Bodas de Ouro – agosto de 2026
Há dias em que a vida se ajoelha diante de nós e nos diz baixinho: “Vê como foste amado.” O meu dia de ontem foi assim. A igreja encheu-se de flores – mais de mil - como se cada pétala fosse uma memória, um gesto, um sorriso amigo, uma prova silenciosa de que cinquenta anos não se medem no calendário, medem-se no cuidado.
Os meus filhos, esses companheiros de estrada, ergueram a celebração com as suas vozes, com as leituras que atravessaram o silêncio, com a mensagem que abriu a cerimónia como quem abre uma porta para a eternidade.
E disseram, sem medo de sentir: “Que sorte tivemos em ser vossos filhos.” Não há medalha maior.
As minhas netas – três luzes vivas – acolitaram como quem dança com o sagrado. A Francisca, firme e doce, fez a segunda leitura com a coragem dos que sabem que a fé também é herança. A Mariana, ao lado dela, foi o eco perfeito dessa harmonia familiar.
E a Filipa… a nossa Filipa foi a menina das alianças, a guardiã do instante em que renovámos os votos, a ponte entre o amor que começou em 1976 e o amor que continua a crescer em 2026. Com aquele gesto simples e luminoso, ela levou até nós não apenas ouro, mas a certeza de que a família é o nosso sacramento.
Eu entoei o salmo e o aleluia como tenho feito há trinta e três anos, não por hábito, mas por amor. E a Maria Manuela, serena, leu a Oração dos Fiéis com a simplicidade das coisas verdadeiras.
Depois, o bolo da minha irmã Joaquina, doce como a infância, belo como o tempo que passa sem quebrar. Os presentes maravilhosos oferecidos pelos filhos mais novos, a viagem pela Espanha da nossa juventude oferecida pelos mais velhos, com Madrid a chamar-nos outra vez, como se dissesse: “Voltem ao início, porque o amor ainda vos reconhece.”
E no final, o meu discurso foi a última pedra desta construção de afetos. Pareis duas vezes, sim, porque o coração às vezes sobe à garganta para lembrar que está vivo. E a assembleia percebeu. E o padre percebeu. E eu consegui.
Foi um dia inteiro de emoção, um dia para nunca mais esquecer, um dia em que o clã Coelho não celebrou apenas duas vidas, celebrámo-nos uns aos outros.
E por tudo isto, família, deixamos aqui a nossa gratidão:
Obrigado por nos amarem com gestos, com presenças, com palavras, com flores, com fé, com tudo o que são.
Obrigado por fazerem das nossas Bodas de Ouro um dia onde o tempo parou para nos abraçar.
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