparado para o efeito, muitas arrobas de batatas, abóboras e feijão seco na vagem, conserva de tomate e massa de pimentão.

Na salgadeira e no fumeiro as carnes da matança anual do porco, galinhas e ovos com fartura, eram a base da nossa alimentação. Não sendo saudosista mas incapaz de esquecer tempos de tão profunda união familiar, vou imitando como posso esse arrecado outonal pese embora nos pingos doces, continentes e similares nada falte para comprar.

Mas não são as mesmas coisas porque nunca, jamais ou em tempo algum a produção massiva e industrial tem a qualidade e sabor destas já poucas coisas que ainda vamos adquirindo nos produtores locais e nos mercados semanais...