segunda-feira, 3 de novembro de 2025

Justiça, corrupção, e o futuro do país


Portugal encontra-se atualmente perante um cruzamento crítico no seu percurso democrático. A insatisfação generalizada com o estado da justiça, o combate ineficaz à corrupção, a perpetuação de privilégios entre políticos e a falta de valorização dos jovens altamente qualificados são sintomas de um sistema que exige mudança estrutural e urgente.
O sistema de justiça português que deveria ser o garante do Estado de Direito e da democracia, mostra-se incapaz de responder eficazmente aos desafios atuais. A falta de meios, recursos humanos e tecnológicos, bem como a alegada interferência política sobre a magistratura, têm enfraquecido a confiança dos cidadãos nas instituições. Esta fragilidade permite que crimes económicos e de corrupção muitas vezes fiquem impunes, gerando um sentimento de impunidade e descrença generalizada.
A corrupção em Portugal não é apenas uma percepção; é uma realidade alimentada por décadas de casos mediáticos que raramente resultam em condenações exemplares. Esta impunidade mina a confiança dos cidadãos e afeta negativamente a imagem internacional do país. É fundamental implementar mecanismos mais rigorosos de fiscalização e punição, garantindo que todos os que lesam o património público sejam responsabilizados de forma séria e célere.
A permanência de indivíduos incompetentes e por vezes corruptos nos quadros dos partidos políticos, é um dos maiores entraves ao progresso nacional. Muitos cargos continuam a ser ocupados por pessoas cuja lealdade ao partido se sobrepõe à competência e ao interesse público. É urgente promover uma cultura de mérito e responsabilização, onde apenas os mais capazes e íntegros ascendam a posições de decisão.
Portugal forma anualmente milhares de jovens altamente qualificados, muitos dos quais acabam por emigrar em busca de melhores condições. Esta fuga de talentos prejudica gravemente o desenvolvimento do país que investe na formação, mas não cria condições para reter ou valorizar estes profissionais. Políticas de incentivo à inovação, ao empreendedorismo e à integração dos jovens no mercado de trabalho são cruciais para inverter este ciclo.
Os privilégios vitalícios atribuídos a políticos são um anacronismo que deve ser revisto. Além disso, é fundamental que haja consequências reais para quem, no exercício de funções públicas, cause danos ao património nacional. Só assim se poderá restabelecer a confiança entre eleitos e eleitores.
A sensação de insegurança é cada vez mais evidente na sociedade portuguesa. A criminalidade associada muitas vezes à impunidade e à ineficácia dos sistemas de controlo, exige respostas rápidas e eficazes por parte do Estado
Portugal está, de facto, refém de interesses instalados, de corrupção e de práticas que envergonham qualquer verdadeiro democrata. A mudança não é apenas desejável; é inadiável. Cabe a todos, enquanto cidadãos, exigir maior transparência, eficiência e responsabilidade dos nossos representantes. O futuro do país depende da coragem coletiva para romper com o passado e construir uma sociedade mais justa, segura e próspera.
Texto e foto