quinta-feira, 27 de novembro de 2025

Coisas que leio e gosto

PÂNICO (gripe)
Durante mais de 40 anos de serviço médico, não houve um único inverno que não viesse acoplado ao velho pânico da GRIPE — as agruras do frio somadas às agruras da epidemia.
Já a COVID, essa, não tem estação: é anual. Permanente. Democrática na chatice.
Quase todos os anos surgia o anúncio apocalíptico: “Vem aí um vírus novo!”
Nos Centros de Saúde, gerava-se o pânico — e muitas vezes mais no pessoal de saúde do que nos doentes.
As urgências, que agora se diz serem o caos, sempre foram o caos.
Eu estive lá. Vi o caos antes de ser moda.
E agora, de novo, o pânico:
“Vem aí uma estirpe que a vacina não cobre!… Mas vacine-se, porque é melhor vacinar do que não vacinar…”
O mantra habitual.
Há muitas formas de estimular a imunidade, mas a pergunta continua a cair-me em cima, semana sim, semana sim:
— “Sr. Doutor, devo ou não devo vacinar-me contra a COVID? E contra a gripe?”
A minha resposta sincera?
Não sei. Você é que sabe.
Mas posso ajudar a pensar.
A SARS-CoV-2 (COVID) é hoje um vírus endémico. Fica por cá todo o ano, como a humidade nas paredes velhas. Estamos em contacto permanente com ele, o que facilita a tal imunidade natural pela infeção.
A suscetibilidade grave anda pelos 2%.
Desses 2%, apenas uma pequena fração morre — idosos, imunodeprimidos, fragilizados.
A vacina, que se diz reduzir a sintomatologia, não evita a infeção, nem a transmissão, nem garante grande duração (4 a 6 meses, com sorte).
E também não é isenta de efeitos colaterais, uns mais simpáticos, outros menos.
É facultativa, indicada sobretudo para a faixa mais vulnerável, segundo a DGS.
Portanto, quando me perguntam, repito:
fica ao seu critério.
Contudo, deixo o velho ditado da sabedoria popular:
“Avinha-te, abifa-te, abafa-te.”
— vinho quente, boa alimentação e resguardo.
A tríade que nenhum vírus, novo ou velho, conseguiu ainda abolir.
Cuidem-se!…depois logo se vê…

Benjamim Carvalho
Médico

Foto José Coelho