Aos 07 de Março de 2015 nasceu este blogue que tal como o seu antecessor TocadosCoelhos pretende apenas ser um ponto de encontro e de entretenimento pautando-se sempre pelas regras da isenção, da boa educação e do civismo em geral. Sejam muito bem-vindos.
terça-feira, 30 de setembro de 2025
Da têmpera do junco
O Caminhar da Vida
segunda-feira, 29 de setembro de 2025
“Pedi e Recebereis”
A necessidade aguçava o engenho
Debaixo de telha cebolas, alhos, cachos de uvas ferrais, maçãs e melões, fiadas de pimentos vermelhos secos ao sol pendurados de paus e barrotes para se manterem secos e ventilados. E num sobrado preparado para o efeito, muitas arrobas de batatas, abóboras e feijão seco na vagem, conserva de tomate e massa de pimentão.
Na salgadeira e no fumeiro as carnes da matança anual do porco, galinhas e ovos com fartura, eram a base da nossa alimentação. Não sendo saudosista mas incapaz de esquecer tempos de tão profunda união familiar, vou imitando como posso esse arrecado outonal pese embora nos pingos doces, continentes e similares nada falte para comprar.
Mas não são as mesmas coisas porque nunca, jamais ou em tempo algum a produção massiva e industrial tem a qualidade e sabor destas já poucas coisas que ainda vamos adquirindo nos produtores locais e nos mercados semanais...
domingo, 28 de setembro de 2025
sábado, 27 de setembro de 2025
Até que Deus queira
Tinha apenas seis
anos quando comecei a servir a igreja de Nossa Senhora do Carmo da Beirã.
Estávamos em 1958 e era pároco o Reverendo Joaquim Caetano, já falecido. Foi
ele quem me escolheu para seu acólito mal comecei a frequentar a escola e a
catequese.
Ensinou-me
princípios e transmitiu-me valores tais que a ele devo também muito do que sou,
quer na minha formação como pessoa, quer no carácter e integridade. Por tudo
isso guardo por ele até hoje uma amizade, respeito e consideração sem limites.
Porque a minha mãe
não tinha posses para me comprar roupas finas para o acolitar, era ele quem
comprava tecidos e mandava fazer-me as roupas domingueiras às costureiras que
naquele tempo abundavam na aldeia.
Calções e calças de
terylene, camisas de popelina, casacas e blusões quentinhos. E comprava-me
também sapatos na fábrica Ebro de Santo António das Areias, a única que por
aqui existia nesse tempo, pois só alguns anos mais tarde foi construída a
Celtex.
Não haverá já por
cá muita gente que se recorde destas coisas e as que houver se calhar não vão
ler estas minhas memórias porque ou serão já muito velhinhas ou provavelmente
nem saberão ler nem escrever.
Pese embora a minha força anímica esteja já muito mais debilitada, tenho continuado a
colaborar em tudo o que posso e sei desde que vim morar definitivamente para a
Beirã em 1 de Novembro de 1992 e imediatamente me "alistei", com a
minha esposa, quer no coro paroquial, quer como leitor e salmista até 1999.
No ano 2000, 2001 e
2002, por indisponibilidade do então Conselho Económico Paroquial, foi-me
solicitado pelos Revºs Párocos Tarcísio e Luís Ribeiro que tomasse
temporariamente ao meu cuidado as contas da Paróquia cuja nomeação oficial só foi efetivada em 2003, a partir de quando integrei o Conselho Económico
Paroquial por despacho de Sua Eminência o Bispo da Diocese para essas
funções e mandatos sucessivos, até ao dia de hoje.
Tenho guardados em
suporte informático e também em papel, todos os processos que justificam cada
cêntimo de receita, cada cêntimo de despesa, semanais, mensais e anuais, desde
2000.
A contabilidade da
igreja, das obras de restauro e conservação realizadas, dos donativos, da
instalação do relógio digital e automatização dos sinos, da colocação das luzes LED,
das despesas com vencimentos dos sacerdotes e todas as outras. Ao pormenor,
limpinhas e fáceis de entender. Tudo pronto a entregar a quem de direito.
E mais.
Este cargo no CEP
da Paróquia da Beirã, está, como sempre esteve, disponível todos os dias e a
todas as horas, ao completo dispor de quem me escolheu e nomeou, prontíssimo a
entregar a quem se oferecer para me substituir. É só chegar-se à frente quem o
quiser e seja muito bem-vindo.
Sei que sempre
cumpri as minhas obrigações com lealdade, dedicação, esforço e empenho. Sei
também que nunca cobrei um cêntimo sequer por nada do que fiz. Ofereço, desde o
já longínquo ano 2000 gratuitamente os meus serviços e tempo, o meu computador,
tinteiros e resmas de papel da impressora, o combustível do automóvel nas
deslocações ao banco, às reuniões a Portalegre, a São Tiago, a Mem Soares, a
Nisa, a Castelo de Vide, a Marvão e a muitas outras localidades onde os párocos
me solicitaram que fosse.
Sozinho, ou, quando
muito, acompanhado apenas pela minha esposa, a qual, por sua vez, cuida ainda
também gratuitamente do asseio e arrumação da igreja e dos altares em conjunto
com outras duas senhoras, para além de passar horas a conferir, a separar e a
acondicionar as moedas dos ofertórios que lhe são entregues por quem confere as
oferendas no final de cada missa na igreja e das caixas, para posteriormente eu
ir depositar no banco e na conta da paróquia que está sempre em dia.
Paguei ainda do meu
bolso os cursos de ministro extraordinário da comunhão e da celebração da
palavra na ausência do presbítero - MECDAP - o curso para aprofundamento da fé
- CAF - que teve a duração de três anos letivos no Seminário de Portalegre, de
muitas outras formações em Mem Soares, em Alcains, Abrantes e Proença-a-Nova.
Deslocações, alimentação, combustíveis e pagamento individual de cada curso ou
formação.
Com que intenção?
Única e
exclusivamente formar-me minimamente para melhor conseguir colaborar em tudo o
que me ia sendo proposto pelos párocos no serviço à comunidade paroquial a que
pertenço.
É mais que verdade
que "na sua terra ninguém é profeta". Muitas vezes me senti triste e
desmotivado. Muitas vezes também me apeteceu mandar tudo às malvas. Mas a
sempre reiterada confiança e sincera amizade dos párocos Tarcísio e Luís
Ribeiro, aliadas à minha forte convicção de missão e de serviço a esta
comunidade, conseguiram superar sempre a vontade de desistir.
Até quando?
Não sei. Até que
Deus queira, provavelmente.
José Coelho - Texto e foto
Reflexões sobre a Vida
sexta-feira, 26 de setembro de 2025
O silêncio do pôr do sol
São momentos únicos e, ao mesmo tempo, inesquecíveis.
Há algo de profundamente intrigante na forma como a natureza se silencia nos instantes que antecedem o desaparecimento do sol atrás da linha do horizonte. Esse fenómeno repete-se todos os dias e, mesmo assim, continua a ser surpreendente.
O mais fascinante é que as cores do ocaso mudam a cada dia, oferecendo sempre uma nova paleta àqueles que se dispõem a observar.
Hoje, sentados na varanda eu e a minha companheira, fomos surpreendidos por uma quietude absoluta. Nem os pássaros se ouviam e a ausência de qualquer som parecia tornar o momento ainda mais solene.
“Que sossego, Zé! Nem os pássaros se ouvem!”
Não pude deixar de concordar, partilhando do seu espanto antes de nos entregarmos, ambos, ao silêncio.
A luz do sol tomou um tom fortemente alaranjado, como se os canchos e o montado distantes fossem iluminados por holofotes, tal como acontece com as muralhas de Marvão à noite.
Lentamente essa luz foi-se extinguindo, à medida que o astro-rei ia desaparecendo atrás da serra da Penha de Castelo de Vide. Nem um sopro de brisa, nem um pio de ave; a tranquilidade era total.
Logo depois, a barra cinzento-escura da noite começou a avançar, cobrindo a paisagem que minutos antes brilhava sob o sol.
Não resisto a acreditar que este é o momento do dia em que Deus desce à terra e que, por isso, toda a Sua criação se cala em profundo respeito. A paz que me invade nesses instantes é tão doce que fecho os olhos e agradeço pela vida, pela família, pelos amigos, pela saúde e por cada dia vivido.
É nesses momentos de comunhão com a natureza que a oração me surge de forma mais natural, mais até do que dentro da igreja, rodeado pela assembleia.
Se nunca prestaram atenção a este fenómeno, convido-vos: subam a um outeiro, escolham um lugar tranquilo e esperem pelo pôr do sol. Até sentados na muralha de Marvão, ou mesmo no vosso quintal, como faço no meu, poderão experimentar esse silêncio intrigante.
Aposto que irão surpreender-se com a quietude que, por instantes, envolve tudo em redor.
É um momento efémero, apenas o tempo necessário para o sol tocar a linha do horizonte e desaparecer por completo. Tão surpreendente que parece não nos atrevermos sequer a respirar para não perturbar a paz que nos envolve.
A vida, a natureza e o mundo, são maravilhosos, ainda que muitas vezes não lhes prestemos atenção suficiente. Às vezes olhamos, mas não vemos. Acredito que esses momentos são uma dádiva do Criador, uma oportunidade de sentir a Sua presença todos os dias.
Contudo, respeito quem pensa de forma diferente, porque cada um sabe de si.
Desejo-vos um excelente fim de semana, repleto de momentos de paz e comunhão com a natureza.
José Coelho - Texto e foto
Bom fim de semana
quinta-feira, 25 de setembro de 2025
Testemunho de um Ex-Combatente sobre o Acréscimo Vitalício de Pensão
quarta-feira, 24 de setembro de 2025
Cuidar é valorizar
Foto José Coelho

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