Há momentos em que a vida se torna tão leve que quase parece quebrar-se ao menor toque. Basta um diagnóstico, uma chamada ao fim da tarde e aquilo que parecia sólido revela-se frágil como o vidro das janelas da Beirã.
A fragilidade humana não é fraqueza. É condição. É o lembrete silencioso de que caminhamos todos sobre um chão que não é nosso, que nos pode faltar sem aviso.
Um amigo e militar como eu, homem de coragem e de serviço, enfrenta agora essa vulnerabilidade que nenhum uniforme protege. O corpo, que tantas vezes foi instrumento de força, torna-se território de batalha.
E ao ouvi-lo, ao animá-lo com a minha voz encorajadora e amiga, torno-me parte dessa resistência que não se faz com armas, mas com presença.
A fragilidade humana revela-se também nos gestos pequenos: no modo como alguém respira mais devagar, no silêncio que se instala depois de uma situação difícil, na mão que procura outra sem dizer nada. É aí que a grandeza aparece.
Porque a fragilidade não nos diminui, aproxima-nos. Faz-nos irmãos. Faz-nos compreender que a vida é um empréstimo precioso, que cada dia é uma dádiva, que cada amizade é uma âncora.
Sei isso melhor do que muitos. Vivi perdas, vi partidas inesperadas, carrego memórias que ainda hoje me entristecem e doem. E, mesmo assim, continuo a ser o homem que se levanta e tenta sempre ajudar, que anima, incute coragem e não vira a cara ao sofrimento dos outros.
A fragilidade humana é o que nos torna humanos. E é também o que nos permite ser generosos. Por isso mesmo não me assusta, pelo contrário torna-me mais atento, mais humilde, mais capaz de compreender o outro.
Força, amigo!