sábado, 1 de agosto de 2026

Bom fim de semana

Entre telhas antigas e o verde que nunca falha, a casa onde nasci ergue duas chaminés como sentinelas do tempo, guardando o que fui, o que sou, e o silêncio bom da Beirã.
Eu nasci neste bairro onde a serra parece chegar primeiro que o sol. Cresci entre paredes brancas e o cheiro da terra molhada depois da rega. A casa das duas chaminés foi sempre o meu norte, não apenas o lugar onde nasci, mas o lugar onde aprendi a ser.
Cada rua guarda passos meus, cada árvore conhece o meu silêncio, cada tarde tem um pedaço da minha infância. Aqui descobri que a vida se faz devagar, como quem colhe fruta madura ao fim da tarde.
Aqui aprendi a ouvir o vento, a cuidar da horta, a reconhecer o canto das aves do quintal. Aqui percebi que pertenço a este chão de uma forma que não se explica, sente-se.
E quando olho para esta fotografia do meu bairro, vejo mais do que casas: vejo a minha história inteira, erguida contra o céu azul e guardada por memórias que nunca deixaram de me chamar de volta.