terça-feira, 4 de novembro de 2025

Um mundo de máscaras



Vivemos tempos em que os valores e princípios parecem cada vez mais distorcidos. A confiança tornou-se um bem raro e precioso, difícil de conceder e, muitas vezes, fácil de trair. Num cenário onde as máscaras são parte do quotidiano de muitos, torna-se um desafio distinguir o genuíno do falso, o verdadeiro do interesseiro.
A sociedade contemporânea valoriza, por vezes, o sucesso a qualquer custo. Os meios para alcançar objetivos tornam-se secundários, desde que o resultado seja a ascensão social, profissional ou pessoal. Neste contexto, a lealdade e a honestidade perdem espaço para estratégias duvidosas, o que fragiliza as relações humanas e as torna mais superficiais e vazias.
Infelizmente, ser bom demais pode ser visto, nos dias de hoje, como um risco. O altruísmo e a generosidade são frequentemente confundidos com obrigação e não é raro ver pessoas a aproveitar-se da boa vontade dos outros. Quem age de acordo com o coração e espera o mesmo dos outros, acaba muitas vezes desiludido, pois nem todos partilham dos mesmos valores.
Apesar deste panorama, ainda existe quem acredite na amizade verdadeira, no amor sincero e na empatia genuína. Pessoas que procuram ser felizes sem prejudicar o próximo, que preferem colocar-se no lugar do outro antes de agir. No entanto, esta postura nem sempre é reconhecida ou valorizada, e, por vezes, é explorada até ao limite.
Pessoas generosas tendem a perdoar com facilidade, acreditando no poder da mudança e da reinvenção. Acreditam que o ser humano pode aprender com os próprios erros e tornar-se melhor a cada dia. Contudo, este perdão repetido pode ser mal interpretado como uma obrigação e há quem nunca valorize verdadeiramente essas segundas oportunidades recebidas.
Há um limite para a bondade e a paciência. Por mais que uma pessoa boa perdoe, chega um momento em que as forças se esgotam e a decisão de se afastar se impõe. Quando esse ponto é atingido, não há retorno, nem mais perdão, nem nova hipótese. É o instinto de autopreservação a falar mais alto, protegendo aquilo que ainda resta de si próprio.
Num mundo onde as máscaras são frequentes e a confiança se tornou frágil, ser bom e leal é um ato de coragem. É preciso, porém, saber reconhecer os próprios limites e não permitir que a bondade se transforme em sofrimento.
Que nunca percamos a esperança na humanidade, mas que saibamos proteger o nosso coração e valorizar quem, de facto, merece a nossa confiança e o nosso perdão.
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