Há gostos que não são simples preferências: são maneiras de estar no mundo. Quando digo que gosto de pessoas honestas e generosas, não falo de virtudes decorativas, daquelas que se penduram na lapela para parecer bem.
Falo de gente cuja palavra nasce do mesmo lugar que o olhar e por isso coincide com ele. Há uma verdade silenciosa em quem não precisa de ajustar o discurso para agradar; basta-lhes ser.
Gosto de pessoas coerentes, dessas que não vivem em contradição consigo próprias. São raras. São as que fazem corresponder o gesto ao pensamento, o pensamento à palavra, e a palavra à vida.
Não precisam de explicações longas, nem de justificações apressadas. Basta observá-las um instante para perceber que aquilo que fazem é, simplesmente, aquilo que são.
Gosto de quem escreve com autenticidade, sem truques, sem máscaras. Palavras que coincidem com o pensamento são como portas abertas: deixam entrar luz, deixam ver o interior sem receio. Há uma beleza particular na escrita que não tenta impressionar, mas apenas dizer a verdade possível de cada um.
Gosto de lealdade, essa virtude discreta que não faz barulho, mas sustenta tudo. A lealdade não se proclama; demonstra-se. Está nos pequenos gestos, na presença silenciosa, na mão que não falha quando o mundo falha.
Gosto de sinceridade. Daquela sinceridade que não fere, mas ilumina. Que não é brutalidade, mas clareza. Que não se usa como arma, mas como ponte.
E gosto, ponto. De pessoas que carregam consigo uma espécie de transparência moral, uma integridade que não precisa de ser anunciada.
Gosto de quem vive com verdade suficiente para que os outros se sintam à vontade, como se entrassem numa casa onde tudo está no lugar certo.
Talvez, no fundo, esta lista de gostos seja apenas uma forma de dizer que continuo a acreditar na humanidade que vale a pena.
Naquela que não se mede por títulos, mas por carácter. Naquela que não se exibe, mas se revela. Naquela que, quando passa por nós, deixa qualquer coisa melhor do que encontrou.
E é isso:
Gosto de quem faz do mundo um lugar mais claro, mesmo que seja só à escala de um olhar.
