segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Aqueles dias em que o mundo pesa mais

Há dias em que a solidão se instala sem pedir licença, tão pesada que nem o abraço mais especial consegue dissipá-la. Abraços podem amenizar, suavizar os bordos cortantes da dor, mas há um vazio que permanece, resistente, como se tivesse raízes no mais profundo do nosso ser. É nesses momentos que o peso do mundo se torna avassalador, esmagando a vontade de levantar a cabeça, de abrir os olhos, de encarar uma realidade dura demais para suportar.
Por vezes o vazio é tão profundo que nenhum gesto, nenhuma palavra e nenhum afeto parecem chegar ao seu fundo. O amor recebido, por mais genuíno que possa ser, não preenche o buraco aberto na alma. O que resta é uma sensação de insuficiência, como se estivéssemos longe demais de qualquer possibilidade de consolo.
Nesses dias, a chuva não cai só lá fora, cai também dentro de nós. Os céus não se limitam a ficar cinzentos, tornam-se negros como breu. Cada tentativa de encontrar um raio de luz parece infrutífera. O mundo perde a cor e o calor, até mesmo os sorrisos e os afetos não conseguem romper o véu que se forma à nossa volta.
É preciso coragem para enfrentar esses dias. Permitir que os sintamos, sem pressa de os curar, sem pressa de fingir que está tudo bem. Reconhecer que há momentos em que a realidade é crua e que não precisamos ser fortes o tempo todo. Às vezes, apenas sobreviver ao dia já é um feito. E, apesar de tudo, confiar que, depois da noite mais escura, há sempre a promessa de um novo amanhecer, mesmo que tímido, mesmo que lento.
Ainda que o vazio não se preencha, ainda que a solidão persista, o abraço – aquele gesto silencioso e profundo – pode não curar, mas acolhe. E por vezes, acolher a dor é o primeiro passo para a atravessar. Porque no fundo há sempre alguém disposto a partilhar o peso conosco, mesmo que não consiga tirá-lo completamente.
Que possamos aprender a respeitar os nossos dias cinzentos, aceitar a nossa vulnerabilidade e reconhecer que, mesmo sem solução imediata, o simples ato de existirmos já é resistência. E quem sabe se, aos poucos, quando menos esperamos, um raio de sol não vai acabar por conseguir furar as nuvens e iluminar o nosso dia.
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