sábado, 8 de agosto de 2026

Recomeços

No decorrer da nossa vida há sempre aqueles dias em que o caminho se estreita e nos obriga a parar. Não por capricho do destino, mas por decisões que não devem ser adiadas, mudanças que têm de acontecer, medos que exigem ser olhados de frente.
Cada um desses instantes chega como uma espécie de visita inevitável: não bate à porta, entra. E, ao entrar, transforma-nos.
São solidões que se instalam ao nosso lado como sombras. No início assustam, mas com o tempo percebemos que são apenas lugares onde a alma precisa de se recolher para que a possamos ouvir.
Há lágrimas que não conseguimos evitar – e talvez nem devêssemos – porque são elas que lavam o que ficou turvo dentro de nós. E há recomeços silenciosos, quase imperceptíveis, que começam a germinar no fundo do peito muito antes de nos darmos conta.
A vida ensinou-me que tudo isso faz parte do mesmo movimento: o de nos tornarmos quem realmente somos. E que, mesmo quando acreditamos que já não aguentamos mais nada, o tempo acaba por revelar a verdade que sempre lá esteve: somos muito mais fortes, mais resistentes e mais corajosos do que alguma vez imaginámos.
A coragem não é ausência de medo; é seguir adiante, apesar dele. E ter força, não é nunca cair; é levantar e continuar a caminhar, cada vez que caímos.
Assim descobrimos que cada dor foi mais uma semente, cada silêncio foi mais uma raiz, cada lágrima foi a água que que alimentou e fez florir a nossa vida, quando menos o esperávamos.
Texto e foto